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Américas

"Vamos comprar produtos americanos e contratar americanos", diz Trump na posse

media Donald Trump discursa durante a cerimônia de posse Reuters

Com um discurso cheio de frases de efeito e tom populista e nacionalista, Donald Trump, 70, tomou posse nesta sexta-feira (20) como o 45° presidente dos Estados Unidos, em cerimônia no Capitólio, em Washington. "Deste dia em diante os Estados Unidos virão sempre em primeiro lugar", disse para a multidão, após prestar juramento. "Vamos seguir duas regras simples: comprar produtos americanos e contratar americanos."

Trump criticou a administração de Barack Obama, ao mencionar a transferência de fábricas para outros países, a situação de crescente violência, que relacionou às gangues e ao tráfico de drogas, e a falta de vigilância e de controle nas fronteiras. Falando sobre "as famílias pobres e os desempregados", ele disse que "a dor e os sonhos deles são nossos também".

"Deste dia em diante o povo voltou a governar este país", sentenciou o republicano, que criticou o establishment por apenas pensar em seus próprios interesses econômicos. "Compartilhamos um coração, uma casa e um destino glorioso. Quando os EUA estão unidos, somos imparáveis".

O presidente também prometeu nunca decepcionar o povo e que o país "vai triunfar como nunca antes". "Vou lutar por vocês com toda minha força", disse.

Em uma referência à diversidade étnica do país, tema polêmico na sua campanha, ele disse que "negros, pardos ou brancos, temos todos o mesmo sangue do patriotismo, desfrutamos da mesma liberdade gloriosa e adoramos a nossa bandeira".

O novo presidente prometeu eliminar o terrorismo radical islâmico e combater a imigração ilegal. Ele disse que o seu governo será marcado pela ação, e não pelo "discurso vazio" dos políticos. Em referência ao slogan da sua campanha ("Make America great again"), Trump disse: "Juntos vamos fazer os EUA fortes de novo, ricos de novo, orgulhosos de novo, seguros de novo e, sim,  vamos tornar os EUA grandes de novo". E finalizou com o tradicional "Deus abençoe os EUA".

Presença de três ex-presidentes

Os atos da posse começaram com uma cerimônia religiosa na pequena igreja episcopal de Saint John, de onde Trump e sua mulher, Melania, uma ex-modelo de 46 anos nascida na Eslovênia, seguiram para a Casa Branca. O agora ex-presidente Barack Obama e sua mulher, Michelle, aguardavam o casal na porta.

Os quatro tomaram chá no local e, depois, percorreram juntos, em uma limusine, os 4 km da avenida Pensilvânia até o Capitólio, onde fica o Congresso.

Na escadaria do edifício, Trump prestou juramento ao meio-dia local (15h de Brasília) sobre duas bíblias: uma presenteada a ele por sua mãe, em 1955, e a de Abraham Lincoln, presidente que lutou pela abolição da escravidão, também utilizada por Obama há quatro anos.

Ele foi observado atentamente por três ex-presidentes: Jimmy Carter, George W. Bush e Bill Clinton. A mulher de Bill, Hillary, que perdeu as eleições para Trump, também estava presente. George Bush pai não pôde comparecer, pois está hospitalizado em Houston, no Texas, para tratar de uma pneumonia.

Em entrevista à agência France Presse, o policial aposentado Michael Hippolito, 54, eleitor de Trump, disse que "agora teremos fronteiras fortes, e isso criará mais empregos". "Agora os Estados Unidos voltarão a ser grandes, a ser fortes. Apenas um outsider como Trump pode limpar o desastre que é Washington", completou.

Em Moscou, o porta-voz do presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que o chefe de Estado não assistiria ao vivo à posse.

Trump promete unificar o polarizado eleitorado, mas ataca constatemente os opositores, geralmente pelo Twitter: da imprensa à atriz Meryl Streep ou ao herói dos direitos civis John Lewis, das agências de inteligência à chanceler alemã Angela Merkel ou à Europa.

Do campo diplomático surgem as maiores dúvidas. Os líderes do planeta se perguntam sobre como interpretar suas declarações, desmentidas muitas vezes por seus futuros ministros.

Incidentes violentos

A capital dos EUA foi tomada nesta sexta-feira por dezenas de milhares de simpatizantes e de opositores de Trump. Em um dos muitos protestos contra o presidente, dezenas de manifestantes atiraram pedras e quebraram a vitrine de uma cafeteria Starbucks no centro da cidade.

Vestidos de preto e encapuzados, eles foram dispersados pela polícia com bombas de gás lacrimogênio. "Não às deportações, não à Ku Klux Klan, não aos Estados Unidos fascista!", repetiam.

O gabinete de Trump é o mais branco e o mais rico em décadas. Inclui apenas um negro e, pela primeira vez em quase 30 anos, nenhum hispânico, o que lhe valeu fortes críticas da primeira minoria do país, com mais de 55 milhões de pessoas (17% da população).

A ausência de hispânicos no gabinete não é surpreendente para um presidente que promete deportar entre 2 e 3 milhões de imigrantes ilegais, construir um muro na fronteira com o México e fazer com que os mexicanos paguem pela obra, possivelmente por meio de impostos sobre as remessas de imigrantes.

Ele também quer renegociar ou eliminar o TLCAN, o acordo de livre comércio com o México e o Canadá, assim como o Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica (do qual são signatários Chile, México e Peru, entre outros).

Essas medidas, junto à perda de investimentos, podem arrastar o vizinho do sul dos Estados Unidos a uma recessão em 2017. Trump também pode voltar atrás na aproximação com Havana impulsionada por Obama e tudo indica que será mais agressivo com a Venezuela.

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