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Américas

Referendo vota contra reeleição ilimitada de Correa no Equador

media Equador decide em referendo pelo fim da reeleição indefinida. Foto do 04/02/18 REUTERS/Daniel Tapia NO RESALES

A população do Equador foi às urnas neste domingo (4) em um referendo convocado pelo chefe de Estado Lenín Moreno. De acordo com os primeiros resultados divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral, 64% dos eleitores se disseram favoráveis à interdição da reeleição por tempo indeterminada do presidente.

A iniciativa do Executivo teve como objetivo interromper os projetos políticos do ex-presidente Rafael Correa. O resultado, desfavorável à reeleição, derruba a lei votada em 2015, quando Correa ainda estava no poder. Poucos minutos depois do anúncio do resultado, o presidente Lenin Moreno elogiou “a importante vitória” do “sim” às questões colocadas aos cerca de 13 milhões de eleitores convocados para o referendo.

Já o seu rival, Rafael Correa, que não poderá disputar as eleições em 2021, disse em um tweet que ele e seus partidários “não poderão aceitar um Estado de direito e a ruptura constitucional”. Os eleitores também votaram a favor de mudanças no organismo criado durante o mandato de Correa para nomear os representantes dos poderes públicos, entre eles o procurador-geral.

Lenín Moreno, que foi vice-presidente de Correa entre 2007 e 2013, se transformou em um crítico de seu governo, o acusando de “esbanjar” o petróleo e ter dirigido um Estado corrompido. Para Correa, Moreno é um “traidor vendido para a oposição de direita que busca instaurar um presidencialismo absoluto”. Ele alega "perseguição", acusa Moreno de querer utilizar a pergunta do referendo para cassar seus direitos pela via judicial, como o que aconteceu com o ex-vice-presidente Jorge Glas, seu grande aliado.

"Vítima da direita"

O ex-presidente se considera vítima de perseguição e assédio, acusando seu sucessor de utilizar o pleito para marginalizá-lo “definitivamente”. Citando a ex-presidente Dilma Rousseff, ele declarou que o referendo era uma estratégia da direita latino-americana para desqualificar líderes progressistas. O economista de 54 anos, conhecido por modernizar as infraestruturas do país deve se apresentar à Justiça nesta segunda-feira (5) para testemunhar sobre irregularidades na venda de petróleo para a China e Tailândia. Ele governou o país entre 2007 e 2017.

 

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