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Escola de samba argentina se inspira no Carnaval carioca

Escola de samba argentina se inspira no Carnaval carioca
 
Estação Primeira de Lanús M. Resende

A escola argentina Estação Primeira de Lanús reproduz o melhor do samba carioca, compõe em português e acaba com o mito de que todo estrangeiro é "doente do pé".

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

O que você acharia se lhe contassem que uma escola de samba argentina compõe sambas-enredo e canta em português? Provavelmente, desconfiaria. Mas o ensaio da escola Estação Primeira de Lanús é digno de ser comparado ao de uma pequena escola de samba brasileira: passistas, malandros, mestre-sala, porta bandeira e uma bateria com paradinhas, bossas e até coreografias. Todos em busca da excelência.

Tudo por aqui tem inspiração nas escolas de samba cariocas. Lanús é um município do subúrbio ao Sul de Buenos Aires que cresceu ao redor da estação ferroviária. Daí, a alusão à carioca Mangueira. Já o símbolo da escola, um trem na Praça da Apoteose, é como uma imaginária linha que une o Rio de Janeiro a Lanús ou, melhor, à "baixada lanusense", como os fundadores da escola apelidaram a região onde tudo começou.

No próximo dia 4 de abril, a escola argentina vai completar 10 anos. E esta é escola mesmo: ao contrário das cariocas nas quais só entra quem souber tocar, aqui é preciso ensinar o samba do zero e ter paixão para aprender.

Foi essa paixão pelo samba que levou o puxador, Matías Giordani (39), a cantar em português. "Cada música tem o seu sotaque, o seu swing. Eu acho que samba brasileiro tem que ser cantado em português. E faço com toda a paixão, todo o amor, todo o carinho. Eu canto e me arrepio. Se pudesse, gostaria de fazer todo dia", brinca.

Matías aprendeu português "por fonética". Foi de tanto ouvir sambas e de tanto tocar com brasileiros. "Eu imitava o português das músicas. Nunca estudei. Até hoje aprendo assim: vejo as letras de samba e converso com as pessoas", explica em português à RFI. "O samba me deu tudo: fiz muitos amigos, viajei por muitos lugares e até conheci a minha esposa. Só tenho a agradecer ao samba", emociona-se.

Quem compõe os sambas é o co-fundador e diretor de bateria, Leandro Barsotti (31), com diversas imersões pelas baterias das maiores escolas de samba do Rio como Salgueiro e Viradouro. Tudo começou aos 13 anos de idade, quando um amigo carioca mostrou-lhe um samba-enredo. De lá para cá foram aulas de percussão, viagens ao Rio e também muita intuição.

O repertório vocabular aprendido do português tinha uma finalidade: entender e acompanhar as letras de samba. E fazer samba na Argentina é como desbravar um caminho pelo qual poucos passaram. "O que eu quero dizer, eu penso diretamente em português. Todo o meu sentimento está em português. E a Estação Primeira de Lanús tem essa coisa de ser um pedacinho do Rio de Janeiro aqui em Buenos Aires", indica.

Buenos Aires carioca

No começo, os ensaios semanais aconteciam numa praça ao lado da estação ferroviária de Lanús. No ano passado, passaram a uma quadra na cidade de Buenos Aires, onde o cenário lembra bem um típico ambiente carioca.

"Este é um cantinho do Brasil e venho aqui matar a saudade do Rio de Janeiro", conta o carioca Gilmar Abreu (49). Palavra de quem frequentava as escolas de samba no Rio até dois anos quando se mudou a Buenos Aires. Tornou-se um assíduo dos ensaios da Estação Primeira de Lanús há seis meses. "Aqui, sinto um orgulho de ser brasileiro, uma emoção forte e um agradecimento a eles por tratarem a nossa cultura com carinho. E eles fazem questão da perfeição", agradece.

Uma busca pela perfeição que levava o outro fundador da escola e ritmista, Nicolás Doallo (33), a escutar fitas cassette para tentar pegar a batida numa época sem muito material na Internet.

"No começo, era muito difícil diferenciar cada instrumento. Mexíamos na equalização e tentávamos separar cada instrumento para tirar a música. Depois a gente estudou, se formou e viajou ao Rio", recorda. "Fomos juntando um amigo aqui; outro ali. Depois já procuramos pessoas com um conhecimento mais avançado ou, pelo menos, com o compromisso de aprender. A maioria não sabia tocar nenhum instrumento", descreve Nicolás.

O resultado é que, a cada ensaio, é como se Nicolás entrasse numa Marquês de Sapucaí portenha com a emoção à flor-da-pele.

Samba universal

Para Nicolás, o samba é uma grande confraternização universal como no verso de "Kizomba, a festa da raça" (Vila Isabel, 1988): "Neste evento que congraça/ Gente de todas as raças/ Numa mesma emoção".

"O meu sentimento é sem fronteira. Vai além do Rio ou do Brasil. É entrar em contato com uma coisa superior e interna do ser humano. É o encontro de pessoas compartilhando, transformando energia. É essa alegria. É como resgatar o início da vida, do tambor como o pulsar do coração", define.

Depois de cada ensaio, uma roda de samba convoca todos a cantar clássicos imortais madrugada adentro como num boteco carioca em carnaval permanente.

Na Argentina, o Carnaval é uma data importante desde 2011, quando foi restituído o feriado que o regime militar tinha retirado em 1976. Porém, o desfile da Estação Primeira de Lanús acontece mesmo numa data próxima ao feriado brasileiro de 7 de setembro, quando a cidade de Buenos Aires faz uma festa de homenagem ao Brasil na emblemática Avenida de Maio.

Para a Estação Primeira de Lanús, não há a obrigação de um novo samba-enredo a cada ano. O último foi em 2015, composto por uma ala de compositores, liderada pelo puxador Matías Giordani: "Carybé de Lanús e da Bahia! Traços de um ilustre em verde e branco", uma homenagem ao artista plástico Hector Julio Páride Bernabó, o "Carybé", o argentino mais baiano que o Brasil já conheceu e quem trocou de país em 1949 até falecer em 1997. E onde Carybé nasceu em 1911? Justamente em Lanús.

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