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Américas

Colômbia: 5 lideranças sociais assassinadas desde o início do ano

media Homenagem à memória das vítimas de crimes de Estado em Manizales, na Colômbia. Flickr/Movice Colombia

A Colômbia acumula uma triste estatística em 2019: apenas nos primeiros seis dias do ano, cinco importantes líderes de movimentos sociais foram assassinados a sangue frio no país. Para entender o trágico contexto da nação sul-americana, a RFI conversou nesta segunda-feira (7) com o senador colombiano Ivan Cepeda, diretor do Movice (Movimento de Vítimas de Crimes de Estado). Ele acredita que os assassinatos são uma tentativa de sabotar o processo de paz no país.

Maritza Quiroz, líder social em Santa Marta, foi assassinada em 5 de janeiro de 2019 no vilarejo de San Isidro, em Sierra Nevada, na Colômbia. O crime foi denunciado por seu filho, Luis Camilo Bermudez Quiroz, que disse às autoridades que a mulher foi morta em sua residência por vários indivíduos que portavam armas de fogo.

Quiroz era suplente do movimento social Mesa das vítimas de Santa Marta e líder de um grupo de mulheres negras, vítimas de deslocamentos em áreas rurais. A fazenda onde ocorreu o assassinato teria sido concedida a ela e a outras nove mulheres pelo Estado colombiano.

Segundo o senador colombiano Ivan Cepeda, diretor do Movice (Movimento de Vítimas de Crimes de Estado), Maritza era uma camponesa, “líder afrodescendente de mulheres rurais vítimas de violência na costa atlântica colombiana”. “Ela conseguiu, depois de muito esforço, ao lado de outras mulheres, obter a restituição de uma fazenda, que lhe foi entregue pelo governo, onde foi assassinada por homens armados”, relatou Cepeda.

“O assassinato de Maritza se soma a outros quatro, ocorridos nos primeiros cinco dias do ano. Pode-se dizer que, a cada dia de 2019, uma liderança social foi assassinada em nosso país”, desabafa o senador. Ele acredita que se trata de um “número que aumenta a escabrosa série de assassinatos no Equador e na Colômbia, cerca de 430 mulheres e homens, defensores dos Direitos Humanos e Sociais, assassinados”, lamenta.

Objetivo é frustrar o acordo de paz

Para o senador, os assassinos dos líderes sociais querem “precisamente frustrar a implementação do acordo de paz no país”.  “As pessoas mortas têm o perfil de Maritza Quiroz. São pessoas que assumiram a condução de processos que têm a ver com o acordo de paz, por exemplo, no sentido de restituição das terras e a melhora da vida dos camponeses na Colômbia”, diz Cepeda.

O senador acredita que os assassinatos também têm a ver com decisões cidadãs como a “substituição de cultivos ilícitos de forma voluntária, e não de maneira forçada ou através de fumigação de glifosato”. “As pessoas que estão sendo assassinadas são aquelas que lideram territórios onde estavam historicamente assentados o conflito armado e a condução do processo, para que o acordo de paz fosse levado a cabo”, afirma. “São inimigos declarados do processo de paz”, avalia Cepeda.

Ivan Cepeda disse ainda à RFI que, “na Colômbia, a Justiça ordinária não tem nenhum tipo de eficácia”. “As autoridades, apesar de inúmeras declarações contrárias, continuam mostrando que não existe resultados concretos de uma política estatal. Os assassinatos mostram também uma vontade muito firme dos movimentos sociais populares em Colômbia, de mulheres que estão lutando pela terra. Elas querem uma mudança pela paz no país. Esse movimento gera, por sua vitalidade e energia, uma reação violenta de quem quer manter a Colômbia em guerra”, conclui Cepeda.

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