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Washington: posse de Trump transforma capital democrata

Washington: posse de Trump transforma capital democrata
 
Donald Trump junto com a família após discurso feito no Lincoln Memorial.19/01/17 REUTERS/Mike Sega

Washington atrai a atenção internacional nesta sexta-feira (20) com a posse de Donald Trump como o 45° presidente dos Estados Unidos. Tanto os americanos quanto o resto do mundo estão na maior parte apreensivos, devido à expectativa de ter um personagem polêmico à frente da potência número 1 do planeta nos próximos quatro anos.

Ligia Hougland, corrrespondente da RFI em Washington

Poucos levavam a sério a candidatura de Trump há um ano, mas, depois de uma campanha presidencial que se caracterizou por ser pouco convencional, o bilionário republicano de perfil inédito assume o poder. A candidata democrata, Hillary Clinton, teve 91% dos votos na capital americana, e a população local, além de triste por se despedir de Barack Obama, um presidente especialmente popular, não parece entusiasmada com a chegada da família Trump à Casa Branca.

Desde o início da semana, o centro de Washington passou por uma transformação. Em vez dos tradicionais homens engravatados e mulheres de terninhos pelas ruas, além de pessoas das mais variadas etnias, a capital foi invadida por americanos das mais diversas regiões do país, quase que exclusivamente brancos, vestidos em cores da bandeira e bonés com símbolos queridos pelos conservadores.

A cidade também está repleta de motoqueiros em Harley-Davidsons, que, de modo geral, são representantes do grupo de eleitores que votou em Trump, composto de trabalhadores de empregos obsoletos no país, normalmente sem nível universitário e que se sentiram abandonados nesses últimos oito anos de governo Obama, além de ignorados por Hillary durante sua campanha presidencial. Os visitantes passeiam alegremente com sorrisos vitoriosos pela capital americana.

Marcha das mulheres contra Trump acontece no sábado

Já os grupos que representam os eleitores que se opõem à eleição do magnata estão deixando claro que pretendem manter uma resistência que irá além das demonstrações desta semana. A maior das manifestações, que é a Marcha das Mulheres, no sábado (21), espera atrair cerca de 200 mil pessoas em protesto ao novo presidente.

Outra diferença no cenário é uma polícia onipresente, mesmo para os padrões de Washington. Neste fim de semana, uma força de segurança de 30 mil agentes estará na capital para garantir que as manifestações dos esperados 350 mil protestadores não resultem em violência.

Estilo já é conhecido, mas futuras ações permanecem uma incógnita

À exceção dos adeptos da nova onda conservadora pós-Tea Party − o grupo conhecido como "alt+right" ou direita alternativa −, mesmo os tradicionais conservadores e os eleitores de Trump parecem estar cautelosos, pois não sabem o que esperar do novo presidente. Depois de testemunhar as declarações polêmicas feitas pelo bilionário durante a campanha presidencial, muitos esperam que tudo não passe de uma fanfarronice sem consequências. Mas, a não ser que Trump mude muito e rapidamente, pode haver chuvas e trovoadas na comunidade internacional.

Nos últimos dias, Trump disse que a Otan era obsoleta e criticou a chanceler alemã, Angela Merkel. Certamente, a União Europeia não vai receber bem esse tipo de conversa da Casa Branca. Porém, perder aliados não é uma boa ideia para nenhum lado.

Dentro dos Estados Unidos tem havido bastante ativismo, inclusive bipartidário pró-imigrantes ilegais, em uma tentativa de sensibilizar a opinião pública − e quem sabe o novo presidente − para que os imigrantes não sejam deportados, conforme Trump prometeu durante a campanha. É interessante observar que Obama foi o presidente que mais deportou imigrantes ilegais na história do país, mas talvez por seu carisma natural, as pessoas tendem a ter uma imagem de que ele é amigo dos não privilegiados.

Um grupo de eleitores que tem começado a falar mais abertamente é o de muçulmanos que afirmam ter votado em Trump. Eles têm a esperança que o republicano seja mais eficaz do que Obama na luta contra o terrorismo islâmico. Esse grupo lembra que as principais vítimas do extremismo e do terrorismo são os próprios muçulmanos. Ativistas que lutam por secularismo e direitos humanos esperam ter mais voz a partir de agora. Eles dizem que foram ignorados por Obama, mas acreditam que podem ser a melhor arma contra a radicalização nas comunidades muçulmanas dentro e fora dos Estados Unidos.

Biógrafos que acompanham Trump há décadas dizem que, ao mesmo tempo que ele tem um desprezo pelo establishment, o bilionário quer muito fazer parte da elite de Washington. No final da tarde de quinta-feira (20), Trump falou à multidão que comemorava sua eleição em frente ao Lincoln Memorial em tom humilde e conciliatório. Poucas horas depois, em um evento de gala, o magnata voltava a ser arrogante.

Relações tensas com a imprensa da capital

Além disso, a briga de Trump com a imprensa, especificamente os meios de comunicação tradicionais, continua firme. Recentemente, o novo presidente ameaçou despejar os repórteres que cobrem a Casa Branca da sala de imprensa que fica próxima ao Salão Oval. O local é utilizado pelos jornalistas credenciados há mais de 40 anos. O plano era transferir os repórteres para um local fora da Casa Branca. A imprensa de Washington deixou claro que isso era inaceitável. Agora, Trump diz que a sala de imprensa vai continuar onde está, mas ele vai escolher quem pode ter acesso ao local.

Muitas das pessoas que hoje estão felizes com a eleição de Trump podem, em breve, mudar de opinião. Ele prometeu algo praticamente impossível, que é trazer de volta aos Estados Unidos empregos em processo de extinção há vários anos. Alguns analistas ainda acham que Trump irá surpreender, com um governo que vai trazer grande prosperidade para o país e mais paz no mundo. Tudo é possível. Afinal, o último ano serviu para ensinar que nenhuma hipótese deve ser descartada.


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