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Arrogância de Trump abala regras do comércio mundial

Arrogância de Trump abala regras do comércio mundial
 
As novas e pesadas tarifas de importação de aço e alumínio anunciadas na quinta-feira (1°) pelo presidente americano, Donald Trump, revoltaram o comércio mundial. MANDEL NGAN / AFP

Declarando que guerras comerciais são “boas e fáceis de vencer”, Donald Trump foi muito além da Tapobrana. Vencer o quê, cara pálida? Nos conflitos comerciais não há ganhadores, só perdedores.

Basta lembrar da Grande Depressão dos anos 1930. Uma catástrofe que acabou provocando a Segunda Guerra Mundial. Claro, ainda não chegamos a esse ponto. Por enquanto, são só as proclamações estapafúrdias do lourão da Casa Branca. que no final das contas não se realizam. Só que quando se trata do presidente da maior potência mundial, basta um tuíte para fazer um imenso estrago.

Desta vez, o magnata presidente – em nome da “segurança nacional” – decidiu aumentar as tarifas de importação do aço e do alumínio para 25% e 10%, respectivamente. A medida pode ter consequências pesadas para os maiores exportadores desses metais para os Estados Unidos – Canadá, Brasil, Coréia do Sul e Alemanha. A China, acusada de ter jogado os preços no chão entupindo o mercado com produtos siderúrgicos subsidiados, vende pouco para os americanos.

Não deu outra: a Europa já declarou que estava disposta a retaliar com barreiras alfandegárias contra produtos americanos, enquanto até o vizinho canadense botou a boca no mundo. Os chineses, mais discretos, também prometem respostas adequadas. Resultado: na mesma hora Trump ameaçou colocar tarifas altíssimas na importações de carros europeus. Com esse tipo de queda de braço de pátio de colégio, são todas as regras e o próprio sistema de comércio internacional que podem ir para a cucuia.
    
É claro que essa arrogância faz parte da ideia de “America First” do presidente. Como se Trump acreditasse de verdade que a melhor maneira de salvar a economia e os empregos nos Estados Unidos é fechar o país, impedindo a entrada de produtos estrangeiros. No caso da siderurgia é um disparate. Nos países industrializados, as aciárias tradicionais são quase dinossauros, ultrapassadas pela tecnologia.

Tiro no pé

Na América elas só empregam umas 200.000 pessoas. As indústrias que utilizam o aço e o alumínio – desde a construção até as latinhas de cerveja, passando pelos automóveis, aviões, eletrodomésticos – dão trabalho para 6 milhões e meio de pessoas! As tarifas anunciadas por Trump só podem encarecer o preço dos metais e portanto aumentar o preço de milhares de produtos para o consumidor americano. Pior ainda: com o aumento dos preços, as indústrias perdem competitividade. Várias já botaram a boca no trombone explicando que vão ter que despedir e interromper os investimentos no território dos Estados Unidos. O “tarifaço” de Trump, antes de mais nada, é um belo tiro no pé da indústria americana.
    
Não é por nada que o Wall Street Journal, qualifica a medida de “loucura”. E que os responsáveis da indústria automobilística e membros eminentes do Partido Republicano – os políticos mais próximos do meio empresarial – também entraram em campanha para reverter a decisão. Claro, os empresários e os trabalhadores do pequeno setor siderúrgico tradicional americano estão contentes. E mais discretamente, também os sindicatos de metalúrgicos e a ala protecionista do partido Democrata.

Na verdade, essa jogada da Casa Branca tem muito mais a ver com a política interna do que com o comércio internacional. As eleições legislativas de meio-mandato vão acontecer daqui a nove meses. Os republicanos podem perfeitamente perder a maioria no Congresso, o que paralisaria o resto do mandato presidencial.

Colocando a agenda protecionista no centro do debate, Trump está tentado remobilizar a sua base eleitoral de trabalhadores e regiões das velhas indústrias em declínio, que se sentem abandonadas. E ao mesmo tempo, cria uma confusão política generalizada dentro dos dois partidos, republicano e democrata. Trump quer salvar a sua presidência criando um caos geral, para aparecer como o único salvador da pátria. E o resto do mundo – e as regiões mais dinâmicas da América – que aguentem as consequências. Tempos perigosos.

Alfredo Valadão é professor do Instituto de Estudos Políticos de Paris e escreve a crônica de geopolítica às segundas-feiras


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