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Mais de cem investigadores tentam desvendar mistério do atirador de Las Vegas

Mais de cem investigadores tentam desvendar mistério do atirador de Las Vegas
 
Um funcionário do FBI trabalha no hotel Mandalay Bay em Las Vegas, de onde o agressor perpetrou o ataque. REUTERS/Chris Wattie

Continua o mistério sobre as motivações do atirador de Las Vegas, Stephen Paddock, que matou 59 pessoas e feriu mais de 500 no último domingo (1°) e se suicidou antes de ser abordado pela polícia. Mais de uma centena de investigadores se concentram nas peças de um intrigante quebra-cabeças deixado pelo agressor.

Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles

Os policiais afirmaram na quarta-feira (4) que no apartamento do hotel de onde Paddock perpetrou o ataque foram encontradas 47 armas, milhares de cartuchos de munição e explosivos. Os investigadores acreditam que ele teria um plano de fuga e talvez estivesse até mesmo planejando outro atentado, já que no carro dele também havia uma grande quantidade de explosivos.

Para as autoridades, pelo tamanho da operação que o atirador montou ao longo de tanto tempo, é intrigante supor que ele não tenha tido nenhum tipo de ajuda, inclusive para carregar as dez malas para o 32° andar do hotel em que se hospedou em Las Vegas.

Os investigadores também revelaram que Paddock comprava armas desde 1982 e, no último ano, adquiriu 33, a maioria rifles - nos Estados de Nevada, Utah, California e Texas. Segundo a polícia, o agressor devia conhecer muito bem a legislação porque a lei de controle de armas, que data de 1968, exige que os vendedores relatem a venda de duas ou mais armas de mão para o mesmo comprador, somente se essas compras ocorrerem ao mesmo tempo ou dentro de cinco dias úteis.

Não existe uma lei federal que exija que os vendedores alertem as autoridades para a venda de múltiplos rifles em espaço de tempo maior que esse. Paddock também havia alugado uma casa, entre os dias 22 e 25 de setembro, perto de onde aconteceu um outro festival, também em Las Vegas.

Trump se nega a falar sobre controle do porte de armas

Na quarta-feira, o presidente Donald Trump visitou Las Vegas, onde, mais uma vez, não quis tocar no polêmico controle de porte de armas. Segundo ele, o país está de luto e não é ainda o momento de debater a questão. A Associação Nacional de Rifles (NRA), principal instituição pró-armas dos Estados Unidos, que apoiou a campanha eleitoral de Trump, também não se manifestou sobre o assunto.

Durante as quatro horas que passou em Las Vegas, o presidente americano e a primeira-dama, Melania Trump, conversaram com paramédicos e com pessoas que ajudaram a socorrer vítimas na noite de domingo. Eles foram também a um dos hospitais que ainda está tratando dos feridos e ficaram mais de uma hora em um encontro privado com várias vítimas e familiares.

Cerca de 170 pessoas ainda estão internadas e cerca de vinte correm risco de vida. O presidente tentou passar empatia - o que parece difícil pra ele, como aconteceu nas visitas após os furacões do Texas, Flórida e Porto Rico. Suas declarações de solidariedade soam falsas e não inspiram muita confiança.

Trump cumprimentou e agradeceu o trabalho de médicos e policiais e se disse orgulhoso de ser americano. Também declarou que a nação não deve ser definida pelo mal que ameaça os americanos ou pela violência que incita esse terror. Mas pelo amor, cuidado e coragem dos cidadãos dos Estados Unidos.

Depoimento da namorada do atirador

A australiana de origem filipina, Marilou Danley, a namorada de Stephen Paddock, chegou na terça-feira (3) em Los Angeles, de volta das Filipinas, onde estava desde o dia 15 de setembro. As primeiras declarações de seu advogado mostram sua surpresa em relação ao massacre.

Foi o próprio Paddock que comprou a passagem para que Marilou Danley visitasse sua família. Ele também teria telefonado à namorada para a informar sobre uma transferência de US$ 100 mil para que ela comprasse uma casa. Marilou declarou que, diante desta atitude, achou que Paddock estaria querendo terminar o relacionamento.

O advogado de Marilou leu uma declaração na qual ela se diz devastada, que Paddock era amável e silencioso, e que ela nunca percebeu nenhum indício de que ele seria capaz de fazer um ataque como esse, ou mesmo cometer algum ato violento contra alguém. A mulher se colocou à disposição para cooperar com as investigações e declarou que voltou aos Estados Unidos voluntariamente.

A polícia informou que ainda não avaliou o quanto ela pode saber, mas que nas próximas 48 horas espera obter mais respostas. A polícia segue interrogando várias pessoas que cruzaram o caminho de Paddock nas últimas semanas.

Hotéis reforçam medidas de segurança

Depois do massacre, várias redes de hotéis divulgaram que discutem novas medidas que incluem o uso de detectores de metal e aumento de pessoal pra ajudar na segurança nos estabelecimentos. No entanto, muitos especialistas em hotelaria acreditam que impor inspeções e pontos de segurança dentro dos hotéis pode prejudicar os negócios, já que os hóspedes buscam descanso e privacidade.

A verdade é que o fato de Paddock ter se hospedado no 32° andar com tantas malas, armas e munições intriga a polícia. Ainda não foi divulgada nenhuma informação se alguma câmera de segurança do hotel registrou o momento em que o agressor chega ao local, o que se espera que aconteça em breve.


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