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Américas

Férias de brasileiros em Bariloche viram pesadelo

media Imagem dz aviões imobilizados (ao fundo) no aeroporto de São Carlos de Bariloche no dia 14 de julho. Foto: Facebook/Bariloche para Brasileiros

Muitos brasileiros chegam a Buenos Aires e, sem poder continuar a viagem para São Carlos de Bariloche, tentam remarcar a passagem imediatamente de volta para casa. A reportagem da RFI constatou que dezenas de turistas perderam as reservas de hotel em Bariloche e são obrigados a pagar outras diárias, em Buenos Aires, até conseguirem um voo de retorno para suas cidades de origem.

Correspondente em Buenos Aires

O aeroporto de Bariloche voltou a ser fechado por neblina nesta terça-feira (18). Todos os voos depois das 16h foram cancelados. A neve acumulada nos últimos dias derrete com o sol e provoca a formação de vapor d'água. A neblina espessa impede a visibilidade para pousos e decolagens.

O que já era um caos, tornou-se um inferno, com o acúmulo de mais e mais brasileiros que não conseguem sair da cidade. Muitos decidiram encarar o regresso a Buenos Aires em alguns dos 20 ônibus de emergência que as companhias aéreas improvisaram.

"Nunca mais"

Os avós Eduardo (59) e Nara Rodrigues (60), com a netinha Bianca (6), chegaram a Buenos Aires, depois de um dia de viagem, na segunda escala do calvário para conseguir uma conexão de volta ao Brasil. "Levamos 23 horas de ônibus de lá para cá. Estamos tentando remarcar a nossa conexão para São Paulo e depois para Brasília. Estamos nesse caos, esperando para saber o que vai acontecer", conta Eduardo à RFI no aeroporto metropolitano de Buenos Aires. "Foi a nossa primeira vez em Bariloche e nunca mais. Deus me livre! Estrutura zero", denuncia.

Na mesma fila de 100 metros, outros passageiros tentam obter uma resposta em forma de milagre da companhia Latam. A auditora carioca Rafaela Albuquerque (27) explica que, pouco depois de chegar do Rio de Janeiro para embarcar para Bariloche no voo das 16h, recebeu a notícia que todos temem: o voo foi cancelado.

"Eles estão dando a opção de mudar o destino, se você quiser ir para outro lugar. Teve gente que decidiu ir para o Chile, mas é complicado, né?", questiona uma desorientada Rafaela, que veio à Argentina com planos de ficar noiva no cenário romântico de Bariloche. "Disseram que o próximo voo disponível para Bariloche será no dia 25. Como eu faço? Fico dormindo no aeroporto?", questiona indignada. "Inclusive vamos ficar noivos em Bariloche. Estou aqui com as alianças na bolsa", revela ainda com esperanças.

"No 'check in' no Brasil, eu perguntei se estava tudo bem para vir para cá. Responderam que sim, mas quando chego, vejo essa situação. A companhia não está impedindo as pessoas de voarem para cá", adverte Rafaela.

Bate e volta

Assim que chegam do Brasil e recebem a notícia de voos cancelados, muitos brasileiros pedem o imediato retorno ao Brasil. Só conseguem para quatro dias ou uma semana mais tarde. É o caso de Giane Zanfeolin (42), que chegou com mais seis pessoas e se viu impedido de continuar a viagem. A volta foi remarcada para o dia 22.

"O problema não é a nevasca em si, mas o descaso de a companhia aérea deixar que a gente venha para cá", acusa Giane, que saiu de Santo Anastácio, a 600 km de São Paulo. Da capital paulista veio para Buenos Aires. Muitos gastos para férias arruinadas.

"Dinheiro perdido. O hotel não se responsabiliza. A companhia também não. É frustrante para as crianças", lamenta.

Quatro dias de espera

Renata Varela (47) e a filha Estefani (18) tinham de chegar a Bariloche justamente quando a nevasca começou na última sexta-feira, dia 14. O avião até partiu, mas foi desviado ao aeroporto da província vizinha, Neuquén, onde aguardou uma melhora do tempo por três horas até regressar a Buenos Aires. Já sem hotel nem assistência, mãe e filha passaram a primeira noite dormindo no chão do aeroporto. Depois, Renata pagou as três noites seguintes em um hotel até a data de voltar ao Brasil.

"Estamos muito frustradas. Perdi as quatro noites de hotel em Bariloche. Vou processar a companhia pela falta de assistência", antecipa Renata. "Nunca mais venho para cá", avisa Estefani, que tinha planos de conhecer a neve.

Perdas superiores a 20 mil reais

Em Buenos Aires a situação é semelhante, com centenas de brasileiros que não conseguem chegar a Bariloche. Na fila da Aerolíneas Argentinas, o advogado Mauri Nascimento, de 54 anos, com a família de seis pessoas, é a síntese da frustração.

Na segunda-feira, ele chegou a embarcar de Buenos Aires para Bariloche. Sobrevoou a cidade por 50 minutos, sem poder pousar. O piloto desviou o voo para o aeroporto de Neuquén, a 430 km, a fim de abastecer antes de retornar a Buenos Aires. Mauri perdeu R$ 20 mil com a reserva de hotel para a família em Bariloche. Além disso, teve de pagar o hotel em Buenos Aires e ainda teve uma mala extraviada pela Aerolíneas Argentinas.

"É frustração total. Costumo viajar bastante pelo mundo e nunca me deparei com uma sensação assim de tamanha impotência por não ter qualquer espécie de informação. É um sentimento de indignação e de revolta mesmo", murmura Mauri num choro contido de desabafo.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil disse que acompanha de perto a situação dos turistas bloequeados pela nevasca do fim de semana e já contactou as autoridades argentinas para dar a assitência necessária aos brasileiros retidos em Bariloche. O Itamaraty examina a instalação de um núcleo de apoio do Consulado Honorário no aeroporto de São Carlos de Bariloche.

A nota informa o telefone de plantão do Consulado-Geral em Buenos Aires: +(54) 9 11 4199 9668.

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