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Américas

Eleições de meio-mandato são grande desafio de 2018 para Trump

media Republicanos e Democratas vão lutar para controlar Câmara dos Representantes e Senado em eleições de meio-mandato de 2018. REUTERS/Joshua Roberts

O presidente dos Estados Unidos Donald Trump voltou das férias de fim de ano e entra em seu segundo ano no governo com a aprovação mais baixa que qualquer presidente americano moderno já teve em seu primeiro mandato. À frente, estão diversos desafios, entre eles, as eleições de meio-mandato. 

Em novembro, os americanos vão novamente às urnas para renovar a Câmara dos Representantes e um terço do Senado americano, onde os republicanos tem maioria de um assento, depois que o candidato Roy Moore, apoiado pelo presidente, perdeu as eleições especiais do Alabama, um estado tradicionalmente republicano. Um resultado que segundo Paulo Sotero, - diretor do Brazil Institute, do Woodrow Wilson International Center for Scholars - "ilustra a vulnerabilidade dos candidatos que se associam muito ao Trump".

Apesar de 2017 ter sido um ano de controvérsias e poucas vitórias políticas, Trump está confiante e espera que o sucesso do projeto de reforma fiscal seja apenas o início de suas vitórias legislativas. Em um tuíte publicado no dia 31 de dezembro, o presidente questionou "por que eleitores inteligentes colocariam democratas na câmara dos representantes em 2018 quando suas políticas matariam a grande riqueza criada nos meses desde as eleições. As pessoas estão muito melhores agora," ele afirma. Os republicanos, no entanto, estão nervosos, já que pesquisas de opinião nacionais não mostram um prognóstico favorável para o partido, que poderia perder a maioria nas duas casas. 

"Nas pesquisas de opinião nacionais parece que os democratas têm cerca de 10% de liderança e isso normalmente se traduz na perda de cerca de 30 assentos, o que seria mais do que suficiente para os republicanos perderem a maioria na Câmara dos Representantes," diz Steven S. Smith, professor de ciências políticas na Universidade de Saint Louis, no Missouri. "Os republicanos estão, portanto, muito nervosos agora e estão lutando para descobrir o que eles podem fazer nos próximos meses para melhorar sua situação política," explica. 

"Russiagate" pode gerar problemas para republicanos

Depois de anos na oposição, os republicanos tiveram dificuldades de transformar seus planos em vitórias legislativas. Outros problemas que o partido pode enfrentar são a enquete sobre a possível interferência russa nas eleições e a própria personalidade do presidente. 

"O presidente Trump é ele mesmo muito impopular, em parte por causa de seu comportamento, mas também por causa da investigação do que aconteceu na sua campanha e na transição, antes de ele se tornar presidente. Então a falta de atividade legislativa e as dificuldades de lidar com o líder do partido deixaram os republicanos nervosos frente às eleições de 2018. Eles querem que o presidente não seja mais um problema e tenho certeza que eles também esperam que a investigação sobre a interferência russa desapareça nos próximos meses." diz Smith. 

"Se houver novas reviravoltas na enquete russa no primeiro trimestre de 2018, essa será uma questão essencial nas eleições de meio mandato, que se tornarão, nesse momento, um referendo sobre, primeiramente, a viabilidade de Trump como presidente e da continuidade ou não da investigação de Robert Mueller," explica o professor de história Corentin Sellin.     

Foto de arquivo: Investigação de Robert Mueller sobre possível interferência da Russia nas eleições americanas pode complicar eleições de meio-mandato para republicanos. REUTERS/Jonathan Ernst

Democratas também enfrentam dificuldades

As eleições de meio-mandato também podem ser importantes para mudar o clima político em Washington e podem, em especial, determinar o futuro da presidência de Donald Trump. "Se você tiver uma maioria democrata nas duas casas, o espaço, que hoje é inexistente, para iniciativas como o impeachment se renova. Mas tudo isso depende de como os democratas conseguiriam essa maioria e que líderes emergiriam," diz Paulo Sotero. 

No entanto, a tarefa não seria fácil. Segundo Sotero, desalojar um presidente por essa via é complicado e os democratas sofrem de um problema que também assola o Brasil e outros países europeus: falta de liderança.

"Os dados indicam que os democratas têm uma oportunidade de avançar e conquistar cadeiras suficientes na Câmara para diminuir muito, se não eliminar, as vantagens que os republicanos têm, mas é muito cedo ainda para fazer avaliações definitivas sobre isso. Há muitos obstáculos do lado dos democratas, a começar pela falta de liderança do partido. Os líderes democratas hoje que dominam as bancadas e as figuras consideradas viáveis politicamente são pessoas de mais de 70 anos. Também não está claro que os democratas tenham entendido a crise que os tirou do poder em uma eleição que eles supostamente deveriam ter ganho," explica Sotero. 

Resumindo, apenas a mensagem anti-Trump pode não ser suficiente, já que falta renovação e liderança do lado democrata para fazer frente ao partido do presidente americano.

Paralelo entre crises brasileira e americana

Sotero afirma ainda que a crise de liderança americana é similar ao que estamos vivendo hoje no Brasil, onde Jair Bolsonaro e Lula são os candidatos mais cotados para disputar a presidência em 2018. "Hoje você tem um cenário que é curioso: os dois pré-candidatos mais populares nas pesquisas de opinião são também os dois que têm maior índice de rejeição," diz Soltero. 

O especialista também explica que a crise nos dois países é sistêmica, de representação política. "Os partidos tradicionais no Brasil e nos EUA, apesar das estruturas partidárias e dos sistemas eleitorais serem muito diferentes, têm hoje um problema de representação. A sociedade não os vê como os veículos de representação de suas aspirações e no Brasil isso ainda é mais notório. No nosso caso, há uma exaustão do sistema político e econômico que construímos a partir da constituição de 88 e o desafio é superar essa crise, mantendo a democracia, e achar novos caminhos, novas lideranças, ou lideranças antigas que apresentem soluções para os problemas do país. A saber, se os dois países têm capacidade de renovação, eu creio que têm," explica Soltero. 
 

Com colaboração de Stefanie Schüler

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