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Livro e exposição em Berlim contam história de judeu que se refugiou no Brasil fugindo do nazismo

Livro e exposição em Berlim contam história de judeu que se refugiou no Brasil fugindo do nazismo
 
Livro e exposição em Berlim contam história de judeu que se refugiou no Brasil fugindo do nazismo. Arquivo de Família

O carioca Rafael Cardoso chegou à Alemanha em 2012 para escrever a biografia de seu bisavô, um alemão que teve importante papel cultural no país europeu no início do século passado e se refugiou no Brasil para fugir do nazismo.

Marcio Damasceno, correspondente em Berlim

O livro que Cardoso veio escrever na Europa, um romance histórico, foi lançado no Brasil em 2016 com o título "O Remanescente" – "Das Vermächtnis der Seidenraupen" (o legado dos bichos-da-seda) na versão alemã.

Inicialmente, o historiador pretendia passar uma temporada de dois anos na Alemanha, mas o tempo foi passando e o carioca já mora há seis anos no país. “Vim escrever o livro, minha mulher veio fazer um mestrado. Nossa intenção era ficar só esse tempo. Mas os dois anos se passaram, ela terminou o mestrado, eu terminei o livro. E Berlim meio que abraçou a gente”, conta.

Na publicação, o escritor carioca e historiador da arte resgata a história da vida de seu bisavô Hugo Simon, que era tratado como um segredo de família e que permaneceu escondida durante décadas. Uma história que o perseguia há mais de 30 anos, desde quando ele descobriu fotos e documentos antigos entre os pertences de sua avó.

Banqueiro, mecenas e colecionador de arte, Simon foi uma das figuras mais importantes da vida cultural da capital alemã do início do século 20, no período entreguerras. Foi ministro das Finanças, amigo de personalidades como Thomas Mann, Bertolt Brecht e Albert Einstein.

De família judia e socialista, ele fugiu do nazismo em 1933, indo para a França e seguindo para o Brasil em 1941, onde morreu em 1950, praticamente no anonimato. “Ele foi para o Brasil com nome falso. Era a forma que as pessoas tinham de escapar da Europa. E, como ele estava vivendo sob identidade falsa, as pessoas não sabiam que ele estava lá, e ele ficou praticamente esquecido na Europa”, ressalta Cardoso. “Na Alemanha, ninguém soube mais dele. Então, imagina, uma pessoa extremamente influente, conhecida por todo mundo em Berlim antes da Segunda Guerra e que depois desapareceu, sumiu.”

A vida de Hugo Simon é tema da exposição “Hugo Simon: O banqueiro vermelho exilado no verde”, organizada por Rafael Cardoso e que está sendo exibida até 15 de dezembro na Embaixada do Brasil em Berlim. A mostra exibe fotografias e documentos de época e é mais uma tentativa do escritor de fazer com que a Alemanha redescubra um importante personagem da sua história, que tinha simplesmente desaparecido.

O escritor e historiador da arte Rafael Cardoso. Patricia Breves

“A ideia dessa exposição é recuperar essa figura absolutamente emblemática de uma época que sumiu do mapa europeu e que ressurgiu no Brasil de uma forma transformada, sendo basicamente outra pessoa, outra vida”, salienta Cardoso. “No Brasil, ele vivia de agricultura, ele tinha uma fazenda de plantas medicinais no interior do estado do Rio de Janeiro e depois trabalhou com criação de bicho-da-seda em Minas Gerais, em Barbacena.”

Paralelamente à exposição, o escritor também está lançando na Alemanha uma coletânea de ensaios e fotos intitulada “Hugo Simon in Berlin” (Hugo Simon em Berlim) organizada por ele, em parceria com a especialista em história e literatura judaicas Anna-Dorothea Ludewig, que também divide com Cardoso a curadoria da exibição em cartaz na embaixada do Brasil em Berlim.

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