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Presidente do Facebook depõe hoje diante do Congresso americano

Presidente do Facebook depõe hoje diante do Congresso americano
 
Mark Zuckerberg, na sede do Facebook em Menlo Park, Califórnia, EUA. 27/09/15 REUTERS/Stephen Lam/File Photo

O C.E.O. do Facebook, Mark Zuckerberg, começa nesta terça-feira (10) no Capitólio o que a imprensa americana já chama de “turnê oficial de pedido de desculpas”, que deve seguir nas próximas semanas para o outro lado do Oceano Atlântico.

Eduardo Graça, correspondente da RFI em Nova York

A maior rede social do mundo sofreu um duro golpe com as revelações da exploração ilegal de dados de 87 milhões usuários obtidos pela consultoria Cambridge Analytica, imediatamente repassados a campanhas eleitorais.

Além da falta de privacidade, o Facebook também é acusado de ser terreno fértil para a disseminação de notícias falsas e manipulação eleitoral, especialmente no pleito americano de 2016 e na votação do Brexit.

A expectativa é de que ele seja duramente questionado hoje. Zuckerberg chegou ontem a Washington, quando teve encontros individuais com congressistas.

Hoje ele começa o dia enfrentando uma sabatina dos senadores e na quarta será a vez dos deputados. O convite ao C.E.O do Facebook para o questionamento no Congresso surgiu por conta do temor do vazamento de informações particulares dos usuários da rede. Zuckerberg fez ontem um pedido de desculpas público através de uma nota por ele assinada.

Na nota, que segue a linha de contenção assumida pela empresa desde que as ações do Facebook despencaram, ele reconhece que não houve, até o momento, de fato, uma tomada real de responsabilidade da empresa em relação aos eventos que alarmaram os eleitores americanos e, por conseguinte, seus representantes no Poder Legislativo.

Empresa contribui mais para democratas

O Facebook, como a maioria das empresas do Vale do Silício, contribui mais com políticos democratas, no caso de Zuckerberg, 65% das contribuições vão para políticos liberais e 33% para conservadores, do que republicanos.

Os senadores dos comitês de Justiça e de Comércio, que participarão da sabatina hoje receberam mais de US$ 600 mil em doações do Facebook desde 2007. E dos 55 membros do comitê de Energia da Câmara dos Representantes, palco da inquirição de amanhã, 46 receberam doações do Face, em um total de US$ 381 mil, de acordo com o grupo de pesquisa independente Center for Responsible Politics.

Mas os políticos republicanos devem evitar entrar em detalhes sobre qualquer vantagem que a quebra de privacidade dos usuários do Facebook acabou dando para a campanha de Trump, a principal beneficiária em nível federal, aqui nos EUA, do que Zuckerberg diz ter sido um comportamento desleal de terceiros, que teriam usando a rede social em seu benefício sem o conhecimento da direção da empresa.

Regulamentação

Os democratas, por sua vez, defendem em geral mais regulamentação na economia.

São dois os objetivos principais de Zuckerberg: diminuir o nervosismo e a desconfiança da opinião pública e convencer os congressistas, especialmente os democratas, de que não é hora de mais regulamentação para o Vale do Silício e o setor de tecnologia.

É bom lembrar que já há movimentos importantes ganhando força na rede pedindo o boicote ao Facebook, que hoje conta com 2,2 bilhões de usuários mundo afora, e qualquer redução drástica destes números seria um pesadelo para a empresa sediada em São Francisco.

Advogado de Trump

Às vésperas do depoimento de Zuckerberg congressistas tratavam ontem de outro tema: as implicações da decisão do F.B.I. de fazer uma busca no escritório do advogado pessoal do presidente Donald Trump, Michael Cohen.

O mandado de busca foi gerado especialmente pelo fato de Cohen ter sido o responsável pelo pagamento à atriz pornô Stephanie Clifford, a Stormy Daniels, que diz ter tido um caso com o presidente durante seu terceiro e atual casamento, em 2006. Trump nega tanto o romance extra-conjugal quanto o acordo financeiro.

Mas Cohen disse que tirou dinheiro do próprio bolso - a bagatela de US$ 130 mil - para que Stormy não fizesse um fuzuê durante a campanha presidencial de 2016.

O problema, para Trump, é que Cohen é conhecido aqui nos EUA por ser uma espécie de faz-tudo do republicano, tendo trabalhado nas Organizações Trump por uma década, e a oposição diz que o pagamento pode ter sido feito com doações feitas para a campanha eleitoral do presidente. Se isso for de fato comprovado, os pedidos de impeachment ganharão força.

O F.B.I. só foi ao escritório de Cohen ontem depois de receber informações do procurador-especial Robert Mueller, responsável pela investigação da interferência da Rússia nas eleições americanas, em mais um paralelo com o drama do Facebook.

Trump contra-ataca

Trump reagiu de bate-pronto, dizendo, da Casa Branca, que está sendo vítima de uma “caça às bruxas” e que o que aconteceu ontem foi um “ataque aos EUA”.

Ou seja, ele demonstrou que segue na queda de braço com oposição e investigadores e nem pensa em oferecer qualquer pedido de desculpas para o povo americano ou o Congresso. Ainda ontem, o presidente preferiu se concentrar no ataque com armas químicas que causou centenas de mortes em um subúrbio de Damasco.

Trump, que na semana passada havia dito que queria retirar as tropas americanas da Síria o mais rapidamente possível, afirmou ontem que todas as cartas estão na mesa em relação à reação dos EUA, que devem ser anunciadas em até 48h, e ainda chamou, bem ao seu estilo, o presidente da Síria, Bashar al-Assad, de animal. Rússia e Irã também foram atacados, por darem apoio a Assad.


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