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Américas

11/9: Após 17 anos, muitas vítimas dos atentados em NY podem continuar sem identificação

media 11 de setembro de 2001. AFP/Spencer Platt

Dezessete anos depois dos atentados que derrubaram as Torres Gêmeas de Nova York, os restos mortais de mais de 1.100 vítimas ainda aguardam identificação.

11 de setembro de 2001. Às 8h46, o voo AA11 da American Airlines atinge a torre norte do World Trade Center, as Torres Gêmeas, um símbolo de Nova York. Às 9h03, um segundo avião se choca na torre sul, ao vivo pela TV. Menos de uma hora depois, a torre sul desaba, logo seguida pela gêmea.

Até hoje, 2.753 pessoas foram oficialmente declaradas mortas no atentado mais sangrento da história. Mas apenas 1.642 (60%) foram identificadas pelo Instituto Médico Legal de Nova York. No entanto, uma equipe em Manhattan continua incansavelmente a tarefa com a ajuda dos últimos avanços tecnológicos.

Testes e mais testes

De segunda a domingo, sem descanso, o protocolo se repete dezenas de vezes. Um fragmento de osso no local dos ataques de 11 de setembro de 2001 é cortado, reduzido a pó e depois misturado com dois produtos químicos que permitem expor o DNA e depois extraí-lo.

Ao menos essa é a teoria, mas na prática o sucesso não está garantido. "O osso é o elemento biológico mais difícil de se trabalhar" para recuperar o DNA, explica Mark Desire, vice-diretor de Biologia Forense no IML de Nova York. A essa complexidade natural se acrescentam as condições às quais foi exposto o fragmento em 11 de setembro de 2001 e nos dias seguintes. O fogo, a umidade, as bactérias, a luz do sol, o combustível dos aviões que bateram nas torres do World Trade Center, "tudo isso destrói o DNA", segundo Desire.  

Os cerca de 22.000 fragmentos humanos encontrados no local desde o atentado já foram testados, alguns deles entre 10 e 15 vezes. Mas 1.000 ainda resistem à identificação. Até agora, 1.642 das 2.753 pessoas mortas nos ataques de Nova York foram formalmente identificadas, e 1.111 permanecem desaparecidas.

Equipe perseverante

Às vezes o laboratório passa anos sem conseguir identificar um fragmento. Mas os médicos legistas se negam a se dar por vencidos. "Nosso compromisso hoje é o mesmo hoje de 2001", assegura Desire, à frente do laboratório com os melhores recursos e orçamento da América do Norte.

Em julho, cerca de um ano depois da última identificação, o laboratório conseguiu acrescentar um nome à lista: Scott Michael Johnson, um analista financeiro de 26 anos que trabalhava no 89º andar da torre sul.

"Quando me disseram, fiquei muito feliz", lembra Verónica Cano, especialista forense do laboratório. "Somos treinados para nos protegermos" emocionalmente, diz, "mas isso nos afeta igualmente, porque é algo que abala todo mundo, de uma maneira ou de outra".

Emoção das famílias

As famílias dos desaparecidos os visitam de tempos em tempos. "É difícil não se emocionar com os abraços e os agradecimentos", reconhece Cano.

O papel dos familiares é essencial no plano técnico, pois a identificação só é possível por meio da comparação com uma amostra de DNA fornecida pelas famílias.

O Instituto Médico Legal conta com 17.000 amostras, mas nenhuma para 100 vítimas que, possivelmente, nunca poderão ser identificadas.

Um procedimento muito preciso foi idealizado para permitir aos familiares decidir se serão informados sobre a identificação de seu ente querido desaparecido, e de que maneira.

"Quando anunciam para você, te levam de volta àquele dia, à maneira horrível como morreram", explica Mary Fetchet, fundadora da associação "Vozes do 11 de setembro", que perdeu seu filho de 24 anos, Brad, nos atentados. "Mas também é reconfortante, porque pode oferecer um verdadeiro enterro a quem se ama", afirma.

Tecnologia de ponta

Mark Desire é o único membro da equipe inicial que ainda está na função. "Isso marcou a minha carreira", assegura. Mas não dá sinais de cansaço e seus olhos ficam iluminados quando menciona as novidades tecnológicas que ainda pode usar para tentar identificar os restos mortais.

Em 2001, o chefe do Instituto Forense, Charles Hirsch, compreendeu que o tempo seria um aliado da identificação e ordenou a conservação de todos os restos humanos.

Quando Desire recebe as famílias, "falamos com eles do futuro e com o que estamos trabalhando agora que nos permitirá fazer mais identificações".

Em 2001, os atuais especialistas de seu laboratório "provavelmente estavam no ensino fundamental", diz com um sorriso. "Mas sabem o quão importante é essa tarefa".

Equipes do mundo inteiro, da Argentina à África do Sul, chegam hoje a Nova York para aprender com eles, que compartilham seu conhecimento sem reservas.

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