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Américas

Sartre, Beauvoir e intelectuais franceses eram fascinados por Fidel Castro

media Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre em Havana, em 1960, ao lado de Fidel Castro Alberto Korda, 1960

Os filósofos Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, a escritora Marguerite Duras, foram alguns dos muitos intelectuais franceses que se apressaram a visitar Cuba nos anos 60, encantados com a revolução. Para eles, "El Comandante" simbolizava a esperança.  

A morte do líder da revolução cubana, Fidel Castro, na sexta-feira (25), teve impacto internacional. Na França, o fato foi uma ocasião para se lembrar historicamente a admiração que ele despertou nas mentes mais brilhantes do país.

"Fidel Castro apareceu no momento em que os ideais stalinistas começavam a decair. Ele encarnava a esperança, como uma tábua de salvação", lembra o jornalista francês Jean Daniel, que encontrou Fidel em Cuba, em 1963.

O ex-ministro da Cultura francês, Jack Lang, do PS, lembra bem daquela época: " Fidel era o ídolo dos jovens, dos estudantes, ele havia vencido uma ditadura, assim como o imperialismo americano. Houve uma simpatia imediata, quase irresistível", diz, explicando que suas primeiras medidas em favor da educação, da saúde e da cultura ressoaram na França e em outros países que sonhavam com uma nova sociedade. "Naquele momento, Fidel simbolizava uma certa utopia, e alguns aderiram a isso até ficarem cegos".

No auge da Guerra Fria, o ator Gérard Philipe foi um dos primeiros a trocar um aperto de mão com Castro, em 1959, alguns meses depois do guerrilheiro ter vencido o regime de Fulgencio Batista. Muitos outros nomes famosos se sucederam nas visitas à ilha, como o ex-ministro da Saúde, Bernard Kouchner, escritores como Marguerite Duras, Jorge Semprun, o jornalista Claude Julien ou o renomado editor François Maspero.

"Havia naquele homem algo de romântico, algo de brilhante, o mito Castro é também a cor, a música, o romantismo cubanos", observa o jornalista Jean Daniel.

Para o filósofo Pascal Bruckner, Cuba vivia um regime totalitário que fascinava pela personalidade autoritária do dirigente e pelo perfil libertário da ilha: "Castro dava ao totalitarismo comunista um toque apimentado, mas foi um ditador terrível que manteve sua ilha na miséria e na fome até a morte".

Quando Fidel bateu a porta na cara dos franceses?

A admiração infinita da intelligentsia parisiense por Fidel dava a impressão de que não havia "um outro lado da moeda". Tanto que o exilado cubano Jacobo Machover, em seu ensaio político "Cuba, o acompanhamento culpado, os companheiros da barbárie" (2010), denuncia os intelectuais que "recusaram-se a criticar o horror que existe por trás da imagem de dirigentes revolucionários transformados em heróis românticos".

Mas alguns anos depois, "a ficha começou a cair". O intelectual francês Régis Debray, que foi muito amigo de Che Guevara, admitiu que frequentou muito a ilha cubana e que até 1989 ainda recebia a tradicional caixa de charutos Cohiba, da parte de Fidel Castro. "Mas tudo isso acabou devido a divergências políticas", confessou.

Em 1960, a visita de Sartre e Simone de Beauvoir a Havana dourou o regime castrista, tanto para os franceses quanto para a esquerda anti-americana. Sartre contou sua estada em 16 artigos escritos para o jornal France-Soir, intitulados "Tempestade sobre o Açúcar". O encontro dos filósofos com Che Guevara e Fidel Castro foi fotografado pelo cubano Alberto Korda, autor da famosa imagem de Che, "Guerrilheiro Heróico". A visita também inspirou a cineasta Agnès Varda a realizar, em 1963, um pequeno filme de propaganda, musical et poético, testemunhando a admiração dos intelectuais de Saint-Germain-des-Prés pela revolução do "líder maximo".

Mas a "lua de mel" com "El Comandante" terminou em 1971, quando o poeta cubano Heberto Padilla foi preso. Sartre rompe relações com Fidel em uma carta assinada por cerca de 60 artistas, políticos e personalidades francesas, condenando a detenção do escritor.

A resposta de Fidel Castro não demorou. Todos foram acusados de serem "agentes da CIA" e tiveram a entrada em Cuba proibida para sempre.

 

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