Ouvir Baixar Podcast
  • 14h27 - 14h30 GMT
    Flash de notícias 19/11 14h27 GMT
  • 14h06 - 14h27 GMT
    Programa 19/11 14h06 GMT
  • 14h00 - 14h06 GMT
    Jornal 19/11 14h00 GMT
  • 08h57 - 09h00 GMT
    Flash de notícias 18/11 08h57 GMT
  • 08h33 - 08h57 GMT
    Programa 18/11 08h33 GMT
  • 08h30 - 08h33 GMT
    Jornal 18/11 08h30 GMT
  • 08h36 - 08h57 GMT
    Programa 16/11 08h36 GMT
  • 08h30 - 08h36 GMT
    Jornal 16/11 08h30 GMT
Para poder acessar todos os conteúdos multimídia, você deve instalar o plugin Flash no seu navegador. Para se conectar, você deve ativar os cookies nas configurações do navegador. O site da RFI é compatível com os seguintes navegadores: Internet Explorer 8 e +, Firefox 10 e +, Safari 3 e +, Chrome 17 e +.

“Se saísse um empate, eu ficaria feliz”: sem rivalidade, brasileiros torcem pela Argentina

“Se saísse um empate, eu ficaria feliz”: sem rivalidade, brasileiros torcem pela Argentina
 
Longe da rivalidade, os brasileiros que torcem pela Argentina. M. Resende

A rivalidade entre Brasil e Argentina no futebol gera discussões acaloradas, provocações e torcida contrária mesmo quando uma seleção não joga com a outra. Mas será que existe espaço para a admiração que leva brasileiros a torcerem pela Argentina?

Correspondente da RFI em Buenos Aires

Se a sua resposta for "sim" à pergunta “você torce contra a Argentina mesmo quando sua equipe não joga contra o Brasil?”, você está dentro da rivalidade que alimenta o clássico dos clássicos mundiais. Até os governos de ambos os países, mesmo quando proclamam a integração plena, abrem uma exceção: o futebol.

Mas, por incrível que pareça, existem muitos brasileiros que torcem pela seleção argentina. É o caso de Nathalia Dornellas, estudante de medicina de Mantena (MG), que já torceu contra a Argentina, mas hoje, após três anos em Buenos Aires, veste a camisa da seleção argentina.

"Quando eu morava no Brasil, eu não torcia pela Argentina. Para mim, a Argentina era aquela rivalidade. Mas hoje é diferente. A Argentina foi o país que abriu as portas para mim. Deu-me a oportunidade de fazer medicina. No meu país, eu não tive essa oportunidade", afirma. "Mas, além do agradecimento, eu admiro muito o futebol argentino. Mais do que Messi, sou muito fã do Ángel Di Maria que, para mim, é um excelente jogador".

A RFI acompanhou um jogo da seleção argentina com Nathalia, que não apenas torcia, mas cruzava os dedos das duas mãos numa oração pela classificação. Ao lado dela, outro brasileiro torcia e se contorcia de ansiedade por um resultado favorável para o time sul-americano.

Na mesma linha da conversão, o estudante de arquitetura, Miro Newton, trocou a sua Salvador natal por Buenos Aires e se tornou torcedor da Argentina. "Torço pela Argentina porque foi um país que me acolheu de braços abertos. É um país ao qual eu só tenho a agradecer. Um país que me deu a oportunidade de estudar novamente. E hoje eu me sinto mais à vontade aqui do que no Brasil", explica.

Brasileiros contra o Brasil

Mas muitos brasileiros já torciam pela Argentina anos antes de terem qualquer ligação com o país. O estudante de medicina, Abdel Rauf, por exemplo, tem apenas três meses de Buenos Aires. Mas já tinha paixão pela Argentina quando morava em Santa Cruz do Sul (RS).

"Sempre torci pela Argentina. É uma equipe que sempre me incentivou. Sempre gostei do futebol deles", conta. "Na minha casa no Brasil, família reunida para assistir aos jogos da Copa, eu torcia pela Argentina. Meus tios e primos me jogavam almofada e brigavam naquele modo de brincadeira", recorda.

Mas e se Brasil e Argentina se enfrentarem? "Nesse caso, eu torço por um empate", afirma. "Se Brasil e Argentina jogassem, eu ficaria numa corda bamba. Se saísse o empate, eu ficaria feliz. Tenho um dedinho a mais pelo Brasil, mas teria tristeza pela Argentina também", acrescenta.

"Sempre tive uma simpatia pela Argentina. Sempre gostei e sempre torci pela Argentina. Gosto do futebol argentino. Sou fã do Messi. Torço pela Argentina, mesmo nos jogos de Brasil x Argentina. Não torço para o Brasil", declara, por sua vez, Jonathan Ferreira, que chegou há apenas cinco meses de Blumenau (SC).

O mineiro Jeferson Baster aproveitou as férias em Buenos Aires para realizar um sonho de criança: "No Brasil, quando a Argentina joga contra outro time, eu torço pela Argentina. Eu torço pela Argentina porque é uma coisa antiga, de criança. É um sonho que eu estou realizando agora, torcer pela Argentina dentro da Argentina", vibra, coberto pela bandeira do país.

No Gambino, um bar e restaurante brasileiro em Buenos Aires, a torcida se junta para torcer pelo Brasil, mas a surpresa acontece mesmo durante os jogos da Argentina: brasileiros e argentinos torcem juntos pela mesma seleção numa cena que contradiz toda a crença do futebol.

"Desde que eu tenho o bar, há cinco anos, cada vez mais, vejo argentinos torcendo pelo Brasil e brasileiros torcendo pela Argentina. Muitos pintam o rosto, vestem a camisa. Nunca há um conflito. Nunca uma briga. Muitos amam o futebol. Os brasileiros gostam do Messi e os argentinos gostam do futebol brasileiro. A rivalidade cada vez é menor", analisa, vestido com a camisa do Flamengo, o argentino Fabián Barragué, dono do Gambino.

Análise do fenômeno

Consultado pela RFI, o escritor e pesquisador especialista em futebol, Alexandre Mesquita, autor de livros como "Clássico Vovô", "Um Expresso Chamado Vitória" e "Almanaque dos Velhos Brasileirões", considera que é possível explicar o fenômeno de brasileiros que admiram o futebol argentino e que torcem pela Argentina desde que "o torcedor não tenha um extremo ranço de rivalidade.”

O escritor carioca identifica três pontos principais ao longo da história: "Em primeiro lugar, aquilo que a escola argentina de futebol representa: estilo clássico do jogo coletivo e de raça que, desde os anos 30 e 40, foi sempre muito admirado aqui no Brasil", aponta.

"O segundo motivo é o surgimento do Maradona logo depois que o Pelé parou de jogar. Maradona foi o jogador que chegou mais perto daquilo que Pelé representou no futebol mundial. E Maradona surge justamente num período de jejum do futebol brasileiro com cinco Copas do Mundo sem títulos", observa.

"E o terceiro motivo para as novas gerações: o futebol do Messi, como sucessor do Maradona. É um jogador digno de admiração. Quem gosta de futebol admira Messi, porque é um verdadeiro craque", conclui Alexandre Mesquita.


Sobre o mesmo assunto

  • Rússia 2018

    Manual da associação argentina de futebol para conquista de mulheres russas gera escândalo

    Saiba mais

  • Argentina/Israel

    Seleção argentina cancela amistoso contra Israel em Jerusalém depois de protestos

    Saiba mais

  • Brasil/Copa da Rússia

    Libération diz irônico que “Neymar entra para a história”

    Saiba mais

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. ...
  5. seguinte >
  6. último >
Programas
 
O tempo de conexão expirou.