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Américas

Comunidade internacional condena prisão de líderes da oposição na Venezuela

media Os líderes da oposição venezuelana, Leopoldo Lopez (e) e Antonio Ledezma (d) foram detidos em regime fechado. Leopoldo LOPEZ / AFP

Os dois membros mais emblemáticos da oposição venezuelana, Leopoldo López e Antonio Ledezma, que estavam em prisão domiciliar, foram detidos na madrugada desta terça-feira (1°) após seus apelos contra a Assembleia Constituinte do presidente Nicolás Maduro. A medida foi duramente criticada pela comunidade internacional.

A União Europeia condenou abertamente a prisão dos opositores. Em uma declaração diante da imprensa, a porta-voz da chefe da diplomacia do bloco, Catherine Ray, disse que a Venezuela “deu claramente mais um passo na direção errada”. A representante de Bruxelas pediu novamente que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, contribua “para uma solução pacífica e negociada” no país.

A alto comissário das Nações Unidas para os Diretos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, disse estar “profundamente preocupado” e pediu que o governo venezuelano “libere imediatamente todos os presos para que exerçam o livre direito de se expressar e manifestar de forma pacífica”.

Mesmo tom do lado de Washington. O governo americano disse, por meio de uma mensagem do subsecretário adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Francisco Palmieri, que "esta ação é mais uma prova do autoritarismo do regime (do presidente venezuelano Nicolás) Maduro".

O Brasil também pediu ao governo venezuelano que liberte imediatamente os opositores. Brasília afirmou, em um comunicado emitido pelo ministério das Relações Exteriores, que repudia a detenção e que considera que isso se trata de "uma demonstração a mais da falta de respeito às liberdades individuais e ao devido processo legal, pilares essenciais de um regime democrático".

Ícones da oposição na Venezuela

Líder da ala radical da oposição, Leopoldo López é um economista de 46 anos, com mestrado em Harvard. Ele foi condenado a quase 14 anos de prisão acusado de incitar à violência nos protestos contra o governo que deixaram 43 mortos e 878 feridos em 2014. Fundador do partido Vontade Popular, o opositor fez carreira como adversário do então presidente Hugo Chávez (1999-2013).

López foi prefeito do município de Chacao (2000-2008) – um dos mais ricos da região de Caracas –, onde projetou uma imagem de dinamismo e eficiência que o colocou como possível candidato presidencial, mas acabou perdendo seus direitos políticos em duas ocasiões.

Já Antonio Ledezma, de 62 anos, é prefeito de Caracas. Ele foi detido em fevereiro de 2015, acusado de conspiração. Em abril daquele ano, obteve o benefício da prisão domiciliar por razões de saúde, depois de ser operado de uma hérnia inguinal.

O experiente político, advogado de profissão, foi deputado do extinto Congresso (1984-1992), governador do antigo Distrito Federal (1992-1993), senador (1994-1996) e prefeito do município de Libertador em duas ocasiões (1996-2000). A Promotoria pediu que fosse condenado a 16 anos de prisão por "supostamente apoiar grupos que pretendiam desestabilizar o país por meio de ações violentas".

(Com informações da AFP)

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