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Américas

Governo retoma diálogo com oposição na Nicarágua apesar da violência que deixou centenas de mortos

media Manifestanta durante protesto em Manágua, na Nicarágua, em 23 de junho de 2018. REUTERS/Oswaldo Rivas

Apesar do clima de violência, o diálogo entre a oposição e o governo do presidente nicaraguense Daniel Ortega será retomado nesta segunda-feira (25). As discussões, que foram suspensas várias vezes, devem ajudar a encontrar uma solução pacífica para a violenta crise que já matou cerca de 220 pessoas, desde 18 de abril.

Um novo episódio de violência ocorreu neste fim de semana. Na capital Manágua, ataques realizados em conjunto pela polícia, pelas unidades antirrebelião e por paramilitares mataram oito pessoas no sábado (23) de junho, incluindo uma criança de 14 meses que foi baleada na cabeça, de acordo com o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (CENIDH). O dia seguinte foi um pouco mais calmo, apesar de alguns ataques e protestos contra o governo no norte do país, segundo relatos do correspondente da RFI na região, Patrick John Buffe.

É nesse contexto difícil que as discussões serão retomadas nesta segunda-feira, quando será discutida a redemocratização da Nicarágua. Por esse motivo, houve a sugestão da realização de eleições antecipadas, que devem ocorrer em março de 2019, ao invés de 2021, de acordo com uma proposta apresentada pelos bispos, que atuam como mediadores no conflito. Eles esperam que Daniel Ortega responda rapidamente à proposta, que acreditam ser essencial para a continuação do diálogo nacional.

E é no intuito de contribuir com as negociações que chegou à Nicarágua do domingo (24) uma equipe técnica da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), na capital Manágua. Opositores do governo esperam que esta presença internacional irá incentivar o presidente Ortega, no poder desde 2007, a reduzir, se não acabar, com a repressão e violência.

Nesta sexta-feira (22), a CIDH indicou que "a ação repressiva do Estado provocou pelo menos 212 mortos e cerca de 1.337 feridos". Ela acrescentou que mais de 500 pessoas foram detidas desde o dia 6 de junho.

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