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Américas

ONU, africanos e latinos ficam indignados com insulto de Trump

media O presidente Donald Trump usou palavras ofensivas nesta quinta-feira ao falar de imigrantes haitianos, salvadorenhos e africanos. REUTERS/Carlos Barria/File Photo

O insulto “país de merda”, que segundo a imprensa americana foi usado pelo presidente americano, Donald Trump, para qualificar os países de origem de muitos imigrantes que decidem morar nos Estados Unidos, revoltou latinos e africanos, visados pelos comentários. Ao mesmo tempo, nesta sexta-feira (12), Trump deu a entender que não usou a linguagem relatada por jornais como Washington Post.

A polêmica frase teria sido dita durante um encontro com congressistas na Casa Branca, para discutir a reforma da imigração nos Estados Unidos. "Por que todas essas pessoas de países de merda vêm para cá?", perguntou Trump, segundo relataram fontes ao jornal The Washington Post. O The New York Times noticiou a mesma informação, citando pessoas próximas ao encontro.

Na ocasião, o presidente se referia a cidadãos do Haiti, do El Salvador e de países africanos. Ele sugeriu, ao mesmo tempo, que os Estados Unidos deveriam receber imigrantes de lugares como Noruega. Na véspera, Trump havia se reunido com a primeira-ministra norueguesa.

Não tardou para dirigentes e cidadãos dos países visados expressarem a sua revolta com os comentários, além da ONU. As Nações Unidas consideraram as declarações “chocantes, vergonhosas e racistas”. "Se for confirmado, são comentários chocantes e vergonhosos por parte do presidente dos Estados Unidos. Perdão, mas não existe outra palavra do que ‘racistas’", disse o porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Rupert Colville, em coletiva de imprensa em Genebra.

Embaixador convocado e africanos “magoados”

Botswana convocou o embaixador americano no país para pedir explicações. Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores chamou o comentário de “extremamente irresponsável, repreensível e racista”.

A União Africana condenou a frase de Trump, considerada “perturbadora” e “ofensiva”. “Magoa não apenas as pessoas de origem africana nos Estados Unidos, como os cidadãos africanos”, disse Ebba Kalondo, porta-voz do presidente da comissão da entidade, Moussa Faki. “É ainda mais insultante se consideramos a realidade histórica do número de africanos que chegaram nos Estados Unidos como escravos”, pontua o texto.

El Salvador também demonstrou descontentamento, embora tenha sido mais comedido na reação. “Uma boa parte daqueles que ajudaram a reconstruir New Orleans depois do furacão Katrina eram salvadorenhos. Me sinto orgulhoso de ser salvadorenho”, escreveu o chanceler Hugo Martinez, no Twitter.

Preocupação com futuro de imigrantes

Em Paris, a embaixadora salvadorenha Maria Carmen Gallardo de Hernandez lembrou, em entrevista à RFI em espanhol, que o país “contribui de maneira substancial para a economia norte-americana”. “Nosso governo e o país inteiro estão surpresos quanto à possibilidade de que tais termos possam ter sido usados. Nós esperamos que isso não atrapalhe o excelente diálogo que temos, para poder encontrar uma solução para os nossos compatriotas que estão em um condição legal temporária nos Estados Unidos”, afirmou a diplomata, referindo-se a imigrantes de El Salvador nos Estados Unidos.

Trump se reunia com senadores e legisladores na Casa Branca para falar sobre uma proposta bipartidária que limitaria a reunificação familiar e o chamado programa "sorteio de vistos", em troca de evitar que centenas de milhares de jovens em situação irregular sejam deportados.

Trump nega ter ofendido haitianos

Diante de toda a polêmica, nesta manhã (12) Trump se pronunciou pelo Twitter, sua ferramenta preferida para reagir a temas conversos. “A linguagem usada foi dura, mas não foi essa", afirmou. “Eu nunca disse nada insultante sobre os haitianos, além do fato de que, obviamente, é um país muito pobre e complicado. Nunca disse ‘tirem eles daqui’”, completou o presidente, antes de concluir que tem uma relação “maravilhosa” com os haitianos. “Eu provavelmente deva gravar as próximas reuniões – sem confiança, infelizmente”, alfinetou.

Na noite desta quinta-feira, o famoso apresentador da rede americana CNN Anderosn Cooper tomou a palavra para responder aos comentários de Trump, em especial sobre o Haiti. Cooper lembrou que, nesta sexta-feira, completam-se oito anos do terremoto devastador que arrasou o país, tragédia que o jornalista cobriu para a emissora. “Os moradores do Haiti passaram por coisas e sobreviveram a injustiças que o nosso presidente jamais viveu durante a sua existência”, afirmou o apresentador. Ele relatou, em horário nobre e com a voz trêmula pela emoção, cenas do drama que acompanhou no país. “A população haitiana tem uma dignidade que deveria inspirar muitos na Casa Branca, uma dignidade na qual o presidente, apesar do seu dinheiro e seu poder, deveria se inspirar também.”

Até o momento, a Casa Branca não desmentiu nem confirmou as palavras ofensivas atribuídas a Trump, mas ressaltou seu esforço em encontrar uma solução para esses migrantes sem papéis. "Alguns políticos de Washington preferem lutar por países estrangeiros, mas o presidente Trump sempre luta pelo povo americano", afirmou Raj Shah, um porta-voz do governo, em um comunicado.

O senador democrata Dick Durbin, no entanto, esclareceu não só que Trump utilizou a expressão como a repetiu “várias vezes” durante a reunião com os parlamentares. “Ele pronunciou essas palavras cheias de ódio e as pronunciou várias vezes”, twitou o senador.

Com informações AFP

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