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Américas

Quem disse que os argentinos não torcem pelo Brasil?

media Venerado cantor de tango Roberto Goyeneche vira torcedor M. Resende

Apesar do "Brasil, decime qué se siente", os argentinos são admiradores - secretos ou declarados - do futebol brasileiro. Basta raspar uma fina camada de rivalidade para elogiarem o jogo da Seleção Brasileira. Eliminada a Argentina, muitos torcem pelo Brasil.

Márcio Resende, correspondente em Buenos Aires

Travessa Carlos Gardel, bairro de Once, Buenos Aires. A rua que tem de tudo para ser uma das mais argentinas do país, contraditoriamente é a mais brasileira. A Carlos Gardel ressalta o maior gênero musical argentino, mas a torcida e a música que se vê e que se ouve por aqui são brasileiras.

Entre estátuas dos maiores expoentes do Tango, uma maré verde-amarela. Mas, eis que, em meio a centenas de brasileiros, vários argentinos, quase estrangeiros no seu próprio país. Aproximam-se timidamente, mas manifestam abertamente a sua adoração pelo futebol e pela forma de ser do brasileiro.

É que os argentinos são rivais, mas também admiradores. Basta raspar uma fina camada de rivalidade para elogiarem o jogo da Seleção Brasileira. A tal ponto de se sentirem decepcionados quando o Brasil não joga bonito. "Jogo bonito" em português, aliás, é uma expressão incorporada à linguagem do futebol na Argentina.

Ao contrário do que pode parecer, a rivalidade por aqui é um chute que passa bem longe do gol. "Quando não joga contra a seleção argentina, torço pelo Brasil. Gosto da qualidade de jogadores como Neymar, Marcelo, William e Coutinho. O jogo que os brasileiros propõem é sempre lindo de se ver. Como amante do futebol, para mim, é algo para ser desfrutado, independentemente de onde somos", elogia à RFI o torcedor argentino Thomas Maiolo (19).

Thomas Maiolo na torcida pelo Brasil. M. Resende

Alexis Ibarra (26) torce pelo Brasil porque gosta do futebol brasileiro, mas também porque quer que a taça fique na América do Sul.

Alexis Ibarra admira o futebol brasileiro. M. Resende

"Torço pelo Brasil porque quero que a taça fique na América do Sul. Sempre gostei do futebol do Brasil. Acredito que qualquer um que goste de futebol, gosta do futebol brasileiro. Mesmo agora que já não há grandes figuras como antes, o futebol do Brasil continua lindo. Jogam muito bem", admite Alexis.

Futebol e amabilidade

De um modo geral, os principais motivos que levam os argentinos a torcerem pelos seus arquirrivais são a escola brasileira de futebol com um jogo de habilidade individual, de movimentação e de drible desconcertante. Uma espécie de extensão natural da musicalidade do brasileiro.

Essa, aliás, é outra razão que leva os argentinos a torcerem pelo Brasil: uma admiração pela cultura brasileira, sobretudo pela música. Relacionado a isso, o terceiro motivo: a forma de ser simpática, alegre e amável do brasileiro. A quarta razão é um sentimento regional sul-americano, o desejo que a taça fique na região com o melhor futebol do mundo.

"Sempre quero que o Brasil ganhe, a não ser quando joga contra a Argentina, obviamente. O Brasil tem bom futebol, bons jogadores e o povo brasileiro me agrada. Fui ao Brasil e passei muito bem. Fui bem tratado. Os brasileiros são irmãos", declara Emiliano Delari (25).

Emiliano Delari amante do futebol e da hospitalidade do brasileiro. M. Resende

Na Carlos Gardel, até o vendedor ambulante vende bandeiras e camisas brasileiras. "Estou aqui como vendedor, mas torço pelo Brasil porque adoro os brasileiros. São muito boa gente. E eu adoro o futebol do Brasil", diz Matias, jurando que não é papo de vendedor.

Bandeiras marcam território brasileiro em plena rua dedicada ao Tango. M. Resende

Esta travessa de apenas um quarteirão nasceu para ser uma homenagem ao tango, mas, aos poucos, foi adotada pela imensa quantidade de universitários brasileiros em Buenos Aires. Tudo graças ao bar Gambino que também nasceu para ser tipicamente argentino, mas, aos poucos, tornou-se o mais brasileiro de todos.

"Comecei colocando música brasileira porque eu gosto. Isso começou a atrair alguns estudantes que moram na área. Uma coisa leva a outra e, de repente, o meu cardápio já era brasileiro, os garçons também e os clientes traziam a música que queriam", recorda Fabián Barragué.

Fabián Barragué, comanda o restaurante Gambino M. Resende

Há duas semanas, em plena Copa do Mundo, foi inaugurada a churrascaria do Jesús (Parrilla de Jesús) nesta rua de pedestres. A Seleção Brasileira já conta com Gabriel Jesus em campo, mas sempre é bom ter um Jesus na torcida, mesmo que seja argentino.

"Torço pelo Brasil porque gosto desse futebol, mas também gosto do calor humano do brasileiro. Na Copa do Mundo passada, vi como os brasileiros abriram as portas para os argentinos. Esse carinho me comoveu. Agora, o meu coração bate muito mais por esse carinho que demonstraram", agradece Jesús González (52), dono da churrascaria.

Jesús González admira o futebol e o carinho dos brasileiros M. Resende

Eliminada a Argentina, torcida é pelo Brasil

Apesar da rivalidade, outra prova de admiração dos argentinos acontece com os mais velhos. É muito comum os argentinos citarem os jogadores da Seleção Brasileira de 1970 ou a de 1982 quando descobrem que estão diante de um brasileiro. É o caso de Héctor Cordero (66), quem declara seu amor pelo Brasil.

"Nessa relação passional, de amor e ódio, tenho amor. Entendo tanto sobre a equipe brasileira quanto sobre a argentina. Talvez até mais sobre a do Brasil", confessa Héctor.

Héctor Cordero, amante do futebol brasileiro, torce para a Taça ficar na região M. Resende

"Eu queria que a Argentina ganhasse, mas a Argentina está fora da Copa? Sou Brasil. Sempre vou torcer por alguém da minha região e acredito que o Brasil tem condições de ser campeão. É uma besteira achar que não vamos desfrutar uma vitória do Brasil. Quero que a taça fique na minha região. E quando o Brasil ganhar, vou aplaudir", anuncia.

Na bela praça San Martín, no centro de Buenos Aires, um imenso telão exibe os jogos do campeonato mundial a milhares de torcedores. No último sábado, assim que a Argentina foi eliminada e em meio ao sentimento misto de tristeza e de frustração, a RFI encontrou Agustín Piluso (36), abalado e um dos últimos em abandonar a cena da prematura derrota.

Após derrota da Argentina, Agustín Piluso torce agora pelo Brasil. M. Resende

"A partir de agora, o que eu sinto é que tenho muita fé e muita vontade de que o Brasil, pelo menos, chegue à final e que faça um bom trabalho. É uma seleção que tem paixão, garra e que quer a glória. Tomara que consiga", deseja Agustín. "Torço pelo Brasil, mas viva a Argentina, as Malvinas são argentinas e voltaremos", avisa.

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