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Comparecimento recorde de latinos e mulheres entusiasma democratas

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Comparecimento recorde de latinos e mulheres entusiasma democratas
 
Os centros de votação em 9 estados da costa leste dos Estados Unidos abriram suas portas nesta terça-feira, às 6h local (9h de Brasília). Na foto primeiros eleitores no bairro de East Harlem de Manhattan, New York City, EUA 8 de novembro de 2016. REUTERS/Andrew Kelly

Mais de 230 milhões de eleitores norte-americanos estão aptos a ir às urnas nesta terça-feira (8) para exercer o direito de decidir quem substituirá Barack Obama na Casa Branca a partir de janeiro. A democrata Hillary Clinton aparece ligeiramente à frente do republicano Donald Trump na média das pesquisas divulgadas na noite de ontem.

Eduardo Graça, correspondente em Nova York

O grande desafio das duas campanhas dos partidos majoritários é levar seus apoiadores às seções eleitorais, já que o voto nos Estados Unidos não é obrigatório. Cerca de 42 milhões de eleitores já fizeram suas escolhas nos últimos dias no sistema de votação antecipada.

Os democratas investem no voto urbano e das minorias étnicas em estados cruciais como a Pensilvânia, a Carolina do Norte, a Flórida e Nevada. Há uma animação contida na campanha de Hillary pelas informações que já chegam de um comparecimento recorde de latinos e de mulheres nos chamados "swing states", ou estados-pêndulo, os que não têm maioria clara para a direita ou a esquerda e que, no sistema eleitoral americano, que é decidido no colégio eleitoral, e não pelo voto absoluto em todo o país, acabam decidindo o pleito.

Os republicanos, por sua vez, se agarram a duas notícias boas dos defensores da candidatura Trump: a diminuição no comparecimento de eleitores negros em relação às duas últimas eleições, quando Barack Obama estava à frente da chapa democrata, e um maior comparecimento de eleitores brancos de classe média baixa em estados que pareciam garantidos a Hillary, como o Michigan, o Novo Hampshire e a Pensilvânia, que poderiam dar uma sobrevida ao candidato.

Hillary começa o dia "D" como favorita

A terça-feira começa com Hillary favorita, se levadas em consideração as pesquisas anunciadas nos dias das eleições de 2008 e 2012.

Em 2008, Obama tinha 4% de vantagem sobre o republicano John McCain e acabou vencendo com mais de 7 pontos. Quatro anos depois, Obama e Mitt Romney apareciam em empate técnico e ele terminou com quase 4% de vantagem sobre o republicano. Como os métodos de pesquisa não mudaram tanto nos últimos oito anos e os candidatos nanicos tendem a perder força para o voto útil na reta final da campanha, a tendência é a de que Hillary, que aparece 4% à frente de Trump nas pesquisas anunciadas na noite de ontem, repita o Obama de 2008, mesmo que vença em uma quantidade menor de estados.

Os dois candidatos irão acompanhar a apuração dos votos em Nova York, em dois eventos classificados como ‘festas da vitória’. Os democratas distribuíram em menos de 24 horas 4 mil ingressos para o evento no maior Centro de Convenções da cidade, localizado na rua 36, à beira do rio Hudson. Já Trump reunirá família, amigos e os principais doadores de campanha em um espaço menor, no hotel Hilton, em Midtown, a poucos quarteirões de seu quartel-general, a Trump Tower da Quinta Avenida.

Crise institucional no horizonte

Os americanos também votam hoje para renovar 34 das cem cadeiras do Senado e os 435 deputados da Câmara dos Representantes.

As pesquisas mais confiáveis indicam que os democratas deverão retomar o controle do Senado, mas por apenas um voto, o que deverá complicar a vida de Hillary, se eleita, por exemplo, na hora de conseguir a aprovação de juízes para a Suprema Corte.

Na Câmara dos Representantes, os democratas devem conseguir recuperar até 13 cadeiras dos republicanos, mas estes últimos seguirão em maioria. É importante ficar de olho amanhã no perfil dos eleitos dos dois lados para a Câmara Baixa do Capitólio. A ala progressista do Partido Democrata, comandada por Bernie Sanders, aposta em eleger mais de 70 deputados, o que aumentaria a pressão à esquerda a Hillary.

Já os trumpistas esperam conseguir a maioria entre os republicanos para jogar o partido para a direita e fazer muito barulho no início de um eventual governo democrata, com oposição acirrada e a aprovação de CPIs para investigar sem trégua um eventual governo Hillary.

Americanos votam para liberalizar o uso da maconha recreativa

Como é de costume nos Estados Unidos, vários estados também contarão na cédula com propostas legislativas importantes. Há várias, relacionadas a temas tão diversos quanto a pena de morte, o aumento de impostos para os mais ricos, criação de programas sociais para diminuir o número de moradores de rua e até, na Califórnia uma proposta para se exigir o uso de camisinha para atores da pujante indústria de filmes pornô do estado.

O que mais chama a atenção, no entanto, é o número de consultas relacionadas ao uso da maconha. Quatro estados, incluindo o Massachusetts − onde fica Boston e colônias portuguesas e brasileiras de peso − e a Califórnia − maior PIB do país −, votam pela liberação total da maconha, inclusive para uso recreativo. As pesquisas indicam que todas as consultas serão aprovadas pela maioria da população.

Outros cinco estados, incluindo a Flórida, devem aprovar o uso medicinal da maconha, no que já está sendo chamado de ‘onda verde’, que promete influenciar inclusive o movimento pela liberação da maconha na América Latina.


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