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Recusa de Trump em condenar violência racista surpreende EUA

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Recusa de Trump em condenar violência racista surpreende EUA
 
Polícia do estado da Virgínia, nos Estados Unidos, estabelece perímetro de segurança no local onde um veículo atropelou manifestantes antirracistas, matando uma mãe de família de 32 anos. REUTERS/Jim Bourg

No fim de semana em que o presidente dos EUA ameaçou usar força militar contra a Coreia do Norte e a Venezuela, consideradas por Washington como dois países governados igualmente por autocratas de esquerda, a própria autoridade moral do presidente Donald Trump foi severamente questionada nos dois lados do Atlântico Norte, depois que o republicano se recusou a condenar explicitamente grupos de extrema-direita, responsáveis por um surto de violência na Virginia.

Eduardo Graça, correspondente da RFI em Nova Iorque

Os protestos comandados por uma coalizão de grupos ultra-nacionalistas, da direita alternativa e de neonazistas, contra a derrubada de uma estátua do general Lee, líder militar dos Confederados na Guerra de Sucessão Americana, terminou com um estudante simpatizante dos neonazistas atropelando propositalmente manifestantes antirracistas nas ruas da cidade universitária de Charlotesville. Dezenove pessoas ficaram feridas e uma mulher morreu.

Trump condenou a “violência que vem de todos os lados”, despertando a fúria da opinião pública americana. Membros da Ku Kux Klan, entre outros grupos extremistas, celebraram o que perceberam ser a negativa de Trump de condenar o direito de livre-expressão de ultrarradicais anti-democráticos. A opinião pública americana deu uma virada de 180 graus, com o foco centrado em ataques à democracia não na América do Sul ou no Extremo Oriente, mas no próprio solo norte-americano.

Críticas até mesmo dos conservadores

As críticas a Trump foram intensas, inclusive dos conservadores, chocados com a recusa do presidente em denunciar manifestantes que saíram às ruas de Charlotesville com símbolos como a suástica. Vários republicanos imploraram publicamente a Trump durante o fim de semana uma criminalização explícita pelo menos dos neonazistas. A chiadeira foi tamanha que a Casa Branca, ontem, enviou à imprensa uma condenação genérica do ‘supremacismo branco’, mas sem assinatura.

Mas foi, como se diz aqui, muito tarde e muito pouco para o tamanho da batata-quente na mão do presidente. Uma cidadã americana, Heather Heyer, de 32 anos, mãe de uma menina, foi morta na Virgínia, e 19 outros ficaram feridos, por conta da ação de James Alex Fields Jr., de 20 anos, que jogou seu carro em um grupo de pessoas que se manifestavam contra o racismo e a intolerância.

Reação da imprensa nos Estados Unidos

O Financial Times, em duro editorial, afirmou que a Casa Branca, hoje, vive, definitivamente, um vazio de liderança moral. O Washington Post disse que Trump foi quem acendeu a tocha dos radicais de direita nas manifestações na Virgínia, algumas delas feitas bem no estilo clássico da Ku Kux Klan. O New York Times reuniu textos de Opinião de articulistas e líderes conservadores criticando e até rompendo com o presidente por conta do episódio.

Já a New Yorker foi além. A revista classificou a violência em Virgínia de ato terrorista e detectou uma nova fase na era Trump, em que grupos defensores de ideologias de extrema-direita e de supremacia dos cidadãos de origem caucasiana se sentem encorajados em sair às ruas para demonstrar livremente seu ódio a mulheres, negros, latinos, outras minorias étnicas, religiosas e de orientação sexual. Vale notar a reação do governo da Virgínia, que é comandado pelos democratas. Governador e vice ocuparam a mídia, especialmente as redes de tevê, para denunciar a visão do presidente e denunciar o ataque de sábado como uma ação criminosa da extrema-direita, a única responsável pela violência e morte nas ruas de Charlotsville. E o prefeito da cidade, Mike Signer, culpou Donald Trump pela violência em sua cidade e fez questão de lembrar que a campanha presidencial do republicano já era extremista.

Trump critica ataques a democracia, mas na Venezuela

Em um sinal de que as relações entre Washington e Caracas chegaram a um novo ponto crítico, o vice-presidente Mike Pence, em visita oficial à Colômbia, anunciou ontem que vai usar sua viagem este semana por países da América do Sul e Central, incluindo Argentina, Chile e Panamá, para reforçar uma aliança regional contra o governo de Nicolás Maduro. Sob a orientação de Trump, Pence afirmou que Washington quer aumentar as pressões “para restaurar a democracia na Venezuela”.

Para tanto, segundo ele, o governo dos EUA vai usar de suas armas econômicas e de segurança. Mas na sexta-feira, Trump afirmou que uma “opção militar” contra Maduro não é carta fora do baralho. E o tiro saiu pela culatra, ao alimentar fantasmas do antiamericanismo e lembranças dos golpes militares apoiados por Washington no passado na região.

O ministro das Relações Exteriores da Colômbia, país que é um dos principais aliados dos EUA no continente, condenou as declarações de Trump. Também bateram em Trump o Mercosul, do qual a Venezuela está suspensa, e os governos do México e do Peru. Até especialistas críticos ao governo Maduro, como o presidente do influente Council on Foreign Relations, Richard Haas, torceram o nariz para a declaração de Trump: “uma coisa é discutir sanções econômicas, outra falar em intervenção militar, o que dificulta a cooperação regional”.


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