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Sem acordo, "shutdown" nos EUA pode bater recorde neste sábado

Sem acordo,
 
Funcionário da Receita Federal dos EUA (IRS) manifesta com cartazes em frente ao prédio do governo federal contra a paralisação do governo dos EUA, em Ogden, Utah. 10/01/19. REUTERS/George Frey

A paralisação ou “shutdown” do governo americano porque a Casa Branca e o Congresso resolvem jogar duro já é bem conhecida dos americanos. Desde que o atual processo de aprovação do orçamento da União teve início, em 1976, já aconteceram mais de 20 paralisações. Durante o governo de Ronald Reagan, que ocupou a Casa Branca pela maior parte da década de 1980, houve oito shutdowns e, desde 2013, ocorreram quatro dessas paralisações.

Ligia Hougland, correspondente da RFI Brasil em Washington

No entanto, o atual "shutdown" pode bater o recorde de duração que, até agora, é da paralisação de 21 dias, que aconteceu de 5 de dezembro de 1995 a 6 de janeiro de 1996, durante o governo de Bill Clinton.

Se até este sábado os democratas e os republicanos não negociarem uma solução para o impasse da concessão de fundos para uma barreira na fronteira com o México, a paralisação chegará a 22 dias e se tornará a mais longa das últimas quatro décadas.  

O ponto de discórdia que resultou no atual "shutdown", que pode afetar a fonte de renda de cerca de 800 mil funcionários públicos a partir desta sexta (11), é quanto à necessidade e a eficácia de uma barreira física entre os EUA e o México.

Muro da discórdia entre republicanos e democratas

O debate sobre imigração é, por natureza, difícil, por envolver muitos fatores complexos. Justamente por isso, deveria ser discutido de modo informativo e aberto, mas, não é o que tem acontecido nos EUA.

Os dois lados rivais – republicanos e democratas - aproveitam para tentar ganhar vantagem política, em vez de colocar o bem-estar da sociedade como um todo em primeiro lugar.  Assim, o que acontece é uma grande divisão, fomentada pela disseminação de informações enganosas e preconceitos.

Segundo uma pesquisa da CBS News, conduzida em novembro passado, 59% dos americanos é contra ter um muro na fronteira com o México. Mas as posições tem um alto teor partidário, já que 79% dos republicanos apoia a construção de uma barreira,  enquanto que 84% dos democratas e 66% dos independentes dizem se opor ao projeto.

Republicanos acusam democratas de quererem trazer criminosos para dentro do país e os democratas afirmam que os republicanos são contra a imigração de modo geral.

De fato, os democratas querem proteger a fronteira e controlar a imigração ilegal, mas não acreditam que seja necessário ou eficaz ter uma barreira física na fronteira com o México. Eles acham que o dinheiro gasto na construção de um muro pode ser melhor investido em tecnologia e mais agentes de segurança.

Os republicanos, por sua vez, não são contra imigrantes, mas contra a imigração ilegal e não controlada. Eles acreditam que é preciso atrair imigrantes qualificados para contribuir com uma economia cada vez mais especializada e não pessoas que vão competir pelos poucos empregos em setores não automatizados e de salários baixos.

Em vez de acusar os eleitores de Trump de xenofobia, os liberais deveriam tentar entender a preocupação dos americanos sem diploma universitário que perderam poder aquisitivo e empregos com a nova economia automatizada. Embora tradicionalmente democratas, esses eleitores votaram em Trump, que, por muitos anos, também foi mais ligado ao Partido Democrata do que ao Republicano. 

Se, de fato, os conservadores têm interesse em ajudar os eleitores, em vez de assustá-los quanto aos perigos representados pelos imigrantes ilegais – como o alegado aumento na criminalidade e a piora do mercado de trabalho, eles deveriam ouvir sua base, mas também informá-la corretamente. Afinal, as estatísticas indicam que imigrantes ilegais não cometem mais crimes que residentes legais ou cidadãos. Além disso, a imigração só aumenta se há uma economia vibrante no país, e diminui se a economia não vai bem – em outras palavras, é um efeito e não uma causa.

Possibilidade de acordo

A postura inflexível do Congresso - com a maioria democrata na Câmara e a maioria republicana no Senado – dificulta à chegada a um acordo que ponha um fim à paralisação.

Os democratas, que, no passado, já foram a favor de barreiras físicas na fronteira, se recusam a permitir que o presidente republicano consiga garantir esse legado. Trump diz só estar pensando no que é melhor para o país e garante que não desistirá da barreira, apesar de já ter aceitado uma cerca de aço, como a que existe em algumas partes da fronteira, em vez de um muro.  

Com o boné de sua campanha "Faça a América Grande de Novo", Trump voltou a defender nesta quinta-feira a construção do muro, seja ele de concreto ou de aço, em visita à McAllen, no Texas, na fronteira com o México. Cercado de simpatizantes, ele disse que os Estados Unidos precisam do muro porque senão haverá “muitos problemas e muitos mortos”.

O republicano estuda decretar o estado de emergência, que permitiria desbloquear US$ 13 bilhões sem passar pelo Congresso.

No entanto, de certo modo, Trump vai sair ganhando.  Se os democratas não cederem e não sair um acordo até este sábado, o presidente fanfarrão vai gostar de se gabar de ter tido o shutdown mais longo da história.

 


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