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Primárias na Bolívia: Evo Morales quer disputar 4° mandato proibido pela Constituição

Primárias na Bolívia: Evo Morales quer disputar 4° mandato proibido pela Constituição
 
O presidente boliviano, Evo Morales, quer um quarto mandato consecutivo. REUTERS/Yves Herman

Neste domingo (27), militantes de partidos políticos vão às urnas na Bolívia para eleger as duplas que participarão das eleições presidenciais em outubro deste ano.

É a primeira vez que uma votação desse tipo será realizada no país e críticos ao governo alegam que o pleito é uma manobra para legitimar a reeleição de Evo Morales para o quarto mandato, embora a Constituição boliviana não permita mais de três mandatos consecutivos.

A partir do resultado, serão selecionadas duplas para participar, em outubro deste ano, da eleição presidencial. O pleito tem sido alvo de críticas. Os cidadãos afirmam que a etapa eleitoral criada há poucos meses visa validar a reeleição do presidente Evo Morales e de seu vice, Álvaro García Linera, candidatos pelo partido Movimento ao Socialismo (MAS).

A Constituição boliviana não permite que um presidente supere os três mandatos consecutivos, e este é o caso de Evo Morales. Ele também é recordista de tempo na presidência da Bolívia Além disso, Morales tem ignorado o resultado do referendo de 2016 no qual a maioria dos votantes rejeitou que ele seja reeleito. As primárias custarão aos cofres públicos cerca de quatro milhões de dólares.

Apenas poderão votar militantes políticos que tenham se registrado previamente. O Tribunal Supremo Eleitoral informou que cerca de dois milhões de militantes, de nove partidos políticos, votarão neste domingo para eleger as duplas de candidatos às presidenciais.

Críticas às primárias

O candidato do partido Comunidade Cidadã (CC), Carlos Mesa, e o presidente do Movimento Democrático Social (MDS), Rubén Costas, pediram a seus militantes que não votem nas eleições primárias. De acordo com Mesa, que já foi presidente da Bolívia, esta eleição busca legitimar a candidatura de Evo Morales e Álvaro García Linera. Costas enfatizou que o pleito não tem legitimidade porque, segundo ele, os candidatos do partido do governo foram habilitados ilegalmente.

Antonio Costas e Dunia Sandoval, membros do Tribunal Supremo Eleitoral, chegaram a pedir a suspensão do pleito alegando que não tem sentido fazer eleições primárias apenas para confirmar candidaturas. Uma missão de Observadores da Organização de Estados Americanos (OEA) está no país para acompanhar a votação.

Nos últimos meses uma possível reeleição de Evo Morales tem levado cidadãos a protestar em diversas cidades do país. Para controlar possíveis manifestações, cerca de 20 mil integrantes das Forças Armadas e da Polícia Boliviana irão garantir a segurança dos locais de votação e das urnas eleitorais nos nove departamentos bolivianos, o equivalente aos estados no Brasil.

A operação foi organizada junto com o Tribunal Supremo Eleitoral, que impôs uma série de restrições que entram em vigor à meia-noite de hoje (sexta-feira) e deverão ser obedecidas até a próxima segunda-feira. O consumo e a venda de bebidas alcoólicas estarão proibidos por durante 48 horas. Também não será permitida a realização de campanhas eleitorais nos centos de votação ou qualquer forma de manifestação pública, contra ou a favor, a alguma candidatura nas imediações e no local de votação.

Desde ontem (quinta-feira) não está permitido fazer campanha ou propaganda eleitoral, a chamada lei do silêncio.

Postura de Evo Morales

O presidente Evo Morales parece ignorar as determinações constitucionais e já faz planos para a eleição de outubro. Ele, que tem 59 anos, pretende ganhar as presidenciais com 70% dos votos e garante ter força para governar por mais cinco anos, tempo de duração do mandato presidencial na Bolívia.

Recentemente Morales fez promessas planejando como seria seu quarto mandato. E fez propostas para manter a Bolívia no ranking dos países com os melhores índices econômicos da região.

entanto, mesmo tendo colocado o país na rota do crescimento, ele já não tem o apoio dos indígenas, sua antiga base de apoio, e é bastante questionado pelas manobras que sua gestão vem fazendo para conseguir se manter no poder.

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