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Mais de 30 mulheres já denunciaram Harvey Weinstein, caso não é isolado

Mais de 30 mulheres já denunciaram Harvey Weinstein, caso não é isolado
 
A polícia de Nova York informou, nesta quinta-feira (12), que investiga uma denúncia de abuso sexual apresentada contra o produtor de Hollywood Harvey Weinstein em 2004. REUTERS/Andrew Kelly/File Photo

Hollywood vive um dos maiores escândalos de todos os tempos com as denúncias de abuso sexual - que não param de aparecer - envolvendo o magnata Harvey Weinstein. Por mais de 30 anos, dezenas de mulheres foram constrangidas, chantageadas e abusadas por ele que é um dos maiores produtores de cinema do mundo.

Pelo menos trinta mulheres já se juntaram ao coro. Elas dizem que foram abusadas, atacadas, constrangidas, estupradas ou chantageadas. Muitas delas tiveram inclusive a carreira abalada ou interrompida por não ceder à pressão e às investidas de Harvey Weinstein. As últimas atrizes que contaram suas histórias foram Kate Beckinsale, Cara Delevingne e Claire Forlani.

Lembrando que Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow e Mira Sorvino também contaram que sofreram abusos, além das três atrizes francesas Judith Godrèche, Léa Seydoux e Florence. Os principais festivais de cinema, de Cannes, Veneza, Toronto, Berlin e a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas emitiram comunicado condenando o comportamento inaceitável de Weinstein.
 

Democratas se dizem chocados

Hillary Clinton e Barack Obama também se manifestaram, se dizendo chocados com essas histórias repugnantes, pedindo justiça e parabenizando as mulheres que tiveram coragem de se manifestar. O produtor e magnata é um dos grandes financiadores do partido democrata, doou dinheiro para as campanhas de Hillary e Obama, e Malia, filha de Obama, foi estagiária da produtora de filmes de Weinsten.

De acordo com vários relatos, a fama dele era conhecida por muita gente - e era descrito inclusive por seu comportamento predatório. As histórias se repetiam: dele convidar atrizes pra ir nos quartos de hotéis e daí por diante seguiam abusos, ameaças de perda de emprego caso não fizessem o que ele queria.

Weinstein, em uma declaração, disse que ele faz parte de uma geração criada nos anos 60 e 70 quando isso tudo era permitido. Sempre teve muito dinheiro em jogo, medo, poder, se sentia acima do bem e do mal e ia comprando tudo e todos. Ele também é conhecido por inclusive plantar histórias nos meios de comunicação sobre as pessoas que não jogavam o jogo dele. Weinstein intimidou suas vítimas pra ficarem em silêncio e usou sua influência para manter denúncias fora das manchetes.

Polícias investigam nos EUA e na Europa

Polícias dos dois lados do Atlântico já entraram nas investigações. A de Nova York está interrogando as 13 mulheres que deram entrevista pra revista New Yorker e que disseram que sofreram algum tipo de abuso e até estupro e também está reabrindo dois casos, um de 2004 e um de 2015, que relatavam abusos por parte de Weinstein.

Já a Scotland Yard anunciou que recebeu um relatório de um suposto ataque sexual na área de Londres na década de 1980. Harvey Weinstein, segundo a imprensa americana, se internou em um hotel 5 estrelas no Arizona e não foi pra uma clínica de reabilitação comum porque não queria ficar em um local onde não pudesse usar o celular.

Outros casos

Esperamos que todas as mulheres que um dia foram abusadas tenham realmente coragem de falar, mas também em qualquer outra situação, pois sabemos que esse não é um caso isolado, infelizmente.

Nesta quinta-feira (12), a gigante Amazon demitiu o executivo Roy Price por ter assediado a produtora Isa Hackett. Isa veio a público e disse que foi assediada em 2015, mas só agora teve coragem de falar sobre a violência que sofreu, inspirada por essas mulheres corajosas.

A modelo Carrie Stevens também falou nessa quinta, que há mais de 20 anos foi atacada pelo aclamado diretor Oliver Stone: “em uma festa ele veio e simplesmente agarrou os meus seios”, disse ela. Então virou um efeito dominó.

A atriz Rose McGowan disse que foi estuprada por Weinstein e acusou, via Twitter, o fundador da Amazon, Jeff Bezos, de ser “cúmplice” de Weinstein, pois contou que ele sabia de tudo.

Talvez estejamos assistindo a uma mudança cultural mais do que necessária. Aqui nos Estados Unidos nos últimos anos vimos o fundador da Fox, Roger Ailes, cair por assédio. O ator Bill Cosby está respondendo processo por ter assediado 35 mulheres e há ainda outros casos de poderosos que despencaram de seus postos por causa da coragem de mulheres que resolveram enfrentar o medo e o poder, em busca de justiça.

Que a coragem só aumente daqui pra frente – não só das mulheres, mas que homens que assistem a esse tipo de comportamento também denunciem. Assim poderemos quem sabe ter realmente uma mudança na indústria do cinema – sempre dominada por homens poderosos, tanto na direção de estúdios, filmes, ou nos papéis principais quanto nas histórias levadas ao público, em geral. E todos nós sabemos que esses casos também não são nenhuma exclusividade de Hollywood.


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