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Américas

Venezuela: oposição convoca população a ocupar ruas no dia da eleição da Constituinte

media Há quase quatro meses, população venezuelana se manifesta contra o governo de Nicolás Maduro. REUTERS/Andres Martinez Casares

Na véspera da eleição da Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela, a oposição ao governo do presidente Nicolás Maduro voltou a convocar a população neste sábado (29) a ocupar as ruas de todo o país. 

A oposição fez um apelo para que os venezuelanos continuem a pressionar o governo e marque sua posição contra a votação que considera "uma fraude à constituição" e "uma manobra de Maduro para se manter no poder". Há quase quatro meses, protestos sacodem as principais cidades do país, nos quais 113 pessoas já morreram.

Um dos principais rivais de Maduro, Henrique Capriles, disse que é importante que a população mostre sua posição contra a eleição de uma nova Constituinte no domingo (30). O objetivo do ex-candidato à presidente é "mostrar duas fotografias da Venezuela: aquela das urnas vazias e a das principais avenidas lotadas".

Enquanto os locais de votação não são abertos, os militantes continuam a mobilização. Devido au mau tempo em Caracas, a adesão aos protestos foi menor na sexta-feira (28), mas confrontos entre manifestantes e policiais foram registrados. Um jovem de 18 anos morreu em uma manifestação na cidade de San Cristobal, oeste do país. 

Air France suspende voos a Caracas

Temendo incidentes violentos durante a eleição do domingo, a companhia aérea francesa Air France anunciou a suspensão de seus voos entre Paris e Caracas entre 30 de julho e 1º de agosto. "Air France recorda que a segurança de seus clientes e de suas tripulações é prioridade. A companhia acompanha a situação em tempo real e informará seus clientes sobre qualquer evolução de seu programa de voos", indica o comunicado.

Alguns países também se preocupam com o destino de seus cidadãos na Venezuela. O departamento de Estado americano determinou a saída das famílias de seus diplomatas e autorizou a partida voluntária de seus funcionários do país.

No mesmo sentido, o Canadá recomendou a seus cidadãos evitarem viajar à Venezuela, e disse para os que já estão no país saírem. Já o governo do México pediu precaução aos mexicanos com viagem marcada para a Venezuela.

O Itamaraty não fez nenhuma recomendação, até o momento, aos brasileiros vivendo na Venezuela. Na semana passada, no entanto, Brasília pediu que Maduro cancelasse a eleição da Assembleia Nacional Constituinte

Por que a votação é polêmica

A Assembleia Nacional Constituinte é um grupo eleito para redigir a constituição da Venezuela. Na eleição, vota quem quer, já no país o voto é facultativo. No total, serão escolhidas 545 pessoas, sendo que 364 receberão voto direto através de eleição territorial. Neste caso, cada município terá um representante e as capitais dos estados, dois – sem importar o tamanho da população. 

Os outros 173 membros serão definidos pelos setores sociais, que são organizações sociais chavistas, sindicatos e outras entidades criadas pelo Estado. Também serão eleitas oito pessoas de comunidades indígenas. 

A eleição da Assembleia Constituinte é polêmica porque dela não participam candidatos opositores e não há motivos concretos para mudar a Constituição. A atual Carta Magna está em vigor desde 1999 e foi estabelecida pelo ex-presidente Hugo Chávez. 

O receio de quem se posiciona contra a eleição é não saber quais leis serão aprovadas. Os críticos afirmam que a nova constituição servirá para aumentar os poderes do Estado.

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