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Américas

Opositora venezuelana pede a Bolsonaro para liderar pressão contra Maduro

media O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em entrevista coletiva internacional, em 18 de setembro de 2018, em Caracas. Fuente: Reuters.

Em uma carta aberta destinada a Jair Bolsonaro, a opositora venezuelana María Corina Machado, líder do Vente Venezuela, movimento de orientação liberal republicana, pede ao presidente brasileiro que faça pressão internacional contra o governo de Nicolás Maduro, uma medida que recebe apoio de boa parte da oposição na Venezuela.

No texto divulgado na véspera da posse (31), a ex-deputada deseja boa sorte ao novo presidente do Brasil e reitera o respaldo da imensa maioria do povo venezuelano. María Corina Machado saúda a preferência de milhões de brasileiros que escolheram nas urnas “as propostas de ordem, progresso, justiça, democracia e liberdade” de Bolsonaro, “ao rejeitarem as práticas corruptas de governos anteriores”.

Segundo a carta, os opositores do governo de Maduro veem na chegada de Bolsonaro ao Planalto “uma oportunidade que vai além das fronteiras brasileiras, sendo que sua mensagem se projeta aos países da América Latina onde regimes ditatoriais pretendem se eternizar no poder, como são os casos da Nicarágua, Bolívia, Cuba e Venezuela”.

Ainda segundo as palavras da ex-deputada, “a Venezuela enfrenta um Estado criminoso que não está disposto a entregar o poder por bem e que somente cederá diante da pressão coordenada de forças internas e externas que o obriguem a entender que a transição à democracia é inadiável”.

Marٌía Corina Machado venceu as eleições para a Assembleia Nacional venezuelana em 26 de setembro de 2010, como a mais alta votação do país. Porém, teve seu mandato cassado em 21 de março de 2014 após ter comparecido, a pedido do Panamá, de uma reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) para falar da situação na Venezuela, em meio aos protestos que assolavam o país.

Relações tensas

Desde o impeachment de Dilma Rousseff e a ascensão de Michel Temer na presidência, em 2016, as relações entre Brasil e Venezuela, antes aliados políticos, se tornaram mais difíceis. O governo brasileiro é crítico da gestão de Nicolás Maduro.

O convívio entre os governantes do Brasil e da Venezuela ficou tenso em dezembro, quando Jair Bolsonaro se recusou a convidar o colega venezuelano para a posse em Brasília por não querer a presença de “representantes de regimes que violam a liberdade de seus povos”, segundo as palavras do novo Chefe de Estado brasileiro.

Reação de Maduro

Em uma longa entrevista transmitida nessa terça-feira (1) pela rede Globovisión, Nicolás Maduro acusou Jair Bolsonaro de ser um “fantoche” dos Estados Unidos.

"Com a chegada do governo de extrema direita neofascista de Jair Bolsonaro, é como se o poder brasileiro fosse entregue em uma bandeja de prata para as empresas transnacionais norte-americanas, servindo para as suas políticas tanto no Brasil como no nosso continente," afirmou Maduro.

No início de dezembro, o presidente chavista já havia acusado seu colega brasileiro de preparar uma conspiração contra ele, com o apoio dos Estados Unidos e da Colômbia. As relações entre o Brasil e a Venezuela, já degradadas pela presença de milhares de migrantes venezuelanos na fronteira entre os dois países, não devem evoluir nos próximos meses.

 

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