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Votos brancos e nulos superam 65% em votação sobre judiciário da Bolívia

Votos brancos e nulos superam 65% em votação sobre judiciário da Bolívia
 
os bolivianos foram às urnas neste fim de semana para eleger 26 juízes em uma votação marcada por controvérsias e também por críticas ao governo do presidente Evo Morales. REUTERS/David Mercado

Cerca de 4,5 milhões de bolivianos foram às urnas neste domingo (3) eleger 52 juízes para diversas instâncias jurídicas do país. O pleito foi marcado pelo número de votos nulos e brancos, que já somam 65% de acordo com os primeiros resultados.

Elianah Jorge, correspondente da RFI em Santa Cruz de la Sierra

A votação foi bastante criticada porque ocorre depois de uma decisão anunciada recentemente pelo Tribunal Constitucional Plurinacional (TPC), que autoriza a reeleição do presidente Evo Morales e demais autoridades bolivianas. Por isso, a eleição é considerada uma espécie de referendo sobre Morales.

Dos 6,4 milhões de eleitores registrados, apenas 4,5 milhões se inscreveram para participar da votação. Em Santa Cruz de la Sierra, capital econômica do país, a população é de maioria opositora e contrária à votação.

A primeira vez que a Bolívia realizou eleições para o Judiciário foi em 2011. Muitas pessoas compareceram às urnas porque o voto é obrigatório no país. Quem não pôde ir, teve que justificar o voto. A eleição foi programada para nomear 26 juízes e 26 suplentes do Tribunal Constitucional, do Supremo Tribunal de Justiça, do Conselho da Magistratura e do Tribunal Agroambiental.

Depois de votar, Evo Morales afirmou que a votação “é a única forma de mudar, melhorar a justiça boliviana” e que “não votar é como não existir”.

Presidente eterno

Na presidência desde 2006, Evo Morales ganhou há poucos dias o direito a concorrer a mais uma eleição para se manter no poder. O presidente e as demais autoridades eleitas terão direito a se reeleger indefinidamente de acordo com a decisão anunciada pelo Tribunal Constitucional Plurinacional.

Com isso, o Morales poderá concorrer pela quarta vez ao Palácio Quemado. Esse é o motivo da queixa dos opositores que são contra a continuidade de Evo no poder.

Em um referendo realizado em 2016, a maioria dos bolivianos manifestou ser contra a reeleição presidencial, mas Evo Morales afirmou que a decisão do TCP é o “mandato, a ordem do povo boliviano”. Este foi o motivo de protestos em algumas das principais cidades do país na semana passada, quando dezenas de pessoas saíram às ruas para pedir democracia. A próxima eleição presidencial acontece na Bolívia em 2019.

Embora a Bolívia seja o país sul-americano com os melhores índices de crescimento econômico dos últimos anos, deixando para trás aquele sinônimo de atraso e pobreza, a população teme que o presidente Evo Morales fique indefinidamente no poder. Um dos medos da população é que a democracia seja ignorada e que a Bolívia seja a próxima Venezuela, em referência à continuidade de um mesmo partido político no poder por muitos anos.


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