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Greve geral contra política econômica de Macri paralisa Argentina

Greve geral contra política econômica de Macri paralisa Argentina
 
Outdoors dizendo "Fim das mentiras - Adeus, (presidente argentino) Macri" fora do Ministério da Economia em Buenos Aires, Argentina, 19 de setembro de 2018. REUTERS/Marcos Brindicci

Desde a meia-noite desta terça-feira (25), a Argentina enfrenta a sua quarta e mais contundente greve geral em quase três anos de governo do presidente Mauricio Macri. O país está completamente paralisado. Os grevistas são contra a política econômica de Macri, que está em Nova Iork para a Assembleia Geral da ONU com uma agenda paralela para tentar convencer investidores, executivos, banqueiros e analistas sobre o futuro promissor da economia argentina.

 

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

A Argentina vive um dia de completa paralisação. Não há nenhum meio-de-transporte público: nem ônibus, nem metrô, nem trens. Pelo menos 15 milhões de pessoas estão sendo afetadas pelo movimento. Nos aeroportos, todos os voos nacionais ou internacionais foram cancelados, o que pode prejudicar 77 mil passageiros afetados, sendo que 37 mil têm viagens internacionais marcadas em 660 voos. Não há transporte de caminhões, bancos, comércios, escolas, universidades e repartições públicas foram fechadas.

Quem tenta usar o próprio carro para circular pode ficar preso nos principais acessos a Buenos Aires, já que as ruas e as avenidas foram bloqueadas pelos manifestantes. A greve deve causar um prejuízo de US$ 850 milhões ao país, o equivalente a 0,2% do PIB, segundo o próprio governo. Na verdade, alguns setores começaram a greve já na segunda-feira (24). Movimentos sociais, partidos de esquerda e sindicatos de trabalhadores do Estado bloquearam avenidas e marcharam em protesto contra o governo.

Líderes sindicais questionam política do governo

Os líderes sindicais questionam a política econômica do governo e exigem reposição salarial e também rejeitam o acordo com o FMI. Neste ano, os sindicatos que melhor negociaram reajustes salariais, conseguiram 25% de aumento, mas a inflação deve fechar o ano entre 42 e 45%.

Os economistas preveem que, por mais reposição que houver, os salários devem perder cerca de 10% do poder de compra. O desemprego subiu quase um ponto, de 8,7% a 9,6%. Mas a cifra ainda não considera o pior da crise nestes últimos cinco meses quando o peso argentino perdeu 50% do seu valor em relação ao dólar. Foi a moeda emergente mais castigada.

Para o governo, essa greve tem motivação política. Os sindicatos mais combativos são ligados à oposição. Um dos líderes sindicais, Pablo Micheli, por exemplo, anunciou horas atrás que "vão fazer todas as greves necessárias" e que "ou este modelo econômico cai ou essas pessoas deixam o governo". É uma mensagem contraditória com o objetivo do presidente Mauricio Macri, que tenta convencer o exterior de que a Argentina entrou numa fase de estabilidade econômica.

O presidente argentino está em Nova Iork para a Assembleia Geral da ONU, mas a prioridade do governo nesta viagem passa mais pela agenda paralela em reuniões com os principais agentes econômicos de Wall Street. O chefe de Estado reuniu-se com investidores, banqueiros, empresários e analistas para anunciar que "o pior já passou" e que "a Argentina começa uma recuperação econômica".

Intervenção na Venezuela

No jantar oferecido pelo seu amigo, Donald Trump, Macri sentou-se ao lado da diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde. É possível que até sexta-feira haja o anúncio de um novo acordo financeiro com o FMI. Para o governo, ao contrário do que os grevistas acusam, o acordo com o FMI é um aval às medidas adotadas para numa nova fase de confiança e de estabilidade que permita justamente aliviar a tensão social no país.

Essa deve ser a mensagem de Macri também durante o discurso na ONU. Macri deve anunciar que a situação econômica foi estabilizada e que o país volta a crescer a partir do ano que vem. PO presidente argentino deve mostrar como o país está lutando contra a corrupção e deve pedir uma intervenção humanitária na Venezuela, em vez de uma militar. Argentina, Chile, Colômbia e Peru têm pronta uma demanda na Corte Penal Internacional contra o venezuelano Nicolás Maduro por delitos de lesa humanidade.

Antes do discurso, os presidentes de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai vão-se reunir para analisarem os avanços nas negociações de livre comércio do Mercosul com a União Europeia, com a Associação Europeia de Livre Comércio, com o Canadá, com Cingapura, com a Coreia do Sul e talvez com o Japão. São todas negociações que o Mercosul pretende fechar em breve.


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