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Senado americano inicia audiências sobre conexões entre Trump e Rússia

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Senado americano inicia audiências sobre conexões entre Trump e Rússia
 
James Comey, ex-diretor do FBI REUTERS/Kevin Lamarque

O ex-diretor do FBI James Comey, demitido no dia 9 de maio pelo presidente dos EUA, Donald Trump, será ouvido nesta quinta-feira (8) pelo Comitê de Inteligência do Senado, em momento crucial da investigação do Congresso sobre possíveis conexões entre a campanha de Trump à presidência e o governo russo.

A expectativa pelo depoimento é tamanha que o clima na administração republicana parece ter chegado a seu ponto mais crítico. Na noite de ontem, o “Washington Post” revelou que o advogado-geral, senador Jeff Sessions, um conservador linha-dura, teria oferecido a sua renúncia antes da série de depoimentos que podem causar um terremoto político na maior potência do planeta.

Hoje, o Congresso americano é palco de um aquecimento para a aguardada inquirição de Comey, com os senadores recebendo para questionamentos públicos o Almirante Michael Rogers, diretor da Agência Nacional de Segurança, o ex-senador Dan Coats, diretor nacional de Inteligência, o diretor interino do FBI, Andrew McCabe, e o segundo nome do Departamento de Justiça, Rod Rosenstein, cuja avaliação entregue a Trump foi crucial para a polêmica demissão de Comey.

Para se ter uma ideia do tamanho da expectativa do depoimento, amanhã, de Comey, basta dizer que as quatro grandes emissoras de tevê aberta, NBC, CBS, ABC e Fox, além das três de notícias 24 horas, a MSNBC, a CNN e a Fox News, cobrirão ao vivo o depoimento e terão seus principais âncoras posicionados no Capitólio a partir das 9 da manhã.

Hoje, o foco das entrevistas no Senado seria inicialmente o orçamento do serviço de inteligência proposto pelo governo Trump. Seria, porque tudo mudou ontem de noite, quando o “Washington Post” revelou que dois dos oficiais que serão ouvidos hoje pelos senadores, Coats e Rogers, receberam pedido formal do presidente para negar publicamente que havia qualquer relação entre a campanha presidencial de Trump e Moscou. E o “New York Times”, também ontem de noite, afirmou que Comey pediu ao advogado-geral dos EUA, Jeff Sessions, que não ficasse mais sozinho com o presidente Trump, depois de ele fazer o mesmo pedido a ele, dias antes de ser demitido.

Jeff Sessions chegou a "oferecer renúncia"

De acordo com o “Washington Post” a atmosfera na Casa Branca está tão sufocante que Sessions chegou a oferecer a renúncia do cargo que, na prática, é similar ao de Ministro da Justiça no Brasil, um dos dois mais importantes do gabinete de Trump. Ainda de acordo com as fontes do jornal, os dois oficiais subordinados a Sessions que foram abordados por Trump negaram, assim como Comey, o pedido do presidente para interferir nas investigações envolvendo a campanha e disseram ao próprio bilionário nova-yorkino que aquela conversa era, no mínimo, inapropriada.

As fontes do “Post” vão além e também informam que o presidente tentou usar outras agências de inteligência do país, inclusive a poderosa CIA, para enfraquecer a investigação do FBI e evitar a instalação de um conselho independente, sem controle do governo federal, o que acabou ocorrendo à revelia de Trump, para avaliar a cada vez mais intrincada história. O resultado prático é que aumentou a munição dos senadores democratas para tentar provar que houve sim tentativa de obstrução da Justiça por parte de Trump. Se provada, claro, é justificativa para a instauração de um processo de impeachment.

Obstrução da Justiça

Há indícios de que Comey foi demitido, ao contrário dos oficiais, ainda no cargo, que serão ouvidos hoje no Senado, justamente por se recusar a interromper a investigação que o FBI faz sobre a ingerência russa nas eleições americanas do ano passado. E Comey será perguntado diretamente pelos democratas se ele acredita que o presidente tenha tentado obstruir a Justiça.

É um momento que está sendo tratado como histórico aqui nos EUA: aquele em que um funcionário público terá, em todas as tevês, ao vivo, a capacidade de explicar os motivos pelos quais ele se recusou a obedecer uma ordem de Trump e por isso, possivelmente, perdeu seu cargo. O presidente também deverá acompanhar o depoimento ao vivo, e deverá, como é de praxe, se posicionar pelas redes sociais.


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