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Américas

Lista de opositor dos EUA e ex-líder de milícia vence legislativas no Iraque

media O chefe político religioso Moqtada Sadr REUTERS/Alaa al-Marjani

A lista do chefe religioso Moqtada Sadr, um dos raros dirigentes xiitas distantes do Irã, venceu as eleições legislativas no Iraque. O resultado foi anunciado na noite desta sexta-feira (18) pela comissão eleitoral.

O candidato fez uma aliança com comunistas e duas organizações laicas que participaram das manifestações organizadas em 2016 para protestar contra a corrupção. Ele se declarou contrário a qualquer "ingerência estrangeira" no Iraque. A coalizão obteve 54 cadeiras no Parlamento, contra 47 para Hadi al Amiri, um chefe de milícia xiita apoiado por Teerã. No Twitter, Moqtada Sadr comemorou o resultado afirmando que "a reforma venceu e a corrupção saiu enfraquecida".

A situação é inédita: Sadr não poderá se tornar primeiro-ministro, porque não participou das eleições, mas a vitória de sua lista faz com que ele assuma um papel importante nas discussões para escolher o primeiro-ministro e formar o novo governo. As negociações para a formação de um novo governo se apresentam complicadas, já que as duas potências presentes no Iraque - Estados Unidos e Irã - se enfrentam em outra questão, depois que Washington decidiu abandonar o acordo nuclear com Teerã.

Depois da guerra, Parlamento evita acumulação de poder

O primeiro-ministro em final de mandato Haider al Abadi, que contava com o apoio da comunidade internacional, ficou em terceiro lugar. O sistema eleitoral iraquiano prevê uma "fragmentação" do parlamento para evitar qualquer acumulação de poder.

A personalidade e a trajetória de Moqtada Sadr preocupam Washington eTeerã. Os americanos recordam sua poderosa milícia, contra a qual lutaram após a invasão do Iraque em 2003. De acordo com fontes políticas, os iranianos já iniciaram encontros com diferentes partidos iraquianos para opor-se a Sadr.

Uma das possíveis alianças é a de Abadi com Hadi al-Ameri, líder da poderosa organização Badr, apoiada e armada pelo Irã, e Nuri al-Maliki, seu antecessor como primeiro-ministro, que para muitos iraquianos representa a classe política corrupta e hermética que denunciam frequentemente.

 

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