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Namorada de atirador de Las Vegas será peça-chave nas investigações

Namorada de atirador de Las Vegas será peça-chave nas investigações
 
O massacre aconteceu durante o show de música country "Route 91 Harvest Festival", na noite de domingo (1), em Las Vegas. REUTERS/Lucy Nicholson TPX

A polícia americana ainda tenta desvendar o quebra-cabeças que envolve o massacre ocorrido em Las Vegas na noite de domingo (1), quando um atirador abriu fogo em um festival de música country e matou 59 pessoas, além de deixar 527 feridos. A namorada do assassino, uma avó australiana de origem filipina, será fundamental para esclarecer o perfil do criminoso.

Correspondente da RFI em Los Angeles

O atirador Stephen Paddock, de 64 anos, tinha 42 armas de diversos calibres. Vinte e três estavam no quarto do hotel de onde ele fez os disparos. A polícia encontrou outras 19 armas na casa do contador aposentado, em Mesquite, a 130 quilômetros de Las Vegas. O arsenal de Paddock contava com várias metralhadoras automáticas e fuzis AR 15, capazes de disparar dezenas de tiros por minuto. Foram recolhidas também, tanto no quarto do hotel quanto na casa dele, muita munição e material explosivo.

Aparentemente, o ex-contador e corretor imobiliário não tinha passagem pela polícia e também, segundo familiares, nenhuma ligação com grupos religiosos, políticos ou de supremacia branca. Ele comprou todo o armamento de forma legal.

Ataque reacende debate sobre a venda de armas

Esse novo massacre traz à tona a discussão – que nunca vai em frente – sobre o sistema de venda de armas nos Estados Unidos, tanto em relação à checagem do comprador quanto à necessidade de se rever as leis que autorizam a venda para pessoas comuns, inclusive em supermercados.

Apesar de o presidente Donald Trump ter dito que esse foi um evento de puro ódio, ainda não mencionou a questão do controle de armas. Durante a campanha presidencial, Trump recebeu apoio da Associação Nacional do Rifle (NRA), o principal lobby pró-armas dos Estados Unidos.

FBI não encontra conexão de atirador com grupos jihadistas

As motivações do atirador permanecem um grande mistério e muitas perguntas ainda não foram respondidas. O grupo salafista ultrarradical Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria do massacre, na segunda-feira (2), e disse que Paddock teria se convertido recentemente ao islamismo. O FBI nega e afirma não ter encontrado nenhuma evidência de conexão de Paddock com grupos terroristas internacionais.

Um detalhe intriga os investigadores: o pai de Paddock foi um ladrão de banco que chegou a estar na lista dos dez mais procurados nos Estados Unidos. Mas isso nas década de 1960 e 1970. De acordo com o irmão do atirador, Eric Paddock, Stephan nunca teve contato com o pai. Para a família, o massacre foi uma grande surpresa, pois nunca desconfiaram de nada.

Namorada será peça-chave nas investigações

A namorada de Stephan, Marilou Danley, que em um primeiro momento foi apontada como suspeita, logo foi descartada das investigações, pois estava no Japão na noite de domingo. Mas ela pode ser uma peça-chave nas investigações, que vão avaliar se ele teria algum distúrbio emocional.

Danley é uma australiana de origem filipina de 62 anos. Ela foi morar nos Estados Unidos há 20 anos para trabalhar em cassinos. Segundo a ministra das Relações Exteriores da Austrália, Julie Bishop, a reserva no hotel Mandalay Bay, que hospedou o atirador desde a quarta-feira (27), foi feita com os documentos da namorada. O governo australiano diz que irá dar apoio à polícia americana nas investigações. Liza Werner, irmã de Danley, declarou à imprensa australiana que a namorada do atirador tem netos.

O FBI também tentará esclarecer como uma pessoa de perfil tão comum pode ter planejado minuciosamente e sozinho um ataque com tanto armamento. Segundo a polícia, as circunstâncias do crime apontam que quem o fez tinha experiência – e muita – com armas.

O balanço atualizado de vítimas aponta 59 mortos e 527 feridos, muitos ainda hospitalizados. A polícia pede paciência às famílias e adverte que o trabalho de identificação dos corpos poderá ser longo. Sabe-se que entre os mortos estão um canadense e pelo menos 20 americanos, já identificados. Os hospitais continuam lotados e mais de uma dezena de pessoas ainda estão em situação crítica.

Diante de mais uma tragédia, os americanos se unem na solidariedade: centenas de pessoas enfrentaram mais de oito horas de filas para doar sangue, nessa segunda-feira em Las Vegas, e os donos dos hotéis estão oferecendo hospedagem de graça para os familiares das vítimas que chegam à cidade à procura de parentes.


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