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Américas

Fidel Castro morre aos 90 anos, em Cuba

media Fidel Castro morreu na noite desta sexta-feira (25) em Havana, capital de Cuba. Reprodução

O líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, morreu na noite desta sexta-feira (25) em Havana, aos 90 anos. O presidente francês François Hollande expressou neste sábado (26) suas condolências a Raúl Castro, irmão de Fidel e seu sucessor, e ao "povo cubano", afirmando que a França "sempre contestou o embargo imposto pelos Estados Unidos a Cuba."

"O comandante-em-chefe da Revolução cubana morreu às 22h29 desta noite", afirmou Raúl Castro, irmão de Fidel e seu sucessor no poder desde 2006, em declaração oficial na televisão nacional cubana. Raul terminou o anúncio da morte de Fidel citando o famoso jargão "Até a vitória, sempre!" ("Hasta la victoria, siempre"), símbolo do “Comandante” Castro e conhecido no mundo inteiro.

O governo cubano declarou luto oficial de nove dias na ilha. A morte de Fidel Castro acontece apenas dois anos após o anúncio histórico da reaproximação entre Cuba e os Estados Unidos. Raúl Castro anunciou que o corpo de Fidel será cremado ainda neste sábado, "segundo sua vontade". As cinzas de Fidel Castro percorrerão o país numa caravana de quatro dias, segundo fontes oficiais. O funeral do ex-líder cubano acontecerá no próximo dia 4 de dezembro em Santiago de Cuba.

Homenagens de líderes mundiais

Foto de arquivo de Fidel Castro em Havana, capital de Cuba, em 1976. REUTERS/Prensa Latina/File Photo

O presidente francês, François Hollande, afirmou na manhã deste sábado (26), por meio de um comunicado oficial, que "Fidel Castro foi uma figura do século 20. Ele encarnou a revolução cubana, tanto nas esperanças que ela suscitou, quanto nas desilusões que ela provocou", declarou. "Ele soube representar para os cubanos o orgulho da rejeição à dominação externa", afirmou Hollande. O presidente francês destacou ainda, no comunicado divulgado pelo Palácio do Eliseu, que "a França sempre contestou o embargo imposto pelos Estados Unidos a Cuba."

O presidente russo, Vladimir Putin, também prestou homenagem ao ex-líder cubano, afirmando que ele foi o "símbolo de uma era" e um "amigo sincero da Rússia". "O nome deste distinto homem de Estado é, com razão, considerado o símbolo de uma era na história mundial contemporânea", afirmou Putin em um telegrama enviado ao presidente cubano Raúl Castro e citado em comunicado oficial pelo Kremlin. Também na Rússia, o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev afirmou que "Fidel resistiu e fortaleceu seu país durante o bloqueio americano mais duro, quando havia uma pressão colossal sobre ele, e ainda assim tirou seu país desse bloqueio para um caminho para um desenvolvimento independente", segundo a agência de notícias russa Interfax.

O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou neste sábado em mensagem lida na TV, que "o camarada Castro viverá eternamente". "O povo chinês perdeu um camarada bom e sincero", finalizou o líder, que também é secretário-geral do Partido Comunista Chinês, na mensagem lida no início do noticiário noturno.

O então premiê cubano Fidel Castro durante uma partida de baseball em Havana, 1964. REUTERS/Prensa Latina/File Photo

O presidente do governo espanhol Mariano Rajoy classificou como "figura de porte histórico" o líder cubano Fidel Castro, em uma mensagem de pêsames enviada pelo Twitter.  Também pela mesma rede social o primeiro-ministro indiano Narendra Modi ofereceu suas condolências ao povo de Cuba, "uma das mais icônicas personalidades do século 20", afirmou. "A Índia perde um grande amigo", finalizou o premiê indiano.

"Para todos os revolucionários do mundo, continuamos com seu legado e sua bandeira de independência e socialismo", afirmou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Rafael Corrêa, presidente do Equador, saudou Fidel e o povo cubano: "Ele era grande. Vida longa a Cuba e à América Latina", declarou. "Fidel Castro foi um amigo do México e promotor de uma relação bilateral baseada no respeito, diálogo e solidariedade", declarou o presidente mexicano Enrique Peña Nieto.

Obama, Cuba e a página virada

"A História julgará 'o impacto enorme' que o pai da Revolução cubana, Fidel Castro, representou", declarou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em um comunicado, no qual também expressa a sua amizade ao povo cubano.

Obama articulou com o atual presidente Raúl Castro, irmão de Fidel, a reaproximação histórica e o restabelecimento das relação diplomáticas entre os dois antigos inimigos da Guerra Fria. "Nosso governo 'trabalhou' duro para virar a página de mais de meio século de discórdia e de profundos desacordos políticos", observou Obama, acrescentando que sob a sua presidência o esforço foi "construir um futuro no qual a relação entre os dois países não seja definida pelas nossas diferenças, mas por tudo o que compartilhamos como amigos e vizinhos".

No final da mensagem, Obama elogiou o papel da comunidade cubana exilada há mais de 50 anos nos Estados Unidos. "O povo cubano deve saber que tem um amigo e um parceiro nos Estados Unidos".

Para Lula e Dilma, Fidel foi inspirador

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a morte do líder cubano. Em comunicado escrito com muita emoção, comparou a morte de Fidel à perda de um irmão e afirmou que Fidel "foi sempre uma voz de luta e esperança".

"Seu espírito combativo e solidário animou sonhos de liberdade, soberania e igualdade. Nos piores momentos, quando ditaduras dominavam as principais nações de nossa região, a bravura de Fidel Castro e o exemplo da revolução cubana, inspiravam os que resistiam à tirania", diz Lula no comunicado. Sinto sua morte como a perda de um irmão mais velho, de um companheiro insubstituível, do qual jamais me esquecerei", acrescenta.

Dilma Rousseff também comentou a morte do líder. "A morte do comandante Fidel Castro, líder da revolução cubana e uma das mais influentes expressões políticas do século 20, é motivo de luto e dor. Fidel foi um dos mais importantes políticos contemporâneos e um visionário que acreditou na construção de uma sociedade fraterna e justa (...) Hasta siempre, Fidel!"

"Líder Máximo"

O "Líder Máximo", como também era conhecido em Cuba, que governou a ilha com mão de ferro desde a revolução de 1959 e desafiou a superpotência americana por mais de meio século, cedeu a liderança de Cuba a seu irmão Raúl, em 2006, depois de um sangramento intestinal. 

Fidel abriu mão em abril de 2011 de suas últimas responsabilidades oficiais, cedendo seu cargo de primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba (PCC) a Raúl Castro, número dois do partido, desde a sua fundação em 1965. O ex-presidente cubano desapareceu do noticiário entre fevereiro de 2014 e abril de 2015, o que alimentou muitos rumores sobre sua saúde. Mas no último um ano e meio, embora seus movimentos tenham continuado limitados, ele havia voltado a receber líderes estrangeiros. O último compromisso de Fidel foi o encontro, em 15 de novembro deste ano, em sua residência, em Havana, com o o presidente do Vietnã, Tran Dai Quang.

As "comemorações" pela morte de Fidel nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, país que foi o principal alvo dos ataques de Fidel Castro durante sua vida política, a

Cubanos e descendentes festejam morte de Fidel Castro na Little Havana, em Miami REUTERS/Javier Galeano

comunidade cubana do estado da Flórida recebeu a notícia da morte de Fidel castro com buzinas e saudações na manhã deste sábado, segundo a rede de televisão NBC. A celebração foi intensa no bairro de Little Havana, em Miami.

Um grupo de venezuelanos em Miami "acompanhou em sua euforia" os exilados cubanos na madrugada de sábado, nos festejos no bastião do exílio após a morte de Fidel Castro. "A Organização de Venezuelanos Perseguidos Políticos no Exílio (Veppex) acompanha em sua euforia e sentimento o glorioso exílio cubano pela morte do ditador Fidel Castro Ruz", afirmou o comunicado. A Veppex, presidida pelo ex-militar José Antonio Colina, acrescentou que agora o presidente da Venezuela "Nicolás Maduro ficou seu seu mentor político", em referência à aliança entre Caracas e Havana. "A morte deste ditador, que tanta tristeza e desgraças causou ao nobre povo de Cuba é o primeiro passo para o desaparecimento absoluto desse atroz regime de esquerda", acrescentou a organização.

O tom acompanha as celebrações que aconteceram em Miami na madrugada de sábado, quando milhares de cubanos festejavam com panelas e tambores ao grito de "Cuba livre!". Cerca de 100 mil venezuelanos e aproximadamente dois milhões de cubanos vivem nos Estados Unidos, 68% deles na Flórida.

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