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Américas

Panamá revela milionário esquema de propinas da Odebrecht

media Brasil, Argentina, Peru, Equador... Agora é a vez do Panamá revelar as propinas pagas pela Odebrecht. REUTERS/Guadalupe Pardo

A Odebrecht pagou comissões milionárias aos filhos do então presidente Ricardo Martinelli, que governou o Panamá de 2009 a 2014, e a vários de seus ministros, segundo o depoimento de um executivo da construtora.

Em depoimento na Cidade do Panamá, a procuradora Zuleyka Moore revelou o acordo obtido entre a Procuradoria e André Campos Rabello, principal executivo da Odebrecht no país.

Com base no acordo, Campos Rabello revelou que Ricardo e Luis Enrique Martinelli, filhos do então presidente, "requereram um pagamento de seis milhões de dólares" da Odebrecht.

O pagamento teria ocorrido em "diversas parcelas, utilizando empresas de distintas jurisdições".

Segundo o executivo, os subornos foram pagos entre 2009 e 2010 para facilitar trâmites burocráticos relacionados à construção de uma estrada e a obras de saneamento na baía do Panamá, dois projetos da Odebrecht.

Molhando a mão de todos

Posteriormente, os dois filhos de Martinelli, atualmente procurados pela Interpol, teriam recebido cerca de US$ 50 milhões por outros serviços ao grupo brasileiro, segundo Moore.

O procurador informou ainda que os então ministros da Economia, Frank de Lima; Presidência, Demetrio Papadimitriu; e Obras Públicas, Jaime Ford, receberam da Odebrecht US$ 7 milhões, US$ 4 milhões e US$ 1,8 milhão, respectivamente.

O então ministro da Habitação e candidato do governo nas eleições presidenciais de 2014, José Domingo Arias, teria recebido US$ 10 milhões da Odebretch para sua campanha eleitoral.

Algemas para todos

De Lima, Ford e Arias estão detidos, enquanto Papadimitriu foi beneficiado recentemente por medida cautelar.

Martinelli, detido em Miami a espera de ser extraditado para o Panamá, está sendo investigado por múltiplos casos de corrupção durante seu governo, e boa parte de seu gabinete já está na cadeia.

O grupo Odebrecht, que concordou em pagar ao Panamá uma indenização de US$ 220 milhões e colaborar com a justiça, admitiu ter entregue US$ 59 milhões em subornos entre 2010 e 2014 em troca de contratos para obras no país.

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