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Américas

Clima anti-imigrantes tende a piorar com vitória de Trump

media O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. REUTERS/Jonathan Ernst

O discurso de Donald Trump anti-imigração seduziu parte do eleitorado e contribuiu para sua consagração nas urnas, mas suas promessas de campanha como a deportação de imigrantes em situação ilegal e a construção de um muro na fronteira com o México vão encontrar fortes resistências até em seu próprio partido, segundo avaliação de especialistas que trabalham com o tema nos Estados Unidos.

Apesar do apelo feito em seu primeiro discurso como presidente eleito para reunificação do país, a plataforma apresentada por Trump durante a campanha, considerada xenófoba, sexista e violenta, deve agravar as tensões sociais envolvendo as minorias do país.

“Os votos foram identificados como um ‘grito’ principalmente de homens brancos contra todas as mudanças nos Estados Unidos desde 1964, desde a lei dos direitos civis”, avalia Jeffrey Lesser, chefe do Departamento de História da Universidade Emory, na Geórgia. “Esse grupo está mostrando seu medo, ansiedade e sua ansiedade em relação a mulheres e grupos minoritários. Nos próximos anos, a demografia dos Estados Unidos vai mudar e não para um aumento da população branca, principalmente a que não é universitária. Esse grupo está ficando cada vez menor e achou uma maneira de reagir”, afirma em relação a uma parcela da população que garantiu o triunfo do magnata.

Para o professor Carlos Eduardo Siqueira, da Faculdade de Serviços Públicos e Comunitários da Universidade de Massachusets, de Boston, Donald Trump conseguiu vincular seu discurso às principais inseguranças e descontentamentos de grande parte da população americana branca.

“Existe um sentimento na região meio oeste dos Estados Unidos, como Michigan, Pensilvânia e também no sul do país, de apreensão sobre desemprego, emprego precário e preocupação econômica. Ele soube aproveitar isso muito bem, dizendo no seu slogan que queria fazer de novo os Estados Unidos voltarem a ser grande’. Isso significa voltar a dar prioridade e prestígio para a maioria branca”, observa.

Imigrantes ilegais na linha de mira

A imigração ilegal nos Estados Unidos foi um dos alvos preferenciais do discurso do candidato Trump, que se comprometeu a melhor controlar as fronteiras e expulsar do país quem estiver em situação clandestina, uma população estimada em até 12 milhões de pessoas. Mas, na prática, a promessa não será tão fácil assim de ser executada, segundo Siqueira.

“Mesmo dentro do Partido Republicano, ele não vai ter votos suficientes para implementar esse tipo de política. Ele não tem essa força no Congresso. Primeiro, porque é impossível de ser implementada a curto prazo sem provocar uma convulsão social, uma verdadeira guerra civil”, opina. “As forças contrárias a esse tipo de posição também são muito grandes em várias partes dos Estados Unidos, então é inviável”, avalia.

No entanto, segundo Siqueira, o republicano poderá criar muitas barreiras legais e políticas contra os imigrantes em situação irregular, que ele prefere chamar de indocumentados. “Ele deve fazer com que a legislação que pune empregadores tenha mais peso e também fazer maior pressão na fronteira com o México”, prevê.

Clima de insegurança tende a aumentar

Se a margem de manobra no legislativo deve dificultar o cumprimento de sua ofensiva contra os imigração, a preocupação de Siqueira é com o clima gerado na sociedade americana em relação aos imigrantes. “Os cidadãos americanos que têm uma postura mais agressiva contra os imigrantes vão se sentir legitimados. As agressões que já ocorrem no dia a dia deverão aumentar, assim como o clima de intimidação que coloca os imigrantes cada vez mais na defensiva”, afirma.

“Não me surpreenderia que essa minoria fascista que existe nos Estados Unidos resolva fazer justiça com as próprias mãos em áreas onde há forte presença de imigrantes. Isso deve acontecer porque ele (Trump) semeou esse tipo de clima”, acrescenta.

Por outro lado, Jefrrey Lesser relativiza o impacto da vitória de Trump em estados que já têm uma legislação dura em relação aos imigrantes em situação considerada ilegal. “Os estados que apoiaram a eleição de Trump já são bastante difíceis em relação a imigrantes sem documentos. No caso da Geórgia, em que há muitos imigrantes da América Central, o Trump não vai mudar nada”, estima o professor de História, que também é diretor da Iniciativa Brasil na Universidade Emory e professor convidado do Instituto de Estudos Avançados da USP.

Segundo ele, há também um efeito econômico que deve ser levado em consideração em relação aos imigrantes. “Se os Estados Unidos começarem a gastar milhões de dólares para expulsar esses imigrantes sem documentos, mas que trabalham e pagam impostos, e esse grupo é 99% dos imigrantes sem documentos, vai ter um impacto enorme na economia do país.”

Segundo o especialista, o país é “bipolar”, gosta de se mostrar como acolhedor mas, por outro lado, na história dos Estados Unidos sempre teve um movimento nativista e anti-imigratório. “Por isso, os Estados Unidos estão acostumados a ouvir uma coisa e ver políticas completamente diferentes na prática. O estado da Geórgia é um exemplo típico: tem um discurso muito duro contra imigração ilegal, mas é o que tem um dos maiores números de imigrantes sem documentados do país”.

Apesar da expectativa de retrocesso gerada em relação às questões relacionadas à imigração no futuro governo Trump, os especialistas lembram da distância que existe entre o discurso de candidato e a prática do exercício da função presidencial.

“O que se diz durante a campanha não reflete exatamente o comportamento dos presidentes. Isso aconteceu com Barack Obama. Ele teve um discurso extremamente acolhedor com os imigrantes, mas foi o presidente que mais deportou imigrantes sem documentos até agora”, lembra Jeffrey.

No entanto, a candidatura democrata era a que se apresentava menos hostil para os imigrantes, segundo Siqueira: “Havia uma expectativa de que a eleição de Hillary poderia provocar uma mudança na legislação e dar garantias de permanência dos adultos que têm filhos indocumentados. Provavelmente, isso não irá adiante e poderá haver um retrocesso”.

Hostilidade contra imigrantes foi legitimada

Na expectativa das primeiras ações do governo Trump para confirmar se irá levar adiante suas propostas de maior controle das fronteiras e deportação de estrangeiros clandestinos, os especialistas temem o recrudescimento de um clima de tensão social e medo presentes diariamente na vida dos que não vivem em situação legal nos Estados Unidos.

“A ansiedade e a apreensão em relação à situação deles já são grandes e poderão se agravar. Não apenas para os que já estão aqui, mas também para os que chegaram recentemente. Eles vão sentir com bastante clareza e num período rápido”, avalia. “O clima vai ficar favorável, pelo menos por um bom tempo, para quem hostiliza abertamente os imigrantes”, conclui Siqueira.
 

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