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Américas

EU reafirma apoio a acordo nuclear com Irã diante de medidas imprevisíveis de Trump

media Para a chanceler europeia, Federica Mogherini, o acordo nuclear iraniano funciona. REUTERS/Francois Lenoir

A União Europeia enfatizou nesta quinta-feira (11) seu apoio ao acordo nuclear alcançado com o Irã em 2015, afirmando que o pacto cumpre seu objetivo, em um contexto de incerteza sobre eventuais sanções do presidente americano, Donald Trump contra Teerã.

"O acordo funciona e cumpre com seu principal objetivo, que é manter o programa nuclear iraniano sob controle e sob uma estreita vigilância", afirmou a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, depois de se reunir, em Bruxelas, com o chanceler iraniano Mohamad Javad Zarif e seus colegas britânico, francês e alemão.

Os chanceleres do Reino Unido, França e Alemanha já haviam manifestado seu apoio ao histórico acordo.

O acordo de julho de 2015 alcançado entre Teerã e o grupo 5+1 - Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha - permitiu levantar parte das sanções internacionais impostas ao Irã em troca de garantias sobre o caráter exclusivamente civil de seu programa nuclear.

Suspense diante do imprevisível

Apesar do apoio explícito dos europeus, Trump pode decidir nos próximos dias se impõe de novo uma série de sanções econômicas suspensas, mesmo depois de o Irã ter cumprido um dos compromissos do pacto.

O Irã já disse estar preparado para todos os cenários. Depois do encontro em Bruxelas, Zarif enfatizou em um tuíte o forte consenso com os europeus de que seu país cumpre com o acordo conforme condicionado por parte dos Estados Unidos.

O chanceler francês, Jean-Yves Le Drian, indicou nesse sentido que a Agência Internacional da Energia Atômica (AIEA) "confirma regularmente a boa aplicação do acordo por parte do Irã", e por isso não existem dúvidas atualmente sobre o respeito aos compromissos.

Instabilidade da região

Os europeus estão especialmente preocupados com a estabilidade em uma região onde o Irã xiita apoia o regime sírio de Bashar al Assad, o Hezbollah libanês e os rebeldes huthis do Iêmen. O bloco também analisa os impactos da futura decisão do presidente americano.

Mogherini, que desempenhou o papel de mediadora nessas negociações, pediu a todas as partes que "continuem aplicando plenamente o acordo", que, a seu ver, "torna o mundo mais seguro e impede uma eventual corrida pelas armas nucleares na região".

Os chanceleres europeus também teriam alcançado um princípio de acordo com os iranianos para iniciar um diálogo sobre os temas que não estão no acordo, como a situação no Iêmen, segundo o ministro das Relações Exteriores alemão, Sigmar Gabriel.

Os europeus aproveitaram também para expressar suas divergências com Teerã em relação a outros pontos, como o desenvolvimento de mísseis balísticos, segundo indicaram na coletiva de imprensa.

Protestos e mortes

Os 28 países da UE igualmente lamentaram a "perda inaceitável de vidas humanas" nas manifestações de iranianos que deixaram recentemente vinte mortos.

O chanceler alemão pediu ao governo de do presidente iraniano, Hassan Rohani, que "declarou que a insatisfação do povo iraniano devia ser levada a sério e suas legítimas demandas ouvidas", que conduzisse esse diálogo com a sociedade iraniana.

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