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Novo presidente do Paraguai toma posse em meio à crise política

Novo presidente do Paraguai toma posse em meio à crise política
 
Mario Abdo Benítez, na terça-feira (14), um dia antes da posse como presidente do Paraguai. REUTERS/Jorge Adorno

Mario Abdo Benítez toma posse nesta quarta-feira (15) como o novo presidente do Paraguai, em meio a protestos contra a corrupção. Empresário e filho do ex-secretário pessoal de Alfredo Stroessner, ditador que governou o país de 1954 a 1989, o novo chefe de Estado promete lutar contra o narcotráfico, a lavagem de dinheiro e fortalecer as pequenas e médias empresas nesta que é a nação com o melhor crescimento econômico na América do Sul, mas que enfrenta grandes divergências sociais. 

Elianah Jorge, correspondente da RFI 

"Marito Abdo", como é chamado no Paraguai, recebe um país economicamente forte e que, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), deve crescer 4,5% neste ano. Mas este empresário de 45 anos, dono de duas companhias, recebe a faixa presidencial de um país que exige o fim da corrupção. 

Os acessos ao Palácio de López, sede da presidência do Paraguai, estão sob forte segurança nesta quarta-feira. Impedida de protestar na região onde a posse é realizada, a população organiza protestos em outros pontos da capital Assunção.

Os nervos da população estão à flor da pele depois que o ex-deputado José María Ibáñez admitiu ter pago seus empregados particulares com o dinheiro do Estado. Além disso, uma série de áudios vazaram, comprometendo a imagem do Poder Judiciário. 

Mario Abdo Benítez vive um racha em seu partido, o Colorado. Por causa de uma divergência interna, o ex-presidente paraguaio Horacio Cartes, que é da ala Honor Colorado, não vai passar a faixa a "Marito", que é da ala Colorado Añetete. 

Desafios na presidência

Formado em marketing nos Estados Unidos, "Marito" Abdo adotou o lema “Paraguai das Pessoas” como lema de seu governo. O novo presidente tem o principal desafio de manter o país na rota do desenvolvimento e dar mais atenção à população indígena, 30% da população paraguaia. O governo também quer fortalecer as pequenas e médias empresas e incentivar a agricultura familiar. 

Mario Abdo Benítez escolheu Benigno López, seu meio-irmão, para ser ministro da Fazenda, embora no Paraguai a escolha de familiares para cargos públicos esteja proibida. López trabalhou no Banco Central do Paraguai e esteve na equipe que enfrentou a última crise econômica do país. 

"Marito" conta com o apoio da Associação Rural do Paraguai (ARP) e da União Industrial Paraguaia (UIP), ambos contentes com a formação do gabinete econômico. Mas o empresariado enfatiza que o novo presidente precisa focar na produção primária e promover ações para reduzir a informalidade na economia. 

Outra novidade do governo que toma possa nesta quarta-feira é a promessa da paridade de sexos nos ministérios e secretarias. O novo presidente diz que pretende promover o empoderamento econômico feminino e lutar pelo fim da violência à mulher. Em contrapartida, tem uma posição conservadora sobre outras questões, sendo, por exemplo, contra a legalização do aborto.

Temer participa da cerimônia de posse

Os presidentes da Argentina, Mauricio Macri, do Uruguai, Tabaré Vásquez, do Chile, Sebastián Pinera e do Brasil, Michel Temer, são esperados para a cerimônia posse em Assunção. O boliviano Evo Morales já está na capital paraguaia. O único excluído do evento foi o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Logo após ganhar as eleições, em abril deste ano, Mario Abdo Benítez realizou várias viagens internacionais. O Brasil foi o primeiro deles. No encontro com Michel Temer, o novo presidente paraguaio falou sobre a venda energia elétrica - o principal produto exportação do Paraguai -, além da luta contra o narcotráfico e a lavagem de dinheiro. 

Mario Abdo Benítez também visitou a Bolívia, a Argentina, o Chile e os Estados Unidos, onde se reuniu com o Secretário do Tesouro e também com a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde. Na Rússia, "Marito" foi recebido pelo presidente Vladimir Putin. 

Forte impopularidade de Horacio Cartes

No Paraguai, o mandato de presidente é de cinco anos. Horácio Cartes, que entrega a faixa a Mario Abdo Benítez nesta quarta-feira, estava desde 2013 no comando do país.

A boa situação econômica do Paraguai, no entanto, não se reflete na popularidade de Cartes, que é de apenas 18%. Ela começou a se deteriorar quando o colorado tentou uma manobra política em busca da reeleição, proibida pela legislação paraguaia. 

No Paraguai, após cumprir o mandato, o presidente se torna senador vitalício e sem poder de voto, mas Cartes tentou contornar a lei. O plano era renunciar à presidência e voltar como senador eleito por voto popular. Mas o Congresso não aceitou a manobra. 

A impopularidade de Cartes foi reforçada depois que o Paraguai foi prejudicado quando ele assinou um contrato com a Argentina para vender a produção de energia da Hidrelétrica de Yacyretá. 

A insatisfação dos paraguaios vai além disso. Uma recente pesquisa publicada pelo jornal “Última Hora”, aponta que 52% da população acreditam que a corrupção aumentou no país durante o governo de Cartes. 


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