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Américas

Corrupção fragiliza Trump, mas não há risco de impeachment, diz especialista

media O braço direito de Donald Trump, Michael Cohen REUTERS

Com a condenação de dois de seus advogados pessoais, o presidente norte-americano Donald Trump encontra-se mais uma vez no seio de uma grande polêmica nos EUA. Em entrevista à RFI, Anne Deysine, professora da universidade de Nanterre e especialista em questões ligadas à Justiça americana, faz uma análise da situação e afirma que imagem de Trump já está desgastada em meio aos diversos casos de corrupção, embora impeachment seja descartado por hora.

 

Michael Cohen e Paul Manafort, os dois advogados de Trump, são acusados de fraude fiscal e bancária, além de violação das leis de financiamento de campanha eleitoral. Para Deysine, as revelações envolvendo Cohen são muito mais importantes, uma vez que os crimes foram cometidos durante o período de sua colaboração com o presidente norte-americano. Já os delitos de Manafort ocorreram anos antes de sua atuação como empregado do chefe de Estado.

“Cohen está ligado a tudo o que Trump fez por anos e anos. Ele revela transações financeiras duvidosas, lavagem de dinheiro e tantas outras coisas”, afirma. “No papel, Cohen é advogado, mas para Trump ele era basicamente o homem que solucionava os problemas”.

Quando as relações sexuais que Trump mantinha com uma atriz pornô e uma ex-modelo da PlayBoy vieram à tona, por exemplo, quem comprou o silêncio das duas envolvidas foi Cohen. “O fato de transferir U$ 130 mil à estrela pornô foi considerado uma violação das leis de financiamento eleitoral, já que todos os gastos devem ser documentados”, diz Deysine.

Cohen, que era bastante próximo de Trump, havia jurado lealdade total ao presidente, mas, de acordo com a especialista, as acusações eram graves demais para que ele recusasse uma colaboração com as autoridades norte-americanas. “Ele corria o risco de ficar preso por muitos anos e começou a entender que haveria muitos problemas se ficasse calado.”

Trump permanece intocável

Apesar da gravidade das acusações, Anne Deysine é cética quanto a uma punição imediata do presidente dos EUA. “Acho que não vai mudar nada, nem no plano penal, nem no plano político. Mas o que está vindo à tona é esse clima generalizado de corrupção e de violação das leis. Pesquisas já mostram que esse tema é um fator que pode levar os eleitores a escolherem um candidato novo que se proponha a lutar contra a corrupção”, analisa.

Deysine explica que, como o caso de Trump não remete às instâncias civis, como ocorreu com a acusação de agressão sexual contra o ex-presidente norte-americano Bill Clinton, o atual dirigente não pode ser convocado para depor. “Quanto a Clinton, a Suprema Corte conseguiu fazê-lo testemunhar pois era um caso de agressão sexual. Quanto a Trump, como se trata de uma instância penal, a jurisprudência argumentará que não se pode penalizar um presidente.”

Se um procurador federal acusasse Trump, isso seria imediatamente contestado pelos advogados do presidente e o caso terminaria num Tribunal Federal. Nesse tipo de situação, a jurisprudência argumentaria que, por se tratar de uma acusação que envolve a separação dos três poderes, não seria possível julgá-la, de acordo com Deysine. 

Ainda que o clima de insatisfação com o governo Trump não pare de aumentar diante de todas as polêmicas e casos de corrupção, Deysine acredita ser difícil acontecer um impeachment no cenário político norte-americano atual. “Até 2018, os Republicanos são maioria e nem querem ouvir falar de destituição. Mesmo se os Democratas fossem maioria, seria preciso que uma parte dos Republicanos aceitasse trair o presidente”, diz.

Além disso, os Democratas também acreditam que existe um risco muito alto em caso de impeachment. Deysine lembra que há uma enorme polarização dos meios de comunicação nos EUA sem uma verdadeira base teórica sólida. “Para as mídias de direita, as acusações não passam de uma armação. Para os jornais de esquerda, é um caso grave que pode levar a uma acusação contra Trump. Na realidade, não é nem um, nem outro.”

Com informações de Florence Thomazeau

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