Ouvir Baixar Podcast
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 18/06 15h27 GMT
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 18/06 15h06 GMT
  • 15h00 - 15h06 GMT
    Jornal 18/06 15h00 GMT
  • 09h57 - 10h00 GMT
    Flash de notícias 18/06 09h57 GMT
  • 09h36 - 09h57 GMT
    Programa 18/06 09h36 GMT
  • 09h30 - 09h36 GMT
    Jornal 18/06 09h30 GMT
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 17/06 15h27 GMT
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 17/06 15h06 GMT
Para poder acessar todos os conteúdos multimídia, você deve instalar o plugin Flash no seu navegador. Para se conectar, você deve ativar os cookies nas configurações do navegador. O site da RFI é compatível com os seguintes navegadores: Internet Explorer 8 e +, Firefox 10 e +, Safari 3 e +, Chrome 17 e +.
Américas

Comunidade Internacional prevê novas sanções contra Venezuela após eleição contestada

media O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em discurso após reeleição. (20 de maio de 2018 em Caracas) REUTERS/Carlos Garcia Rawlin

A Venezuela enfrenta a ameaça de novas sanções internacionais e do aumento da crise social e econômica, após a questionada reeleição do presidente Nicolás Maduro até 2025. Vários países anunciaram que não reconhecem a legitimidade das eleições venezuelanas. Neste domingo (20), Maduro recebeu 68% dos votos contra 21,2% do ex-chavista Henri Falcón.

O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, denunciou nesta segunda-feira (21) a eleição presidencial na Venezuela, boicotada pela oposição, enquanto Washington avalia a adoção de novas sanções contra o governo do presidente reeleito Nicolás Maduro.

"A eleição da Venezuela foi uma farsa, nem livre nem justa. O resultado ilegítimo desse falso processo é mais um golpe para a orgulhosa tradição democrática da Venezuela", disse Pence em um comunicado. "Os Estados Unidos não ficarão de braços cruzados enquanto a Venezuela desmorona e a miséria de seu valente povo continua", ressaltou.

Paralelamente, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, ameaçou a Venezuela com novas medidas punitivas. "Os Estados Unidos (...) tomarão medidas econômicas e diplomáticas rápidas para apoiar a restauração de sua democracia", disse o chefe da diplomacia em um comunicado.

O governo americano, para quem a Venezuela vende um terço de sua produção de petróleo, ameaça adotar um embargo petroleiro e proibiu que seus cidadãos negociem títulos da dívida venezuelana, depois que o país e a petroleira PDVSA foram declarados em default parcial em 2017. Além dos Estados Unidos, Canadá e a União Europeia já haviam anunciado, antes mesmo do veredito, que não reconheceriam os resultados.

Nesta segunda-feira (21), o chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, disse pelo Twitter que "no processo eleitoral da Venezuela não foram respeitados os mínimos padrões democráticos”. “A Espanha estudará, junto com seus sócios europeus, as medidas oportunas e seguirá trabalhando para diminuir o sofrimento dos venezuelanos", completou.

Na América Latina, o Grupo de Lima, formado por 14 países do continente, incluindo Brasil, decidiu "reduzir o nível de suas relações diplomáticas com a Venezuela", em protesto contra o polêmico processo eleitoral. O bloco diz prever, entre outras medidas, "coordenar ações para que as organizações financeiras internacionais e regionais procurem não conceder empréstimos ao governo da Venezuela", de acordo com um comunicado.

Também nesta segunda, durante a reunião de ministros de Relações Exteriores do G20 em Buenos Aires, Estados Unidos, Argentina, Austrália, Canada, Chile e México condenaram a reeleição de Maduro.

Apoio

Vladimir Putin parabenizou seu homólogo pela reeleição. Em um telegrama, “o presidente russo desejou a Nicolás Maduro uma boa saúde e o sucesso na resolução dos desafios sociais e econômicos do país”, indicou um comunicado do Kremlin. Disse também que deseja que “um diálogo nacional possa se estabelecer no interesse de toda população”. Putin indicou “estar convencido que as ações de Maduro irão continuar a reforçar a parceria estratégica entre os dois países.

Jean-Luc Mélenchon no dia 8 de maio de 2018 em Moscou. Alexander NEMENOV / AFP

Na França, o líder da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon, criticou o posicionamento da União Europeia e declarou seu apoio a Nicolás Maduro. “Existe um certo número de países, lacaios dos Estados Unidos, que simplesmente decidiram que as eleições na Venezuela não os agradava”, bradou o parlamentar francês.

Mélenchon criticou também a estratégia da oposição de boicotar o processo eleitoral. “Se vocês não vão a nenhuma eleição e que vocês protestam antes e depois, então não é mais democrático. É preciso aceitar as eleições”, afirmou. Para ele, o fato de organizar o pleito dá legitimidade ao regime chavista. Mélenchon acusa também uma parte da oposição “violenta” de estar na raiz das dificuldades econômicas da Venezuela.

Crise

A Venezuela sofre a pior crise de sua história recente: o FMI calcula uma queda de 15% do PIB e uma hiperinflação de 13.800% para 2018. A produção de petróleo está no pior nível em 30 anos. O panorama é sombrio para um país isolado e arruinado, com uma população que sofre com a falta de alimentos e remédios, um custo de vida muito elevado - um salário mínimo compra apenas meio quilo de carne - e o êxodo de centenas de milhares de pessoas. Os cenários estão claros: “tensão política, radicalização as partes, repressão, desconhecimento internacional em massa, aprofundamento das sanções e o clímax da crise econômica", opina o analista venezuelano Luis Vicente León, professor do Instituto de Estudios Superiores de Administración.

Maduro, ex-motorista de ônibus e sindicalista de 55 anos, no poder desde 2013, atribui o colapso a uma "guerra da direita" aliada com Washington, mas seus adversários afirmam que a crise é motivada por uma desastrosa gestão da economia. Hoje, o presidente confia em seus aliados China e Rússia. "Porém, um novo governo, considerado ilegítimo, não terá capacidade de manobra, nem na área das finanças internacionais nem na diplomacia", adverte Andrés Cañizalez, professor venezuelano da Universidad Católica Andrés Belloe especialista em comunicação política.

Os demônios internos

Ao proclamar seu triunfo, Maduro convocou um "diálogo nacional", mas a Mesa da Unidade Democrática (MUD) já havia anunciado a intenção de aumentar a pressão por "eleições verdadeiras" ainda este ano. Henri Falcón pediu no domingo uma nova eleição em outubro ou dezembro, uma demanda apoiada pelo pastor Bertucci, o terceiro candidato.

O candidato venezuelano Henri Falcón com seus seguidores depois de votar. REUTERS/Carlos Jasso

Mas a oposição está profundamente dividida. Falcón se afastou das determinações da MUD para lançar sua candidatura e em nenhum momento conseguiu acabar com o estigma de "traidor", acusação que também recebe do lado do chavismo. "Falcón não conseguiu vencer Maduro e nem a MUD. Seu não reconhecimento da eleição é tardio. Acontecerão recriminações mútuas, as tentativas de capitalizar a abstenção", afirmou à AFP o cientista político e professor da Universidade Central da Venezuela, Luis Salamanca.

Do lado do governo, segundo León, a "implosão" representa o "maior risco" de Maduro, se cada vez mais funcionários sentirem que estão encurralados pelas sanções internacionais. Quase todo o círculo de governo é objeto de sanções da UE e de Washington, que incluiu na sexta-feira o número dois do chavismo, Diosdado Cabello, a sua lista de 70 autoridades venezuelanas sancionadas – que também conta com Maduro.

“O presidente tem o apoio da cúpula das Forças Armadas, mas a crise é tão severa que pode provocar uma divergência dentro da aliança cívico-militar governante ou uma ruptura social de maior escala”, advertiu o Crisis Group.

O diretor do Centro de Estudos Políticos da Universidad Catolica Andres Bello, Benigno Alarcón, considera que, cercado, o governo poderia radicalizar o sistema político, enquanto Diego Moya-Ocampos, do IHS Markit (Londres), não descarta que novos protestos levem o governo a recorrer à repressão.  

Sobre o mesmo assunto
 
O tempo de conexão expirou.