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Américas

"Pressão nas ruas é única arma política da oposição da Venezuela", diz analista

media Estudantes e opositores marcham com velas em homenagem às vítimas dos protestos na Venezuela REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Desde o dia 1° de abril passado, os venezuelanos têm saído nas ruas da capital Caracas e de várias cidades do país para protestar contra o governo do presidente Nicolás Maduro e pedir eleições antecipadas. Reprimidas com violência, as manifestações deixaram 28 mortos e centenas de feridos. Em entrevista exclusiva, a RFI analisa a mobilização deste mês de protestos.

Stéphanie Schüler, RFI

Um dos fatores que tem chamado a atenção na Venezuela, durante a crise política, é a forte mobilização popular.

A violência não assustou a população e a massa engrossa a cada novo apelo. Para Eduardo Rios, doutor em Ciências Políticas associado ao CNRS (Centro Nacional de Pesquisas Científicas), a grande concentração reflete que a oposição é um movimento que se reforça cada vez mais com o passar dos anos. "A oposição venezuelana não está na sua primeira grande operação política. O que é interessante é que a política atual da oposição permitiu que ela aumente o número de pessoas na rua em mobilizações vastas geográficamente, e também em nível eleitoral. Houve eleições em massa há três ou quatro meses, então, o que acontece hoje é que a oposição alia poder político e eleitoral ao poder de mobilização. Ela aumenta sua capacidade política onde o governo, se não perde, não parece aumentar", diz o especialista.

O fenômeno da "maré humana" nas ruas do país é fruto, então, de décadas de trabalho político. "A política se faz com as condições que são impostas", reflete o entrevistado, lembrando que há um forte recurso do lado do militantismo, se bem que as condições econômicas estejam diminuídas.

Novas camadas da população também vêm se juntando às manifestações. "A oposição nunca esteve sem o voto popular, e sem este não haveria o sucesso eleitoral das legislativas. Mas agora vemos que isso também está impactando na mobilização, a extensão geográfica dos protestos está aumentando, é verdade, e esta progressão é marcante", observa Rios.

Por que os venezuelanos protestam nas ruas?

O aumento da pobreza é a primeira explicação possível para o analista. "É preciso dizer que no governo de Hugo Chávez a pobreza havia diminuído ostensivamente, talvez de forma pontual devido ao aumento do preço do petróleo, mas ele o fez. Já sob o governo de Nicolás Maduro a pobreza aumentou, a fome aumentou. As estatísticas do país podem dar os números que quiserem, mas se diz que os venezuelanos perderam de um a cinco quilos em um ano, que a pobreza está no mesmo nível que Chávez encontrou em 1999, e o PIB despencou 10 pontos no ano passado e 15 pontos neste ano de 2017", constata, completando que a economia está deteriorando, a inflação está altíssima, o que se traduz em uma redução muito grande da condição social da população .

Pressão popular contra governo: até quando?

"A mobilização nas ruas é o único meio atual de pressão, já que o governo não quer permitir eleições regionais. E a oposição vai utilizá-la enquanto ela funcionar, e por enquanto isso está acontecendo", afirma o entrevistado, chamando a atenção que também existe uma grande mobilização nas redes sociais que demonstra a repressão do governo, é mais do que números, é uma batalha de imagens, uma batalha política, um confronto de forças. Acredito que exista uma força política para a pressão das ruas continuar, a oposição está aí e prova que pode ser eficiente".

A indagação, diante dos fatos no país, é quanto tempo essa queda de braço pode continuar. "Será que o governo pode manter indefinidamente uma posição repressiva? A resposta é sim. No entanto, sua situação não seria fácil. A situação econômica é desastrosa, os juros da dívida pesam sobre o país até 2027, a inflação é de 800% neste ano, o PIB tem queda de 15%", considera Eduardo Rios, lembrando que a situação de insegurança é igualmente preocupante, com cerca de 20.000 assassinatos no ano passado. "O interesse do governo hoje é encontrar uma solução política de consenso, o que poderia permitir a administração dos juros da dívida, que são o centro do problema político atual".

Governo da Venezuela é em plena contradição

A situação do governo hoje é comparável ao "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". Para o cientista político Eduardo Rios, as dívidas são a base de todos os problemas econômicos atuais. Mas para negociar os juros e novos contratos junto às instituições internacionais, é preciso que a Assembleia Nacional valide as novas dívidas do Estado e o governo de Maduro não reconhece o poder legislativo.

"Acho que hoje o governo da Venezuela está mais numa estratégia a curto prazo do que a longo prazo, a fim de se manter no poder", conclui o cientista político.
 

 

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