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Américas

Colombianos protestam contra touradas em defesa dos direitos dos animais

media Manifestações contra touradas nas ruas de Bogotá Andrea Domínguez

A Corte Constitucional da Colômbia declarou nesta quinta-feira (2) que as touradas não podem ser mais consideradas uma exceção na lista de maus tratos aos animais. A medida, que não é definitiva, responde aos inúmeros protestos contra a atividade.

Andrea Domínguez, correspondente da RFI em Bogotá

A mais alta instância jurídica do país deu ao Congresso um prazo de dois anos para legislar sobre esse e outros espetáculos tradicionais. Além das touradas, também serao discutidos a autorizaçao das brigas de galos, que acontecem desde a época colonial em muitos lugares do país.

Se passados esses dois anos o Congresso ainda não tiver legislado sobre o assunto, a Corte deve declarar todas essas práticas ilegais. Mas enquanto a decisão final não for tomada, as touradas serão mantidas, dividindo a sociedade.

As touradas voltaram por uma decisão da Corte Constitucional, que protegeu o direito dos toureiros de preservar a tradição. Mas agora a mesma Corte, em resposta a uma demanda de cidadãos colombianos, reconheceu que o sofrimento infringido aos animais durante a ritual não pode ser ignorado pelos legisladores.

Atualmente as touradas são legais, mas ao mesmo tempo são reconhecidas como maus-tratos ao animal. Elas fazem parte da tradição, mas novos valores estão mudando na mentalidade dos colombianos desde que os espanhóis as trouxeram do outro lado do Atlântico.

Confronto de valores

Bem além das touradas, o tema levanta um debate nacional sobre os valores que estão prevalecendo na sociedade colombiana, com um intenso lobby dos dois lados no Congresso para a aprovação da legislação.

Segundo Julián Coy, engenheiro eletrônico e subdiretor da plataforma Alto (Animais Livres de Tortura), a decisão da Corte é um avanço na luta pelos diretos dos animais. “Embora estivéssemos esperando uma proibição das touradas, com sua sentença a Corte Constitucional abre uma oportunidade para o país debater e mudar a forma como se comportar diante desses animais”.

O jovem ativista reconhece que esse debate é muito mais abrangente do que a defesa dos touros. Trata-se de uma nova forma de se posicionar perante os animais, vendo-os como seres que sentem e que estão protegidos pela lei.

Para Coy, a percepção do tema muda de uma geração para outra. “Em nossa plataforma somos quase todos jovens ao redor dos 25 anos de idade e, ao nosso ver, trata-se de uma evolução ética. Antigamente, os animais não faziam parte de nosso círculo de consideração moral, mas hoje sim, embora a legislação e a jurisprudência estejam um pouco ultrapassadas”, explicou.

Maioria é contra as touradas

De acordo com uma sondagem da radio Caracol, 78% dos colombianos são contra as touradas. Porém, a classe política do país está fortemente ligada à “tauromaquia” (arte de tourear), sendo os camarotes das arenas um ponto de encontro social importante. Além disso, muitos políticos e membros do Congresso têm ligação com o comércio de gado.

O diretor da Corporação Taurina de Bogotá, Felipe Negret, também chama a atenção para a dimensão política do assunto. “Agora o Congresso vai ter que decidir e não pode perder de vista que esse é um tema de respeito à diversidade cultural do país, mesmo levando em consideração que o debate vai acontecer ao mesmo tempo que a campanha presidencial e parlamentar de 2018, o que fará com que necessariamente se torne um tema político”, frisou.

Nos protestos das últimas semanas em torno da Praça de Touros La Santamaría de Bogotá, viu-se um pouco do que pode ser essa campanha política no ano que vem, enquanto se define o futuro das touradas no Congresso: a cada evento minorias com chapéus vermelhos, boinas pretas e botas tiveram que entrar escoltadas nas praças de touros.

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