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Evo Morales tenta se destacar nos 50 anos de morte de Che Guevara

Evo Morales tenta se destacar nos 50 anos de morte de Che Guevara
 
Estátua de Ernesto Che Guevara em La Higuera, no local onde foi executado. Comemoração do 50º aniversário da morte de Che Guevara, La Higuera, Santa Cruz, Bolívia, 8 de outubro de 2017. REUTERS/David Mercado NO RESALES

Há 50 anos foi morto, na Bolívia, o guerrilheiro argentino-cubano Ernesto "Che" Guevara. O presidente boliviano, Evo Morales, participa de atos em homenagem ao homem que, junto com Fidel Castro, liderou a Revolução Cubana. A postura de Morales causa divergências no país.

Elianah Jorge, correspondente da RFI em Santa Cruz de la Sierra

Che Guevara foi capturado na Bolívia no dia 8 de outubro de 1967 e executado no dia seguinte. Na Bolívia, o fim de semana foi de celebrações, sobretudo em Vallegrande, cidade localizada no sudeste do departamento de Santa Cruz de la Sierra, onde o corpo de Che Guevara foi exibido após ele ter sido morto por militares bolivianos no pequeno povoado de La Higuera, também em Santa Cruz.

Em um acampamento, no qual foram instaladas 400 grandes tendas, se reúnem cerca de quatro mil pessoas de diversos países da região, sobretudo da Argentina, Cuba e Brasil. Os hotéis da região também estão ocupados por pessoas que vieram homenagear o guerrilheiro.

Heróis para uns, sanguinários para outros

Porém, parte dos bolivianos critica as comemorações. Para uns, Che é um herói; para outros, ele foi um sanguinário. Em meio a esse clima de divergências, Evo recebeu o vice-presidente de Cuba, Ramiro Valdez, e o vice-presidente da Venezuela, Tareck El Aissami, é esperado. Os filhos de Che Guevara também estão na Bolívia para participar das homenagens.

Os críticos ao governo de Evo Morales afirmam que a data da morte está sendo usada como um relançamento do presidente boliviano na esfera internacional, como o último líder da esquerda latino-americana - como se Evo fosse o herdeiro do cubano Fidel Castro e do venezuelano Hugo Chávez, ambos já falecidos.

Evo briga para voltar a concorrer à presidência da Bolívia, embora tenha perdido o plebiscito no qual a população rejeitou a reeleição por tempo indeterminado. A oposição boliviana apresentou à Corte Interamericana de Direitos Humanos um recurso para vetar a meta de Evo, afirmando que ele ignora a vontade popular manifestada nas urnas, enquanto o partido MAS, Movimento ao Socialismo, prepara uma espécie de proclamação de Evo Morales.

Militares bolivianos discordam de homenagem

Os militares bolivianos que participaram da missão de combate à Che Guevara não estão de acordo com as homenagens e negam participar dos atos. Os veteranos anunciaram que vão fazer suas homenagens aos colegas que morreram nos combates contra a guerrilha liderada por Che Guevara.

Durante anos, os militares que lutaram contra Che Guevara foram homenageados pelo governo. Isso ocorreu até a chegada de Evo ao poder, em 2006.

No entanto, o governo informou que os cubanos Harry Villegas e Leonardo Tamayo, que lutaram na Bolívia junto com Che Guevara, vão se reunir com alguns dos soldados que os combateram, para fechar as feridas. Evo Morales afirmou que as Forças Armadas participarão das homenagens.

O presidente boliviano se diz "guevarista", ou seja, admira os passos seguidos por Che Guevara e tudo o que isso significa. Pelas redes sociais, ele afirmou que Guevara foi assassinado pela Agência de Inteligência dos Estados Unidos, a CIA. Segundo ele, as Forças Armadas acataram ordens de Washington para perseguir, torturar e matar o guerrilheiro.


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