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Américas

Cuba celebra hoje 60 anos da Revolução isolada pela guinada dos vizinhos à direita

media O presidente cubano, Miguel Diaz-Canel. REUTERS/Fernando Medina

Fonte de inspiração para a esquerda da América Latina, a Revolução Cubana comemora nesta terça-feira (1) o seu 60º aniversário, enfrentando dificuldades econômicas e cada vez mais isolada diante do avanço da direita na região.

Por uma coincidência de calendário, esta histórica comemoração coincide com a posse do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro. O Brasil dá uma guinada ultraconservadora, como fizeram anteriormente, mas de maneira mais branda, Argentina, Chile e Peru.

Santiago de Cuba (sudeste), "o berço da Revolução", receberá o ato central das festividades, que se anunciam discretas e sem dirigentes estrangeiros. O ex-presidente Raúl Castro fará um discurso às 17h no horário local, 20h de Brasília, no cemitério que guarda as cinzas de seu irmão e pai da Revolução Cubana, Fidel Castro.

Raúl estará acompanhado pelo novo presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, de 58 anos. No cargo desde abril, Días-Canel não conta com a mesma legitimidade dos irmãos Castro por não ter combatido a ditadura de Fulgencio Batista. Na véspera do aniversário, o presidente tuitou: "Sessenta e mais. Viva a Revolução Cubana, Viva Cuba (...) Parabéns ao povo cubano no novo ano."

As razões para comemorar são, no entanto, questionáveis. "O legado histórico da Revolução Cubana parece muito desgastado, tanto do ponto de vista político quanto econômico", assinala Jorge Duany, diretor do Instituto de Pesquisas Cubanas da Universidade Internacional da Flórida.

Novos desafios

Mais crítico que Duany, o opositor Vladimiro Roca disse à agência AFP que a Revolução "vai se extinguir pelo seu próprio peso: em primeiro lugar, a juventude já está cansada, não acredita em nada disso, e, em segundo, já não tem apoio nenhum no exterior".

Amada e odiada, os seguidores de uma Revolução que inspirou a maioria dos movimentos de esquerda na América Latina destacam as conquistas em educação e saúde, mas seus críticos lhe atribuem uma gestão desastrosa da economia, a falta de liberdades civis e a existência de presos políticos.

Após um 2018 marcado por dificuldades econômicas, Díaz-Canel previu no Twitter que este "será um ano de desafios, combates e vitórias". O governante sustenta que "a batalha mais importante" é a economia, que cresceu apenas 1,2% em 2018, muito abaixo dos 5% necessários para impulsionar o desenvolvimento econômico da ilha, segundo especialistas locais.

O país ilha, que já foi o primeiro produtor mundial de açúcar, teve que importá-lo recentemente da França. E no final do ano os cubanos enfrentaram a escassez de farinha e ovos.

"A cada ano o governo importa cerca de dois bilhões em alimentos, e estes gastos não resolvem a segurança alimentar no país", destacou Marlene Azor, ex-professora da Universidade de Havana, em um relatório do Centro para a Abertura e o Desenvolvimento da América Latina (Cadal). Para Azor, "o 'modelo de bem-estar' que foi exportado durante décadas pelo governo de Cuba como paradigma de desenvolvimento (...) demonstrou a sua estagnação e regressão a partir da perda dos subsídios soviéticos e do resto dos países" do bloco comunista da Europa Oriental.

Nova Constituição

Para "atualizar" o modelo econômico, Cuba submeterá a referendo em 24 de fevereiro uma nova Constituição, que reconhece o papel do mercado, da propriedade privada e do investimento estrangeiro em sua economia. Contudo, a nova Carta Magna assegura que Cuba "jamais" retornará ao capitalismo e ratifica o destino "comunista" de sua sociedade, além do sistema de partido "único".

Enfrentando a política hostil de Donald Trump e o agravamento do embargo que Washington aplica contra a ilha desde 1962, o panorama dos aliados de Havana não é nada bom: uma Venezuela em crise que luta para assegurar suas entregas de petróleo à ilha. E embora o presidente russo, Vladimir Putin, tenha qualificado Cuba, no domingo (30), como um "sócio estratégico e aliado de confiança", em mensagens enviadas a Raúl Castro e a Díaz-Canel, não está disposto a subsidiá-la como a União Soviética fez. A China, outro parceiro potencial, também não está interessada.

Sobra a Coreia do Norte, país que Díaz-Canel visitou em novembro. Pyongyang e Havana planejam assinar em janeiro um acordo de comércio e colaboração na capital cubana, segundo a agência oficial Prensa Latina.

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