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Brasileiros revigoram a noite da boliviana Santa Cruz de la Sierra

Brasileiros revigoram a noite da boliviana Santa Cruz de la Sierra
 
Oseias Franco Pietro Ferreira abriu há dois anos o “Buteco”, que se tornou um dos bares mais concorridos em Santa Cruz. E. Jorge

Poderia ser em qualquer lugar do Brasil, mas estamos em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. A cidade atrai todos os anos centenas de brasileiros que vêm estudar Medicina, Odontologia e outras carreiras de nível superior.

Elianah Jorge, correspondente da RFI na Bolívia

A presença dos brasileiros alterou o cotidiano da cidade, que se tornou atraente pelo relativo baixo custo de vida e pela localização perto da fronteira com o Brasil. Estes fatores fizeram com que as universidades locais e a cidade fossem tomadas pelos “brazucas”.Nas ruas é comum ouvir pessoas falando português e nas festas e rádios, muita música brasileira.

A fama de festeiro do brasileiro se juntou com a do boliviano e esse traço cultural comum vem abrindo os olhos de muitos empreendedores, sobretudo os da área de entretenimento. É o caso de Oseias Franco Pietro Ferreira. Paulistano de Bauru, ele chegou há cinco anos em Santa Cruz para estudar Medicina. Mas decidiu apostar em um negócio promissor e há dois anos abriu o “Buteco”, que se tornou um dos bares mais concorridos da cidade.

“As pessoas dizem que, por parecer o Brasil, o “Buteco” tem um encanto. O pessoal chega aqui e não quer ir embora. Muitas vezes eu tenho que fechar e o pessoal fica gritando”, explica o empresário. Pietro conta que foi ousado e rompeu com a praxe dos bares de Santa Cruz ao implementar um estilo, até então, desconhecido por aqui. “No Brasil 90% dos barzinhos são abertos. As pessoas diziam que eu era louco de fazer um negócio aberto, porque em Santa Cruz todos os bares são fechados”.

Casa cheia

Em dia de casa cheia, o empreendimento de Pietro recebe cerca de 900 pessoas. Mas na época da Copa do Mundo, por volta de 1.400 pessoas foram ao bar curtir os jogos da seleção verde e amarela. Com uma programação 100% brasileira, o som ao vivo fica a cargo de estudantes oriundos do Brasil que, nas horas vagas, fazem “bico” como músicos em Santa Cruz.

Entre os 45 funcionários do “Buteco” estão brasileiros e bolivianos. Mas a feijoada, servida aos domingos, é feita por uma boliviana que aprendeu os segredos deste que é um dos principais pratos da nossa culinária. Mas nem tudo são flores para apostar no setor de entretenimento na Bolívia. Pietro conta que a carga tributária para as bebidas alcoólicas no país é bastante alta, podendo chegar a 40%, dependendo do produto.

Akram Salleh, outro brasileiro que há sete anos investe no ramo de exportação de bebidas do Brasil para a Bolívia, concorda. De acordo com ele, “existe uma política do governo para inibir o consumo de bebidas alcoólicas no contexto geral e, por este motivo, a tributação, não vou nem dizer, é fortíssima”.

Economia dá sinais de desaceleração

Embora o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirme que a Bolívia é uma das economias mais dinâmicas do continente, com um crescimento previsto para este ano de 4,3%, na prática os empresários têm outra perspectiva. "Até 2015, 2016, o consumo era maior e a gente vê que nesses dois últimos anos houve retração, então eu acredito que exista uma crise por mais que ela não seja divulgada", diz Salleh.

Mas essa ameaça não chega a abalar, por exemplo, as metas da Casa Di Conti, empresa do ramo de bebidas. É o que conta o também brasileiro Carlos Eduardo Rodrigues, gerente de exportação desta marca produtora de cervejas, refrigerantes e bebidas destiladas, originária da cidade de Cândido Mota, no interior de São Paulo. “Nossa ideia é focar num produto específico para o mercado boliviano para tentar nos aproximar da cultura boliviana”, explica Rodrigues.

Brasileiros ajudam a criar mercado

Para introduzir novos produtos na Bolívia, como as cervejas e outras bebidas consumidas no Brasil, a comunidade brasileira por aqui tem, mesmo sem saber, uma importante missão. “Muitas vezes esses jovens universitários brasileiros são formadores de opinião. São aqueles que criam uma moda dentro da cidade de Santa Cruz e os jovens bolivianos se espelham neles”.

Dados não oficiais apontam que pelo menos cinco mil brasileiros vivem em Santa Cruz de la Sierra, número suficiente para incentivar até mesmo os empresários bolivianos a investir no entretenimento para brasileiros.

É o caso de Alberto Gil, o dono do Chopão, uma casa de shows que recebe até 500 pessoas por noite e tem planos de expansão. Ele explicou por que prefere apostar no público brasileiro.
 “O público boliviano é nômade. Por exemplo, abre um local, fica por três meses e daqui a pouco já abre outro local e eles vão para outro lugar. Ao contrário, o público brasileiro, se gostar de um lugar, vem sempre ao mesmo lugar”.  

Nos últimos anos, por causa da alta do dólar no Brasil, o número de brasileiros em Santa Cruz de la Sierra diminuiu, mas não o suficiente para minguar a animada e intensa noite “cruceña”, que começa na quarta-feira e vai até domingo pela manhã.

Pietro conta que foi ousado e rompeu com a praxe dos bares de Santa Cruz ao implementar um estilo, até então, desconhecido E. Jorge

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