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Américas

Sem Trump, Cúpula das Américas deve discutir corrupção no continente

media Uma mulher limpa a placa para a oitava Cúpula das Américas, em Lima, que começa no dia 13 de abril de 2018. REUTERS/Ivan Alvarado

A corrupção em diversos países da América Latina e a crise na Venezuela serão os principais assuntos na agenda da Cúpula das Américas, que acontece nesta sexta-feira (13) e sábado (14), em Lima, no Peru. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não participa da conferência para poder lidar com a crise na Síria. 

O presidente dos EUA cancelou no último minuto o que seria sua primeira viagem à América Latina desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2017. Segundo a Casa Branca, ele escolheu ficar em Washington "para supervisionar a resposta dos EUA à Síria". O vice-presidente Mike Pence representará os Estados Unidos em Lima e Ivanka, filha e conselheira do presidente, também estará presente, promovendo o papel das mulheres na economia do continente.

Esta é a primeira vez que um presidente americano não participa do encontro regional implementado pelo ex-presidente Bill Clinton em 1994. A ausência foi recebida como um insulto pela América Latina, há muito vista como o quintal dos Estados Unidos, mas onde a influência da China está crescendo.

"Pela primeira vez em muito tempo, os Estados Unidos pararam de agir de maneira proativa frente à América Latina e essa decisão só confirma isso", disse a analista política peruana Lucia Dammert.

Relações tensas com o México

Em quase 15 meses de presidência, Trump teve relações tensas com seus vizinhos do sul, particularmente com o México em questões de migração e comércio. Um exemplo é a decisão do presidente de enviar de 2.000 a 4.000 militares à fronteira com o México para conter a imigração ilegal. 
 
A decisão exacerbou as tensões com o vizinho do sul, que considerou as atitudes desrespeitosas. Na segunda-feira (9), o chefe da diplomacia mexicana, Luis Videgaray, disse que o país reavaliaria sua relação de cooperação com os EUA por causa de disputas bilaterais "notórias".

Na questão comercial, a renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), assinado em 1994 com o Canadá e o México e considerado um "desastre" por Trump, também está dificultando as relações regionais com Washington.

Maduro ausente
   
Apesar da ausência de Trump em Lima, a situação na Venezuela estará no centro das discussões desta VIII Cúpula das Américas. Uma frente comum contra o governo do socialista Nicolás Maduro poderia surgir, com o objetivo de não reconhecer o resultado da eleição presidencial marcada para o dia 20 de maio.

Para Washington, a Venezuela é "o problema mais urgente do hemisfério", disse um funcionário do Departamento de Estado dos EUA.

De sua parte, o líder venezuelano desistiu na terça-feira (10) de viajar ao Peru, dizendo que não estaria em segurança. Esta reunião "não é uma das nossas prioridades, nenhuma decisão será tomada, é uma verdadeira perda de tempo", acrescentou.

O encontro, no entanto, contará com a presença de Raúl Castro, poucos dias antes de o líder cubano passar o bastão, pondo fim a mais de 40 anos de poder incontestado dos irmãos Castro na ilha.

A corrupção também estará no centro das discussões, após diversos escândalos que varreram o continente, incluindo o ex-presidente peruano Pedro Pablo Kuczynski, recentemente deposto, e ex-chefe de Estado do Brasil Luís Inácio Lula da Silva, agora na prisão. 

Com informações da AFP

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