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Américas

Costa Rica escolhe presidente entre evangélico e cientista político

media Carlos Alvarado, à esquerda, e Fabricio Alvarado, à direita. REUTERS/Juan Carlos Ulate

Os costa-riquenhos comparecem neste domingo (1°) às urnas para o segundo turno das eleições presidenciais. A disputa é entre dois candidatos com o mesmo sobrenome – Alvarado – mas com plataformas bem antagônicas.

Os dois candidatos também são jornalistas, mas as coincidências param por aí.

Fabricio Alvarado, ex-deputado de 43 anos, contrário ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, é candidato pelo conservador Restauração Nacional (RN), um partido surgido das igrejas neopentecostais que proliferaram na Costa Rica nas últimas décadas.

O candidato pregador ganhou impulso no primeiro turno ao anunciar, no dia 10 de janeiro, de retirar a Costa Rica da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que um dia antes havia se pronunciado a favor da união homossexual.

Defesa da cura gay

O neopentecostal também defendeu a prática das igrejas evangélicas de oferecer tratamentos de "cura" para a homossexualidade, e já atacou o Tribunal Supremo Eleitoral por restringir o proselitismo político nas igrejas.

A difusão de sua proposta o fez disparar nas pesquisas, nas quais não passava de 4% das intenções de voto, até se tornar o candidato mais votado no primeiro turno, dia 4 de fevereiro, com 24,9% dos votos, sobre os 21,6% de Carlos Alvarado.

Pelos direitos humanos

Já Carlos Alvarado, ex-ministro do Desenvolvimento Social, tem 38 anos, é cientista político. Candidato pelo Partido Ação Cidadã (PAC), de centro-esquerda, atualmente no governo, ele defende uma agenda que inclui o casamento gay, Estado laico e defesa dos direitos humanos.

"É a primeira vez que se polariza uma eleição na Costa Rica entre temas religiosos e de direitos humanos", comentou o analista Gustavo Araya, da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso).

"Não podemos permitir atropelos contra os direitos humanos, nem ameaças de retirada dos marcos legais internacionais que apoiamos", disse a diplomata costa-riquenha Cristiana Figueres, negociadora do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas.

Quase 3,3 milhões de pessoas – de uma população de 5 milhões – estão aptas a votar.

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