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Américas

Investimentos de Riad no Vale do Silício são criticados após morte de jornalista

media Manifestantes e amigos do jornalista saudita Jamal Khashoggi protestam em frente à embaixada saudita em Istambul, 8 de outubro 2018 REUTERS/Murad

O CEO da empresa Uber, a diretora da área de cloud da Google, o chefe de uma incubadora de startups: vários dirigentes do Vale do Silício já avisaram que não estarão presentes na Arábia Saudita para a Future Invesment Initiative (FII), considerada a “Davos do deserto”.

Os anúncios começaram a ser feitos após o desaparecimento do jornalista saudita do Washington Post, Jamal Khashoggi, que, segundo autoridades turcas, teria sido assassinado no dia 2 de outubro durante uma visita ao consulado de seu país em Istambul. O acontecimento coloca em risco a relação entre a capital das novas tecnologias e Riad, que, desde 2016, injetou bilhões de dólares em startups americanas.

Desde que chegou ao poder, o príncipe herdeiro, Mohammed Bin Salman, tenta sair da dependência do petróleo, principalmente investindo pesado em novas tecnologias. Para o Vale do Silício, a Arábia Saudita se tornou muito mais do que um novo mercado, já que há dois anos o país passou a injetar bilhões de dólares em empresas americanas.

“As companhias que se dizem as mais idealistas do mundo aceitam facilmente o dinheiro mais sujo do planeta para alavancar seu crescimento”, denunciou o jornalista Anand Giridharadas, que se expressou no domingo (14) durante uma conferência em São Francisco organizada pela revista Wired. Um dia antes, em uma coluna publicada no New York Times, ele sugeriu às startups que devolvessem o dinheiro do governo saudita.

A Uber é uma das empresas que recebeu grandes quantias vindas do maior país da Península Arábica. Em 2016, o aplicativo recebeu US$ 3,5 bilhões do Public Investment Fund (PIF), o principal fundo soberano da Arabia Saudita, cujo diretor faz parte, agora, do conselho de administração da Uber. Mesmo assim, o CEO da companhia americana, Dara Khosrowshahi, foi um dos primeiros a anunciar que não participaria da conferência FII, que vai acontecer entre os dias 23 e 25 de outubro em Riad.

Desde então, outros dirigentes responsáveis pelo setor tecnológico também abriram mão do evento, apelidado de “Davos do deserto”. É o caso de Diane Greene, administradora do cloud computing (computação em nuvem, em português) da Google, ou ainda Steve Case, antigo CEO da AOL que se tornou investidor. No entanto, os dirigentes da Lucid Motors, fabricante de automóveis elétricos, concorrente da Tesla, confirmaram que vão estar presentes em Riad. Em setembro, a companhia recebeu US$ 1 bilhão do PIF.

Nomes envolvidos em projeto saudita de cidade do futuro se retiram

Várias outras personalidades do Vale do Silício estão envolvidas no projeto Neom, um plano faraônico de megalópole do futuro na Península Arábica, cujo o custo está orçado em US$ 500 bilhões. Terça-feira passada (9), em meio ao escândalo do desaparecimento de Khashoggi, o governo saudita publicou uma lista de 18 conselheiros. Nela aparecem nomes como o de Marc Andreessen, renomado investidor, Travis Kalanick, fundador da Uber, ou ainda Sam Altman, diretor da incubadora Y Combinator. Este último já anunciou que se retirava do projeto.

Na França, o jornal Le Monde afirma que a grande questão é saber se as empresas do Vale do Silício vão continuar aceitando dinheiro vindo da Arábia Saudita. O bilionário Richard Branson disse que está disposto a renunciar ao bilhão de dólar prometido pelo PIF à Virgin Galactic, sua empresa de turismo espacial.

Se a relação entre as empresas americanas e Riad piorarem, com cada vez mais indícios contra o país no caso Khashoggi, as ambições dos gigantes americanos da tecnologia também poderão ser afetadas. A Apple quer abrir suas primeiras lojas na Arábia Saudita. A Amazon e a Alphabet, a empresa que controla a Google, estão negociando a criação de data centers no país.

Em abril, quando fez uma viagem oficial pelos Estados Unidos, o príncipe herdeiro Mohammed Bin Salman foi recebido por Tim Cook, Jeff Bezos e Sundar Pichai, os CEOs das três respectivas empresas. Mas também conversou com Mark Zuckerberg, do Facebook, e a Microsoft.

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