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Américas

Novo presidente da Colômbia não quer ex-membros das Farc no Congresso

media Ivan Duque e seus partidários em Bogotá neste domingo (17). REUTERS/Andres Stapff

Ivan Duque, 41 anos, venceu o segundo turno das eleições presidenciais neste domingo (17), com 54% dos votos, desbancando Gustavo Petro, o candidato de esquerda, que obteve 41,8%. Com o resultado, ele se torna o chefe de Estado mais jovem da história do país.

A eleição de Duque traz incertezas sobre o futuro do acordo de paz assinado entre o governo de Juan Manuel Santos e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), em 2016, que permitiu o fim do conflito com a guerrilha, que durava 50 anos. O novo presidente é contra a participação dos ex-guerrilheiros na vida política do país e defende que eles respondam pelos seus crimes na Justiça e cumpram penas na prisão.

“Essa paz tão sonhada, obtida neste acordo, exige algumas retificações, para que as vítimas estejam no centro do processo”, disse o novo presidente eleito neste domingo, depois do anúncio de sua vitória.

As negociações permitiram o desarmamento de mais de 7 mil guerrilheiros e a reintegração de parte deles à vida civil. O novo chefe de Estado pretende dar continuidade a essa inserção. O partido FARC, oficializado com o fim do conflito, divulgou um comunicado neste domingo (17) pedindo “bom senso” e também sugerindo que os combatentes se reúnam com o novo presidente.

Os eleitores de Duque, herdeiro político do ex-presidente Álvaro Uribe, também celebraram a vitória do candidato de direita, como conta a enviada especial da RFI ao país, Lucile Gimberg, que está em Bogotá e entrevistou a população nas ruas.

“Duque é uma garantia econômica”, declarou o empresário Hernando. “É uma pessoa ponderada, que busca o equilíbrio do país”, disse. “Do ponto de vista econômico, ele oferece estabilidade aos investidores estrangeiros e ao empresariado”. O novo presidente, ex-funcionário do Banco Interamericano de Desenvolvimento, pretende diminuir os impostos para as empresas para estimular a criação de novos empregos.

Boa nova para a esquerda

Apesar da derrota de Gustavo Petro, seus partidários comemoraram o resultado nas eleições. O representante do movimento “Colômbia Humana” obteve 41,8% dos votos, o melhor desempenho de um candidato de esquerda em uma eleição presidencial na história do país.

“Acreditava de verdade na vitória. Nunca fomos tão longe com um candidato de direita”, diz outra eleitora entrevistada pela repórter da RFI, Marie-Eve Detouef. Com seus oito milhões de votos, Petro agora lidera a oposição e será uma voz de peso na política colombiana.

 

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