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Europa

Governos e instituições condenam em coro decreto migratório de Trump

media A chanceler alemã, Angela Merkel, denuncia o clima de "suspeita geral" que o decreto criou REUTERS/Fabrizio Bensch

O presidente americano vem recebendo uma avalanche mundial de críticas depois de vetar no sábado (28), a entrada de pessoas de 7 países, muçulmanos em sua maioria. Angela Merkelé contra, mas Theresa May, mais cordata, ignorou a petição de 1 milhão de assinaturas e vai receber Trump no Reino Unido.

Governos, instituições e ONGs estão condenando em coro o decreto de Donald Trump. A chanceler alemã, Angela Merkel condenou no domingo (29) as restrições, que considera injustificáveis, e lembrou os termos da Convenção de Genebra, como informou seu porta-voz, Steffen Seibert. O decreto proíbe por 90 dias o ingresso no país de cidadãos do Iraque, Irã, Iêmen, Líbia, Síria, Sudão e Somália.

"A chanceler está convencida de que, mesmo na batalha necessária contra o terrorismo, não se justifica colocar pessoas de certa origem ou crença sob suspeita geral", afirmou o porta-voz, completando que "a chanceler lamenta a proibição de entrada imposta pelo governo americano contra refugiados e cidadãos de alguns países", completou Steffen Seibert. O governo alemão "analisará agora as consequências" desta proibição para os cidadãos alemães com dupla nacionalidade afetados por estas medidas americanas", explicou.

A condenação acontece um dia depois da primeira conversa telefônica entre Donald Trump e Angela Merkel. Os comunicados publicados nos Estados Unidos e na Alemanha após a ligação não mencionaram as novas restrições à imigração em território americano.

"A Convenção de Genebra sobre os refugiados pede à comunidade internacional que receba as pessoas que fogem da guerra com uma base humanitária" e a chanceler destacou isto durante a conversa telefônica com Donald Trump", destacou o porta-voz.

A rede americana de fast-food Starbucks e o site de hospedagem Airbnb decidiram criar ações para apoiar os refugiados atingidos pelo decreto.

Grã-Bretanha manifesta desacordo, mas mantém visita de Trump

A primeira-ministra britânica, Theresa May, afirmou "discordar" das restrições migratórias impostas por Trump. "A política migratória dos Estados Unidos é um assunto do governo dos Estados Unidos, do mesmo modo que a nossa é determinada por nosso governo. Mas estamos em desacordo com esta forma de encará-la", disse um porta-voz de Downing Street. "Se tiver um impacto para cidadãos do Reino Unido, vamos intervir ante o governo americano", completou.

Trump, que recebeu Theresa May na sexta-feira (27) na Casa Branca, assinou pouco depois do encontro o decreto que suspende a entrada de refugiados nos Estados Unidos e afeta os cidadãos dos países já mencionados. No sábado, May provocou polêmica em seu país ao se recusar a condenar a medida quando foi questionada a respeito em uma entrevista durante uma visita à Turquia. Ela afirmou que Washington era livre para determinar sua própria política em termos de refugiados.

Um parlamentar britânico Nadhim Zahawi, do Partido Conservador, o mesmo de Theresa May, revelou no sábado que, sob as regras impostas por Trump, não pode entrar nos Estados Unidos. O deputado de origem iraquiana escreveu no Twitter que teve a confirmação de que o decreto é aplicado a ele e sua esposa, ambos nascidos no Iraque, apesar de seus passaportes britânicos.

O envolvimento de cidadãos britânicos aumentou a pressão de integrantes do Partido Conservador, que pediram a condenação à iniciativa de Trump, ofuscando a lua de mel iniciada com a visita de May a Washington.

O governo britânico também  informou nesta segunda-feira que não cancelará a visita de Estado de Donald Trump, como pedem cerca de 1,2 milhão de assinaturas em uma petição que inclui os próprios conservadores.
"A bem documentada misoginia e vulgaridade de Donald Trump o desqualifica para ser recebido por Sua Majestade ou o príncipe de Gales", afirma a petição, criada antes do decreto.
 

ONU: proibição de Trump de entrada nos EUA é "ilegal e mesquinha"

O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, o jordaniano Zeid Ra'ad Al Hussein, denunciou hoje (30) a "falta de generosidade" do decreto anti-imigração de Trump, criticando: "A discriminação fundada na nacionalidade é proibida pelos Direitos Humanos" tuitou Hussein, comentando que a medida também desperdiça os recursos necessários na luta contra o terrorismo.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (HCR) publicaram uma declaração comum em que lembram que o programa americano de reinserção é um dos maiores do mundo. "Os lugares de reinserção oferecidos por cada país são vitais. OIM e HCR esperam que os Estados Unidos continuem o seu papel importante de líder e prossigam a longa tradição de proteger quem foge de conflitos e perseguições", diz a declaração.

A ONG francesa Médicos sem Fronteiras (MSF), considera que a decisão vai suspender o atual programa de acolhida aos refugiados sírios e custar a vida de alguns. "O decreto do presidente americano vai impedir os civis de fugirem das zonas de guerra a aumentar os ricos aos quais eles estão expostos", diz o diretor do MSF nos Estados Unidos, Jason Cone, que também denuncia: "As autoridades americanas estudam rigorosamente os dossiês dos refugiados há anos. A Casa Branca fere o direito internacionalmente reconhecido dos civis de fugirem para sobreviver, ao fechar a porta do país".

A Comissão Europeia afirmou que vai se assegurar que os cidadãos europeus não sejam vítimas das medidas. "Nossos advogados estão em contato com nossos sócios da UE e claro que nos asseguraremos de que não seja aplicado nenhum tipo de discriminação a nossos cidadãos", afirmou o porta-voz do executivo comunitário, Margaritis Schinas.

Países muçulmanos reagem ao decreto de Trump

Irã: a decisão de Donald Trump foi chamada de "grande presente para os extremistas", afirmou neste domingo (29) o chanceler iraniano, Mohamad Javad Zarif. O decreto "entrará para a história como um grande presente para os extremistas e seus protetores", escreveu no Twitter. No sábado, o Irã, um dos países afetados, anunciou que vai aplicar o princípio de reciprocidade. Esta discriminação coletiva ajuda os terroristas a recrutar", completou Zarif.

Iraque: o ministro iraquiano das Relações Exteriores classificou a medida de "erro" e pediu aos Estados Unidos que volte atrás na decisão. Os deputados iraquianos também defendem a aplicação do princípio de reciprocidade, caso Washington não desista de proibir a entrada de iraquianos, e mais seis nacionalidade, por três meses.

Síria: o governo de Damasco pediu aos refugiados sírios que voltem ao país, sem fazer maiores comentários sobre a medida. O chanceler sírio, Walid Mouallem, renovou o apelo do governo para que os refugiados sírios instalados nos países vizinhos voltem, reafirmando sua disposição de acolhê-los e lhes garantir uma vida digna". A declaração foi feita depois de um encontro de Mouallem com o Alto Comissário da ONU para os refugiados, Filippo Grandi.

Organização da Cooperação Islâmica (OCI): a Organização confirma o ponto de vista do governo iraniano: a proibição temporária de entrada nos Estados Unidos dos cidadãos de sete países majoritariamente muçulmanos, encoraja os extremistas a recrutarem entre os refugiados sem destino, vulneráveis e perdidos.

 

Informações AFP/RFI

 

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