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Américas

Diplomacia brasileira é dura com Venezuela e conivente com governo Trump, diz especialista

media O vice-presidente americano, Mike Pence, desembarca com a mulher, Karen Pence, em Brasília. REUTERS/Adriano Machado

O vice-presidente americano, Mike Pence, desembarcou na manhã desta terça-feira (26) no Brasil para uma visita de dois dias que o leva a Brasília e Manaus. As negociações com o Planalto envolvem a situação de cerca de 50 crianças brasileiras separadas de seus pais na fronteira dos Estados Unidos, a crise na Venezuela e o uso por parte dos americanos da Base de Alcântara.

Esta é a terceira visita do vice-presidente americano a países da região e a primeira ao Brasil. Na avaliação de Filipe de Mendonça, professor de Relações Internacionais na Universidade Federal de Uberlândia (MG), as negociações sobre a Venezuela são atualmente "o único assunto em que o Brasil tem algo a dizer no plano internacional". Por outro lado, a situação das crianças brasileiras detidas em abrigos nos EUA se tornou um desafio nas relações bilaterais.

"Nós esperamos, no mínimo, uma reação formal do governo brasileiro, mas tenho sérias dúvidas. A diplomacia do chanceler Aloysio Nunes Ferreira é muito alinhada com os interesses norte-americanos", nota o especialista. Em outros tempos, acredita Mendonça, o Brasil teria uma reação ríspida diante desta flagrante violação dos direitos humanos [a retenção das crianças]. "O chanceler disse apenas que a política de Trump era cruel", recorda. "Nossa diplomacia atualmente é muito seletiva, ela fala duro quando o assunto é a Venezuela, mas é muito conivente quando os assuntos envolvem os Estados Unidos, para não dizer que é subserviente", critica o professor de Relações Internacionais da UFU.

Na opinião do analista, um alinhamento automático com o governo americano não traz necessariamente benefícios ao Brasil.

"No governo Trump, esse alinhamento parece não ter dado resultado nenhum, como pudemos ver no caso das sobretaxas ao aço. É preciso ter uma leitura mais pragmática, considerando que a ordem econômica tem mudado para a Ásia. Não acho que devemos ignorar os EUA, mas as relações do Brasil hoje com a China são mais importantes. Sem um tratamento crítico por parte da diplomacia brasileira em relação aos EUA, estamos diante de um movimento puramente ideológico que não traz necessariamente vantagens econômicas e políticas para o Brasil", opina Mendonça.

Brasil contribui para crise no Cone Sul

Para Mendonça, o Brasil tornou-se tão irrelevante nas grandes discussões de política internacional, devido aos sucessivos escândalos políticos, que apenas a gravidade da crise na Venezuela faz o governo Trump se interessar pela principal liderança do Cone Sul. Na visão da diplomacia americana, a crise política, econômica e humanitária na Venezuela, que já provocou o deslocamento de 2 a 3 milhões de venezuelanos para a Colômbia e o Brasil, representa uma grande ameaça à estabilidade da região.

"Temos um chanceler que tem trabalhado para isolar a Venezuela no Mercosul, que trabalhou para esvaziar a Unasul", destaca. "Então, não dá para pensar em soluções à crise venezuelana sem conversar com o Brasil", explica o especialista. O professor da UFU acredita que devido aos interesses relacionados ao petróleo e à instabilidade causada pelos refugiados, o governo Trump tem "disposição e coragem" para tomar medidas mais agressivas contra Caracas.

"Pence poderá propor ao Brasil a adoção de sanções mais duras contra Maduro, com o objetivo de estrangular a economia venezuelana. A diplomacia de Temer tende a ser conivente com esse tipo de estratégia, como vimos até agora pelas ações de Aloysio Nunes, mas a situação é complexa pelo risco de agravar ainda mais a situação dos venezuelanos", argumenta. O especialista lamenta que o Brasil não esteja atuando para a resolução do conflito, ao contrário, "tornou-se parte ativa, agindo de maneira a agudizar ainda mais a crise na região".

Pence visitará refugiados venezuelanos em Manaus

Depois de se reunir com Temer nesta terça-feira (26) no Planalto e de participar de um almoço oferecido pelo Itamaraty, o vice-presidente americano vai a Manaus na quarta-feira (27) visitar o centro de acolhida de refugiados "Santa Catarina". De acordo com o embaixador brasileiro Fernando Simas Magalhães, Brasil e Estados Unidos têm compartilhado esforços para encontrar uma saída democrática ao litígio com Caracas. Washington tem dado contribuição, inclusive financeira, para os países afetados pela chegada de venezuelanos, relatou. É por esta razão, segundo Simas Magalhães, que Pence visitará Manaus. "Para ver como estamos nos organizando no atendimento a esses deslocados, a maneira como estamos oferecendo uma atenção digna, solidária, atenção jurídica e legal aos venezuelanos", completou.

Uso da base de Alcântara

Brasil e Estados Unidos também vão costurar as negociações para o uso americano da Base de Alcântara, principalmente para o lançamento de satélites. As discussões estão em fase preliminar e uma prioridade no diálogo são as salvaguardas legais e tecnológicas que buscam proteger a propriedade intelectual americana e a soberania nacional. O diplomata brasileiro admitiu haver um interesse do país e das Forças Aéreas em alcançar um acordo. "Temos ali um filão de mercado extraordinário", destacou.

Alcântara tem a localização ideal para os lançamentos porque está muito perto do Equador. Isso permite economizar até 30% do combustível ou levar mais carga.

Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, Brasil e Estados Unidos chegaram a um acordo para o uso da base, mas ele foi bloqueado pelo Congresso, que considerou o acerto conflitante com a legislação brasileira.

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