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Américas

Presidente do Supremo Tribunal do Peru se demite na maior crise da história da Justiça no país

media Manifestantes protestam contra corrupção da Justiça em Lima, em 19 de julho de 2018. REUTERS/Mariana Bazo

Há quase duas semanas a Justiça peruana passa pela mais séria crise de sua história, com a divulgação de gravações comprometedoras que parecem provar um comércio maciço de influência. O fato provocou uma onda de renúncias do Judiciário, bem como do ministro da Justiça, Salvador Heresi.

Eric Samson, correspondente da RFI no Peru

Milhares de peruanos se manifestaram nesta quinta-feira (19), em Lima e várias cidades do país, para protestar contra a corrupção de muitos juízes e promotores no país. A população recebeu apoio do presidente Martin Vizcarra, que disse entender sua raiva.

Em uma das gravações transmitidas pela mídia local, o juiz do Supremo Tribunal de Justiça, César Hinostroza, ofereceu absolvição, por exemplo, a um homem condenado por estuprar uma menina de 11 anos.

Parecendo ser parte de uma grande engrenagem, em uma máfia escondida dentro do judiciário, Hinostroza foi gravado organizando uma reunião com uma "Senhora K da força número 1", que muitos identificam como Keiko Fujimori, que atualmente passa por uma investigação por financiamento ilegal de suas campanhas eleitorais presidenciais.

Escândalo e demissões

O escândalo é tão grande que o presidente do Supremo Tribunal, Duberli Rodríguez, renunciou na quinta-feira, assim como o presidente e cinco membros do Conselho Nacional do Judiciário. Os suspeitos podem, ainda assim, contestar as gravações feitas pela polícia no contexto de uma investigação de acusação contra traficantes de drogas do porto de Callao.

O Poder Judiciário declarou-se em estado de emergência por 90 dias e o Presidente da República convocou o Congresso nesta sexta-feira (20) para suspender todos os membros do Conselho Nacional da Magistratura Judicial enquanto se aguarda um projeto de reforma judicial, que poderia ser anunciado em 28 de julho.

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