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Américas

Moradores atônitos assistem ao resgate de vítimas do terremoto no México

media Moradores da cidade do México são socorridos após o forte terremoto desta terça-feira, 19 de setembro de 2017. REUTERS/Carlos Jasso

Moradores da capital do México relatam cenas de pânico após o terremoto de 7,1 de magnitude que atingiu o país nesta terça-feira (19), deixando pelo menos 217 mortos, incluindo 21 crianças soterradas pelo desabamento de uma escola. "Todos os vidros, os móveis, as escadas, os muros, tudo desabou. Eu entrei em pânico", contou uma habitante da zona sul da cidade, a área mais impactada pelo tremor.

Emilie Barraza, correspondente da RFI no México*

Os moradores da capital do México vivenciam horas de desespero após o terremoto de 7,1 de magnitude que atingiu o país na tarde de terça-feira (19). Um balanço parcial aponta pelo menos 217 mortos, incluindo 21 crianças soterradas no desabamento de uma escola de 400 alunos.

"Todos os vidros, os móveis, as escadas, os muros, tudo desabou. Eu entrei em pânico", contou uma moradora da zona sul da cidade, a área mais impactada pelo tremor.

"Senti medo e comecei a implorar pela ajuda de Deus. Quando eu estava saindo, vi o prédio ao lado do meu desmoronar, os outros prédios se fissurando, pensei que era o meu fim", relatou a mexicana à RFI. Com a voz embargada, o corpo trêmulo e agarrada à filha, que também conseguiu se salvar, a jovem mãe não acreditava que esse novo terremoto tenha atingido a capital mexicana exatamente 32 anos após o tremor de 19 de setembro de 1985, que deixou mais de 10.000 mortos.

Na mesma área, bombeiros trabalhavam diante do olhar angustiado de vizinhos de um edifício. "O prédio caiu, já retiraram uma pessoa morta, mas outras duas estão embaixo dos escombros. Estão tentando retirá-las", explicou uma moradora.

Há caos nas ruas, muitos moradores temendo réplicas não querem voltar para suas casas. As equipes de socorro pedem a todo instante para as pessoas não fumarem nas calçadas para evitar explosões devido a rupturas na canalização de gás. Mais de 40 imóveis desabaram na Cidade do México.

Em 7 de setembro, um outro terremoto de magnitude 8,1, o mais forte em um século no México, deixou 96 mortos e mais de 200 feridos no sul do país, especialmente nos estados de Oaxaca e Chiapas.

Crianças morrem soterradas em escola

A maior tragédia na capital foi o desabamento da escola Enrique Rebsamen, localizada no extremo sul da cidade. "Temos 26 mortos, dos quais cinco são adultos e 21 crianças. Temos 11 crianças resgatadas, e o número de pessoas presas oscila entre 30 e 40", disse José Luis Vergara, oficial do Exército que coordena o resgate, ao canal Televisa.

Com o apoio de civis e de socorristas, militares trabalhavam com a luz de geradores. As buscas seguiam complicadas, porque a escola, que, de três andares, foi reduzida a apenas um, ameaçava desabar por completo a qualquer momento.

Vergara explicou que os socorristas conseguiram estabelecer contato com uma professora e com duas crianças presas nos escombros. Mães aguardavam notícias dos filhos, em um clima de grande nervosismo. Os pais também ajudavam a remover os escombros. A polícia levou cães farejadores e instrumentos para detectar o mínimo som até a área da tragédia.

Bairro nobre da capital registra desabamentos

No bairro de Condesa, durante toda a madrugada, os moradores se organizaram em pequenos grupos para arrecadar água mineral, material hidráulico e outras ferramentas para ajudar na remoção dos escombros e hidratar rapidamente os sobreviventes. Os resgates se concentram no corredor Roma-Condesa, área nobre da capital conhecida por seus bares e restaurantes e onde moram muitos estrangeiros.

Entre soluços, a mexicana Lucía Solís, que enfrentou o forte terremoto no bairro de La Roma, um dos mais destruídos pelo tremor de 1985, permanecia incrédula com a coincidência das datas.

Os trabalhos de resgate, em busca de sobreviventes, prosseguem sem descanso na capital e nos estados centrais do México. "Até o momento, registramos 217 falecidos: 86 na Cidade do México, 71 em Morelos, 43 em Puebla, 12 no estado do México, três em Guerrero e um em Oaxaca", tuitou o diretor da Defesa Civil no Ministério do Interior, Luis Felipe Puente.

Com os braços levantados, ou gritos de "silêncio", os socorristas que se especializaram em resgates com o terremoto de 1985, não pararam durante a madrugada, com a esperança de ouvir qualquer ruído que indicasse a presença de um sobrevivente sob os escombros. Quando uma pessoa conseguia retirar um sobrevivente, o silêncio dava lugar a aplausos e comemorações.

Nos estados de Puebla e Morelos, onde foi localizado o epicentro do terremoto, que aconteceu às 13h14 locais (15h14 de Brasília) de terça-feira (19), também prosseguiam as tarefas de resgate em casas e prédios destruídos.

"Forças Armadas e Polícia Federal seguirão trabalhando sem descanso até esgotar todas as possibilidades de encontrar mais pessoas com vida", escreveu no Twitter o secretário de Governo, Miguel Angel Osorio.

México tem alta atividade sísmica

O México fica entre cinco placas tectônicas e é um dos países com maior atividade sísmica no mundo. A Cidade do México conta com um sistema de alertas que se ativa um minuto antes do sismo.

Em 7 de setembro, um terremoto de magnitude 8,1, o mais forte em um século no México, deixou 96 mortos e mais de 200 feridos no sul do país, especialmente nos estados de Oaxaca e Chiapas.

Papa reza por vítimas e desabrigados

O papa Francisco expressou nesta quarta-feira, ao final de uma audiência no Vaticano, sua "proximidade e oração a toda a querida população mexicana" após o devastador terremoto que afetou ontem o país. "Neste momento de dor quero manifestar minha proximidade e oração a toda a querida população mexicana", completou.

Francisco pediu a todos os fiéis que orassem pelos mortos e desabrigados. "Peçamos também por todos os funcionários dos serviços e de socorro que prestam ajuda às pessoas afetadas, e que nossa mãe, a Virgem de Guadalupe, esteja próxima da querida nação mexicana", concluiu.

* Com agências internacionais

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